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quinta-feira, 22 de abril de 2021

O discurso histórico do deputado Mário Monteiro durante a Revolução de 1964

 

A visita do Presidente da República, Marechal Humberto Castelo Branco ao Recife em 1965. Foto: Sandoval Loureiro/DP.

Seis meses após o golpe militar de 1964, uma sessão na Assembleia Legislativa de Pernambuco chamou nossa atenção pela forma como foi feito os pronunciamentos e a visão dos parlamentares na época e os pontos de vista da situação e da oposição, onde mencionam a situação difícil  da população, com destaque, os aspectos econômicos e sociais da população da região do populoso bairro de Casa Amarela, na região norte do Recife. O crítico do regime militar, o deputado estadual, Mário Monteiro, onde na ocasião tinha um forte reduto eleitoral em Casa Amarela, detona o regime e se demonstra decepcionado com a postura do governo diante de uma inflação altíssima e a situação crítica da população pobre do Recife. O deputado Nivaldo Machado, por sua vez, sai em defesa do regime militar alegando o pouco tempo de Governo. Se traçamos um paralelo dessa época aos dias atuais, notaremos que as grandes dificuldades econômicas e sociais se assemelham e muito a nossa atual realidade. Participaram ainda desse debate os deputados estaduais: Andrade Lima, Antônio Corrêa e Airon Rios. O embate aconteceu na sessão da Assembleia Legislativa de Pernambuco no dia 13 de outubro de 1964, o discurso histórico, atribuído ao deputado estadual, Mario Monteiro, segue na íntegra com seus apartes:

Deputado Mário Monteiro - Senhor Presidente, senhores deputados, novos rumos para a política brasileira era o que se esperava depois da Revolução de 31 de março e esperava-se também que os poderes constituídos minorassem o padecimento social e econômico desse povo sofredor desta vasta região que é o Nordeste, mas, senhor Presidente e senhores deputados talvez as classes produtoras alheias ao que foi a revolução de terra e mar o queixam passar despercebido o fim para que foi feita aquela revolução.

Era para que houvesse moralidade administrativas nas repartições públicas, mas o povo brasileiro esperava muito mais, esperava que o seu padecimento econômico e social fosse enquadrado dentro do esquema da revolução. E os dias se passam, espera-se que tenha condição de sobrevivência a classe menos favorecida que é justamente a do trabalhador brasileiro. E, o que se vê, senhor Presidente e senhores deputados, é a inflação que aí está como um flagelo a este povo sofredor, e já se implantam nas autarquias e nas repartições públicas e com galhardia se apresentam os falsos líderes tão comum na época passada.

Lembro-me perfeitamente, que a infestação desses falsos líderes no regime passado muito concorreu para que a revolução se implantasse e nos desse a ideia de que uma nova aurora surgiria  na República Brasileira, mas depois desses expurgos, talvez desesperançado, espera o povo, não sei como, um milagre, que talvez se dê dentro desse próprio regime, esperando que homens esclarecidos façam com que as Casas do Congresso, enxerguem o que se passa  neste vasto país. E, podem ficar certo, sr. Presidente e senhores deputados, que aquele estado de coisa muito concorreu a uma situação vexatória. As chamadas classes produtoras tinham suas cotas de responsabilidade ante o fracasso dessa revolução que foi realizada há 31 de março.

Deputado Nivaldo Machado – Deputado Mário Monteiro, sou daqueles que não anda  de turíbulo a mão , a incensar os poderosos do dia, mas antes estas atitudes de criticar por criticar, muitas vezes visando uma conduta sempre emocional do povo há uma diferença ou há uma distância muito grande, e se até o momento não podemos ainda aquilatar os resultados positivos da revolução democrática  de 31 de março, não temos ainda motivos bastantes para criticá-la e muito menos para considerá-la um fracasso. Os propósitos que inspiram aquele movimento foram os mais honestos e a frente do Governo está um grupo de homens sob a liderança do Marechal Castelo Branco, que dispõe  de capacidade e de conhecimento dos problemas nacionais.

Uma observação mesmo superficial, das medidas que o Governo vêm tomando  até o momento salvo algumas exceções, impõe a confiança nos destinos desta nação. O que não é possível é esperar em seis meses apenas o governo possa ter contribuído para minorar os males do povo vitima durante tantos anos, da demagogia, da falsidade, da mentira, da desonestidade, do embuste e da falta de espirito público de muitos daqueles que passaram pelos destinos que tiveram responsabilidade  de dirigir o destino deste país. De modo que não sendo, como disse propenso a incensar os poderosos do dia ou não posso por uma questão de consciência e por amor a verdade , não posso deputado Mário Monteiro, apressar-me e em sã consciência afirmar em alto e bom som que a revolução é um fracasso. Porque, não é demasiado que repita, o tempo ainda é muito pequeno para que as medidas tomadas pelo governo possam produzir aqueles frutos que a nação espera levá-la aos seus grandes destinos sem correr para instalação de uma ordem política e social mais humana, mais justa e mais democrata e que possa assegurar não a meia dúzia, mas, a todos. Um índice, um padrão de vida decente, um padrão de vida correspondente a dignidade da pessoa humana.

Mário Monteiro

Deputado Mário Monteiro – Quero agradecer o aparte de V. Excia, mas senhor deputado não fiz sentir à V. Excia nem a nenhum deputado que a revolução de 31 de março fracassou. Aqui está uma advertência às chamadas classes produtoras que solicitam do governo medidas necessárias para a sua sobrevivência. Principalmente agora quando está prestes a efetuar o pagamento do 13º mês. A ela cabe, senhor Presidente, senhor deputado Nivaldo Machado. Tomar as medidas necessárias para que o trabalhador sinta-se seguro neste regime para que o desespero não seja o fantasma necessário para uma revolução contra aqueles que se dizem proprietários, e é precisamente por esta advertência. Senhor deputado, tão oportuna e necessário para que não fracasse a revolução de 31 de março. Que em boa hora fez expurgar os elementos subversivos e corruptos. Faço portanto um apelo às classes produtoras do Brasil para que hajam com prudência para minorar o sofrimento e o padecimento social e econômico deste povo.

Deputado Andrade Lima – Sinto-me na obrigação de aplaudir o discurso de V. Excia. e não podia ser diferente o comportamento de um deputado que nesta casa representa uma parcela do povo humilde, representa os homens dos morros de Casa Amarela, aquela população quase faminta, do Morro da Conceição, do Vasco da Gama, do Recife enfim. V. Excia. não poderia, neste instante, a conduta de um governo que permite que o preço da carne com osso se eleve até CR$ 1.000 mil cruzeiros o quilo. Que permite que o preço do arroz se eleve até CR$ 400 quatrocentos cruzeiros o quilo. E que também se eleve o preço do feijão, enquanto a maioria dos vencimentos inclusive o salário mínimo permaneçam como estavam no ano passado. V. Excia se quiser reeleger-se e quiser  continuar a representa como tem representado, o povo do Recife, terá que reclamar hoje e sempre contra a situação de miséria e de fome que atravessa o povo brasileiro.   

Nivaldo Machado

Deputado Nivaldo Machado – Não disse que V. Excia afirmava que a revolução fora um fracasso. Eu disse que nenhum de nós, em sã consciência, poderia fazer tal afirmativa. Mas ouvindo agora o aparte  do nobre líder da que nenhum de nós pode deixar reclamar minoria, deputado Andrade Lima, que afirma medidas em favor do povo. Defendendo melhores condições de vida: Eu direi a V. Excia e ao deputado Andrade Lima, que reclamar nós continuaremos a reclamar, mas também, temos a obrigação de acusar, de acusar os verdadeiros responsáveis por esse estado de coisas, que são, exatamente, aqueles que foram banidos pelo movimento democrático de 31 de março, aqueles que se cevaram no poder. Que tiraram dele as maiores vantagens, em detrimentos dos superiores interesses da coletividade. Reclamar é obrigação do mandato que nós recebemos.

Nós continuaremos a reclamar, a aclamar e a pedir, mas não fugiremos à responsabilidade de dizer, perante esta nação iludida, quais os verdadeiros responsáveis pela sua situação, pela situação de quase fome, pela situação de miséria. Essa responsabilidade não pode deixar de estar nos ombros dos que governaram esse país durante tantos anos e que jamais olharam para os verdadeiros interesses do povo, falando em nome desses interesses, para os interesses pessoais.

Deputado Andrade Lima – (Dirigindo-se ao orador) Desejo dizer a V. Excia que faz seis meses que se instalou esse governo e o deputado Nivaldo Machado continua a responsabilizar o governo passado por tudo que acontece de ruim ainda hoje. Se V. Excia viver mais seis anos, haverá de aqui o deputado Nivaldo Machado responsabilizar o governo passado por tudo de ruim quanto possa acontecer ainda!

Deputado Airon Rios – Apenas aproveitando o aparte do deputado Andrade Lima, podemos dizer a V. Excia que não sei se daqui a seis anos seria correto ainda responsabilizar o governo, por exemplo do sr. Miguel Arraes, do sr. João Goulart por todos os desacertos que foram cometidos e que nós estamos sentindo seus efeitos: porém, atualmente, é corretíssimo. É atualíssimo, que se responsabilize essa administração cujos efeitos desastrados estamos todos nós vivendo e pagando seu ônus. De sorte que o aparte do deputado Nivaldo Machado é um aparte presente. Não tem nada de futurismo da defesa do líder da oposição. Ora o aparte que eu queria dar a V. Excia.

Deputado Antônio Corrêa – Deputado Mário Monteiro, V. Excia está fazendo hoje um discurso que merece todo nosso aplauso e todo nosso apoio. Fomos daqueles que saudaram na revolução de 31 de março, o primeiro passo para a solução dos problemas básicos do povo brasileiro, e de modo especial do pernambucano. Infelizmente, decorridos seis meses, nós estamos sentindo na administração federal o desejo de esmagar, de liquidar, de reduzir à expressão mais simples, o Nordeste.

Sabe V. Excia, que as indústrias principiantes nossas estão fechando por falta de crédito. A política do Banco do Brasil é uma política criminosa, porque está permitindo, está desenvolvendo, está estimulando a agiotagem, emprestando dinheiro a 10% e a 15% ao mês.

Enquanto isso, o agricultor, o pequeno industrial sofre as consequências dessa política inerte, dessa política deflacionária. Os gêneros alimentícios sobem assustadoramente; a carne apenas em uma semana aumentou CR$ 200 cruzeiros; sobem as passagens de ônibus, sobe o preço da gasolina. E o homem pobre, o homem de poder aquisitivo reduzido tem que apertar o seu cinturão: sobem os remédios; daí deputado Mário Monteiro, acho que o discurso de V. Excia. Na tarde de hoje está sendo dos mais oportunos, é um grito de alerta aqueles que pensam nos seus gabinetes fechados, confortavelmente instalados, inclusive até numa temperatura amena provocada pelos aparelhos de ar condicionado. Mas, na verdade o operário ganhando muito menos, está muito mais sacrificado, o homem da classe média não tem sequer dinheiro para comprar uma gravata. Tudo isso decorrência, tudo isso produto, dessa política financeira suicida levantada pelo governo. E, o homem dos córregos e o homem dos morros é a maior vítima.

E, V. Excia, como um de seus representantes, não poderia ter outra atitude senão esta. A advertir, a de chamar a atenção, a de chamar à responsabilidade. Para que amanhã se esse país marchar  para a degringolada, ou para o caos, não pesar na sua consciência a responsabilidade de dentro do possível ter estilizado usando a tribuna, que é a arma do parlamentar, para mostrar os Poderes Públicos como eles estão errados. Aceite V. Excia, a minha irrestrita solidariedade ao discurso de V. Excia.

Deputado Mário Monteiro – Quero agradecer a colaboração que V. Excia dada ao discurso que pronuncia. Mas, Sr. Presidente, senhores deputados, nós que neste parlamento concorremos para esse estado de coisa, temos o dever, e, sobretudo a obrigação de cobrar dos poderes constituídos dias melhores para nossos coirmãos, e ao encerrar as minhas considerações, renovo aqui esta advertência. Advertência que faço ao Sr. Presidente da República, aos governadores de Estado e às classes produtoras do Brasil.

O Presidente da República, João Goulart e o Governador de Pernambuco, Miguel Arraes foram depostos em 2/4/1964, pelo Regime Militar. Foto: Jornal do Comércio/Recife

*O Deputado Mário Monteiro de Melo, era médico, foi vereador, e mantinha um consultório médico no bairro de Casa Amarela onde atendia a população pobre gratuitamente. Quando estava preste a assumir o seu quinto  mandato como deputado estadual, foi internado e veio a falecer no dia 13 de fevereiro de 1979, vítima de edema pulmonar, foi sepultado no Cemitério de Casa Amarela, deixando 25 filhos. Um de seus filhos era o vereador Carlos Monteiro.   

*Durante esse histórico discurso, o Presidente do Brasil era o General Humberto Castelo Branco e o Governador de Pernambuco era Paulo Pessoa Guerra. Antes, o Presidente da República era João Belchior Marques Goulart e o Governador de Pernambuco era Miguel Arraes de Alencar, ambos foram depostos durante a Ditadura Militar no dia 2 de abril de 1964.

Por: Jânio Odon/BLOG VOZES DA ZONA NORTE.

Fonte: Diário Oficial de Pernambuco e Diário da Manha/Cepe.  


terça-feira, 30 de outubro de 2018

Jair Bolsonaro é o novo Presidente do Brasil. Em Pernambuco, ele só venceu em Santa Cruz do Capibaribe

Jair Messias Bolsonaro, venceu a eleição presidencial de 2018.

28 de outubro de 2018 (Domingo)


Jair Bolsonaro (PSL), é o novo Presidente do Brasil, ele venceu em 16 Estados, enquanto Fernando Haddad (PT) venceu em todos Estados Nordestinos, além de Tocantins e Pará, totalizando 11 Estados. Com 100% das urnas apuradas, o resultado oficial foi o seguinte:
Jair Bolsonaro (PSL): 57.797.456 votos (55,13%)
Fernando Haddad (PT): 47.040.819 votos (44,87%)
Votos válidos: 105.023.248 votos (90,43%)
Votos brancos: 2.493.830 votos (2,15%)
Votos nulos: 8.616.592 votos (7,42%)

Aos 63 anos, Jair Bolsonaro era tido como um dos favoritos, desde a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi preso em 7 abril e foi declarado inelegível. Bolsonaro será o 16º presidente militar da história do Brasil e o terceiro a chegar no poder por meio do voto direto.

Fernando Haddad, plano B do Partido dos Trabalhadores era vice de Lula e passou a ser candidato depois da determinação de que o ex-presidente não poderia participar da corrida presidencial. Apesar de ser o único com pontuação capaz de ir ao segundo turno, o ex-prefeito de São Paulo teve a sua segunda grande derrota, a primeira foi a não conseguir se reeleger como prefeito da cidade de São Paulo.

Na corrida ao Palácio do Planalto, Bolsonaro teve dificuldade para ampliar alianças e negociar um nome para vice-presidente - cargo entregue ao polêmico general Mourão (PRTB), que trouxe consigo o apoio de alas da elite das Forças Armadas. Bolsonaro já negou várias vezes que tenha existido golpe militar e tortura política no Brasil.

Desde o início, ele apresentou o banqueiro Paulo Guedes como o fiador de seu programa econômico. Com o aumento de sua popularidade e a entrada de Guedes na campanha, cresceu também o apoio de setores empresariais e financeiros ao PSL. Fiel ao discurso anticorrupção, diz que vai combatê-la acabando com ministérios e estatais.

Casado três vezes, tem cinco filhos, dos quais três estão na vida política – Carlos é vereador no Rio, Flávio é deputado estadual no Rio e Eduardo é deputado federal por São Paulo. O PSL é o seu nono partido. À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 2,3 milhões.

Atentado
Com apenas oito segundos de propaganda eleitoral, o ex e seus filhos, que costumam criticar a imprensa, usaram as redes sociais intensamente e terminaram acusados pelos adversários de liderarem a produção de fake news nessas eleições. Denúncia sobre o uso impulsionado de mensagens em aplicativos, supostamente pago por empresários pró-Bolsonaro, está sendo investigada pela Justiça Eleitoral. Pelas redes, detalharam até o estado de saúde de Bolsonaro quando esteve hospitalizado durante o primeiro turno, alvo de atentado a faca – algo que nunca aconteceu a presidenciáveis em campanha, após a redemocratização no Brasil. Ferido em 6 de setembro quando participava de ato público em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro passou 22 dias internado, recuperando-se de uma hemorragia e de duas cirurgias no intestino. Ele foi atacado pelo desempregado Adélio Bispo – que hoje é réu por “atentado pessoal por inconformismo político”. Nos últimos dias de campanha, Bolsonaro, que votou com colete à prova de bala e forte esquema de segurança, voltou a dizer que não acredita que Adélio agiu sozinho.

Fernando Haddad, apoiado pelo governador reeleito Paulo Câmara, venceu na capital pernambucana.

Pernambuco
.
Dos 185 municípios de Pernambuco, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) venceu em apenas um: Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste pernambucano. Ele teve 53,8% dos votos (23 mil) contra 46,1% de Fernando Haddad (19,7 mil). No primeiro turno das eleições, o município já tinha dado o recado quando Bolsonaro ganhou com 45,64% contra 26,24% do petista.

Recife que no primeiro turno fez com que Bolsonaro liderasse com 383.895 votos e alcançasse 43,14% do percentual, recuou e, agora, sem a presença dos outros candidatos foram registrados 482.673 a favor de Haddad, um total de 52,50% dos votos. Jair teve 47,50%, um total de 436.764 votos.

Em Petrolina, no Sertão do São Francisco, a decisão favorável ao petista ficou ainda mais evidenciada no segundo turno, quando 68,03%, 105.663 eleitores preferiam Haddad a Bolsonaro que ficou com 31,97%, 49.661 votos. Anteriormente, no primeiro turno, Haddad liderou com  49,95%,
74.135 votos enquanto Bolsonaro teve 30,23%, total de 44.859 votos.

Por: Jânio Odon
Fonte: Diário de Pernambuco, G1- Globo.




terça-feira, 9 de outubro de 2018

Os eleitos em Pernambuco em 2018, senadores e deputados

Humberto Costa (PT), teve 1.713.565 votos, e Jarbas Vasconcelos teve 1.430.802 votos, e se elegeram ao Senado Federal.


As duas vagas ocupadas por Pernambuco no senado serão ocupadas pelo deputado Jarbas Vasconcelos 9MDB) e pelo senador Humberto Costa (PT), que se reelegeu com 25,74% dos votos válidos. Jarbas ficou em segundo lugar com 21,49%. Juntos, eles somaram mais de 2 milhões de votos. Os dois pertencem à mesma coligação no estado, Frente Popular de Pernambuco, apoiando o governador reeleito, Paulo Câmara (PSB), e o candidato à presidência da República, Fernando Haddad (PT).

Humberto e Jarbas até o início da campanha das eleições de 2018, ocupavam lados opostos. Em 2016, quando a então presidente Dilma Rouseff (PT) sofreu o processo de impeachment, que culminou na sua queda em agosto do mesmo ano, Jarbas votou favorável ao seu impedimento. O PSB, partido de Paulo Câmara, também fez oposição ao governo Rousseff e apoiou o impeachment em todas as esferas, tanto legislativas quanto executivas.

VOTAÇÃO PARA O SENADO EM PERNAMBUCO

Humberto Costa (PT) 1.713.565 votos (25,76%) Eleito
Jarbas Vasconcelos (MDB) 1.430.802 votos (21,51%) Eleito
Mendonça Filho (DEM) 1.302.446 votos (19,58%)
Bruno Araújo (PSDB) 925.371 votos (13,91%)
Silvio Costa (AVANTE) 680.435 votos (10,23%)
Pastor Jairinho (REDE) 191.059 votos (2,87%)
Albanise (PSOL) 142.280 votos (2,14%)
Eugênia (PSOL) 113.703 votos (1,71%)
Adriana Rocha (REDE) 91.941 votos (1,38%)
Lidia Brunes (PROS) 44.727 votos (0,67%)
Hélio Cabral (PSTU) 16.766 votos (0,25%)
Votos Brancos: 10,95%
Votos Nulos: 27,35%
Votos Válidos: 61,70%.

João Campos foi eleito o deputado federal mais bem votado em Pernambuco. Ele é filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes de Alencar.

OS 25 DEPUTADOS FEDERAIS ELEITOS EM PERNAMBUCO

o engenheiro João Campos, filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, agradeceu os votos que recebeu e afirmou que pretende trabalhar para honrar a confiança depositada nele. Ao todo, 460.387 pessoas elegeram o candidato.

“Essa confiança será retribuída com muito trabalho, muito compromisso. Eu sei a responsabilidade que é representar mais de 460 mil pernambucanos que deixaram as suas casas para, no momento onde a política é colocada em xeque, confiar na nossa história. Confiar, sobretudo, naquilo que a gente pode construir pelo futuro. Então muito obrigado, povo de Pernambuco, fiquem certos que eu vou trabalhar muito para honrar cada um e cada uma”, afirmou.

João Campos (PSB) 460.387 votos
Marília Arraes (PT) 193.108 votos
Andre Ferreira (PSC) 175.834 votos
Sebastião Oliveira (PR) 129.978 votos
Pastor Eurico (PATRI) 125.025 votos
André de Paula (PSD) 118.641 votos
Luciano Bivar (PSL) 117.943 votos
Felipe Carreras (PSB) 114.268 votos
Eduardo da Fonte (PP) 113.640 votos
Silvio Costa Filho (PRB) 109.185 votos
Daniel Coelho (PPS) 97.745 votos
Fernando Filho (DEM) 92.188 votos
Danilo Cabral (PPS) 91.635 votos
Raul Henry (MDB) 87.585 votos
Wolney Queiroz (PDT) 82.592 votos
Fernando Monteiro (PP) 82.071 votos
Gonzaga Patriota (PSB) 80.498 votos
Augusto Coutinho (SOLIDARIEDADE) 77.817 votos
Túlio Gadêlha (PDT) 75.642 votos
Ricardo Teobaldo (PODE) 73.551 votos
Carlos Veras (PT) 72.005 votos
Bispo Ossessio (PRB) 65.939 votos
Renildo Calheiros (PC do B) 57.919 votos
Tadeu Alencar (PSB) 53.597 votos
Fernando Rodolfo (PHS) 52.824 votos.

A delegada Gleide Ângelo, foi eleita deputada estadual mais bem votada da história, com 412.636 votos.

OS 49 DEPUTADOS ESTADUAIS ELEITOS EM PERNAMBUCO

A delegada Gleide Ângelo foi eleita a deputada estadual com uma extraordinária votação, com 412.636 votos.
Em toda a história da política pernambucana, nenhum outro deputado foi eleito com a mesma quantidade de votos que o dela nesta eleição.

Esta é a primeira vez que ela se candidata e desbancou nomes que já eram conhecidos como preferidos pela população. Exemplo, Cleiton Collins, que em
2010 foi eleito como o mais votado da história de Pernambuco e 2014 venceu o próprio recorde e agora está na segunda colocação com 96 mil votos.

A delegada é conhecida por desvendar crimes de grande repercusão no estado.  Em abril, a delegada se filiou ao partido dizendo que um dos objetivos da filiação seria o reforço na luta pelo empoderamento feminino e o apoio à mulheres vítimas de violência.

Gleide Ângelo já passou pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e Delegacia de Homicídios, pela unidade de Roubos e Furtos e pela Delegacia de Homicídios de Olinda. Ela estava como gestora do Departamento de Polícia da Mulher, da Policial Civil. A ficha da candidata, na filiação, foi  abonada por João Campos (PSB), filho do ex-governador Eduardo Campos, que também aparece em primeiro lugar na disputa do cargo como deputado federal do estado.

Delegada Gleide Angêlo (PSB) 412.636 votos
Pastor Cleiton Collins (PP) 106.394 votos
Guilherme Uchoa Jr. (PSC) 71.898 votos
Doriel Barros (PT) 66.990 votos
Rodrigo Novaes (PSD) 65.869 votos
Clodoaldo Magalhães (PSB) 65.750 votos
Aglailson Victor (PSB) 64.763 votos
Lucas Ramos (PSB) 62.968 votos
Adalto Santos (PSB) 60.084 votos
Simone Santana (PSB) 56.583 votos
Joaquim Lira (PSD) 56.336 votos
Manoel Ferreira (PSC) 51.885 votos
Clarissa Tércio (PSC) 50.789 votos
Francismar (PSB) 50.577 votos
Diogo Moraes (PSB) 50.188 votos
Gustavo Gouveia (DEM) 50.058 votos
Tony Gel (MDB) 49.133 votos
William Brígido (PRB) 46.759 votos
Joel da Harpa (PP) 46.524 votos
Claudiano Filho (PP) 46.314 votos
Priscila Krause (DEM) 46.123 votos
Alessandra Vieira (PSDB) 45.115 votos
Antônio Coelho (DEM) 44.277 votos
Alberto Feitosa (SOLIDARIEDADE) 42.303 votos
Fabiola Cabral (PP) 41.857 votos
Rogério Leão (PR) 40.307 votos
Juntas (PSOL) 39.175 votos
Waldemar Borges (PSB) 39.031 votos
Álvaro Porto (PTB) 38.712 votos
Clovis Paiva (PP) 37.403 votos
Antônio Moraes (PP) 37.389 votos
Eriberto Medeiros (PP) 36.580 votos
Henrique Queiroz Filho (PR) 35.671 votos
Isaltino (PSB) 35.218 votos
Romero Sales Filho (PTB) 35.195 votos
Zé Queiroz (PDT) 32.740 votos
Tereza Leitão (PT) 31.530 votos
João Paulo (PC do B) 29.442 votos
Romero (PP) 29.262 votos
Delegado Lessa (PP) 29.128 votos
Roberta Arraes (PP) 28.649 votos
Antônio Fernando (PSC) 27.605 votos
Marco Aurélio Meu Amigo (PRTB) 26.783 votos
Romário Dias (PSD) 26.392 votos
Wanderson Florêncio (PSC) 24.971 votos
João Paulo Costa (AVANTE) 24.789 votos
Aluisio Lessa (PSB) 23.344 votos
Dulcicleide Amorim (PT) 22.359 votos
Fabrizio Ferraz (PHS) 17.729 votos

Por: Jânio Odon
Fonte: Diário de Pernambuco, G1- Pernambuco e Estadão.




Deu Fernando Haddad (PT) em Pernambuco, no 1º Turno

Fernando Haddad (PT) sai na frente de Jair Bolsonaro (PSL) na luta pela presidência. Foto: Divulgação.



Fernando Haddad venceu as eleições em Pernambuco, terra natal de Lula, seu padrinho político. Ele teve 48,8% dos votos contra 30,5% de Bolsonaro. O petista saiu na frente em 175 municípios dos 184, mas Bolsonaro venceu no Recife, governada pelo PSB, e em cidades importantes da Região Metropolitana, como Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Paulista e Camaragibe. O postulante do PSL conquistou a preferência dos eleitores na maior cidade do interior, Caruaru. Por outro lado, Haddad teve vantagem em Petrolina, reduto da família Coelho, onde Paulo Câmara também ficou em primeiro lugar.  

Em Caetés, que fazia parte de Garanhuns até se tornar município, no Agreste pernambucano, onde Lula nasceu, Haddad venceu com 82,73% dos votos, uma das maiores vantagens contra seu principal adversário. Nesse município agrestino, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) ficou em segundo lugar com 7,9%, e Bolsonaro teve 7,1%. Já em Garanhuns, a diferença entre o petista e o militar reformado foi menor, respectivamente 52,09% contra 25,6% de Bolsonaro.  Em outras três cidades do interior, além de Caruaru, Bolsonaro venceu Haddad em Santa Cruz do Capibaribe, Taquaritinga do Norte e Carpina. 

Pernambuco, entretanto, está entre os nove estados do Nordeste que garantiram o segundo turno das eleições presidenciais, a única região a resistir à onda bolsonarista. O estado ficou em 5º lugar no ranking nordestino que levou o petista. Haddad venceu em oito deles, ficou em segundo lugar apenas no Ceará, reduto eleitoral de Ciro Gomes. O Piauí, onde o governador petista Wellington Dias ganhou no primeiro turno, Haddad teve sua maior vantagem eleitoral no país, 63,26% contra seu oponente, que registrou a preferência de 18,86% do eleitorado. 

O Nordeste conseguiu blindar o PT em mais uma eleição e foi um dos principais assuntos das redes sociais, seja com comentários preconceituosos ou com elogios. “Agora vocês entenderam por que mando chuva pra todo mundo menos pro Nordeste?”, ironizou um internauta, usando uma foto de Jesus Cristo. Outro escreveu: “Amigos nordestinos, devemos a vocês ainda a esperança de vencermos o fascismo. Obrigada mais uma vez".

VOTAÇÃO PARA PRESIDENTE EM PERNAMBUCO NO 1º TURNO

Fernando Haddad (PT) 2.309.104 votos (48,87%) (2º turno)
Jair Bolsonaro (PSL) 1.444.685 votos (30,57%) (2º turno)
Ciro Gomes (PDT) 640.860 votos (13,56%)
Cabo Daciolo (PATRI) 93.330 votos (1,98%)
Geraldo Alckmin (PSDB) 77.987 votos (1,65%)
Marina Silva (REDE) 46.524 votos (0,98%)
João Amôedo (NOVO) 46.153 votos (0,98%)
Henrique Meirelles (MDB) 32.088 votos (0,68%)
Guilherme Boulos (PSOL) 20.688 votos (0,44%)
Álvaro Dias (PODE) 9.853 votos (0,21%)
Vera (PSTU) 2.021 votos (0,04%)
Eymael (DC) 1.046 votos (0,02%)
João Goulart Filho (PPL) 877 votos (0,02%)
Brancos: 153.557 votos (2,85%)
Nulos: 514.413 votos (9,54%)
Válidos: 4.725.216 votos (87,61%)

No 1º Turno, Jair Bolsonaro venceu em 16 estados e o DF, Fernando Haddad venceu em 9 estados. Foto:Divulgação.

VOTAÇÃO PARA PRESIDENTE NO 1º TURNO (BRASIL)

Jair Bolsonaro (PSL) 49.276.897 votos (46,03%) (2º turno)
Fernando Haddad (PT) 31.341.997 votos (29,28%) (2º turno)
Ciro Gomes (PDT) 13.344.353 votos (12,47%)
Geraldo Alckmin (PSDB) 5.096.341 votos (4,76%)
João Amôedo (NOVO) 2.679.728 votos (2,50%)
Cabo Daciolo (PATRI) 1.348.323 votos (1,26%)
Henrique Meirelles (MDB) 1.288.948 votos (1,20%)
Marina Silva (REDE) 1.069.575 votos (1,00%)
Álvaro Dias (PODE) 859.600 votos (0,80%)
Guilherme Boulos (PSOL) 617.120 votos (0,58%)
Vera (PSTU) 55.762 votos (0,05%)
Eymael (DC) 41.710 votos (0,04%)
João Goulart Filho (PPL) 30.176 (0,03%)
Votos brancos: 3.106.936 (2,65%)
Votos nulos: 7.206.202 (6,14%)
Votos válidos: 107.050.530 (91,21%).


















Por: Jânio Odon
Fonte: Diário de Pernambuco, G1 e Folha de São Paulo.







segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O governador Paulo Câmara é reeleito com 50,70% dos votos em Pernambuco

Paulo Câmara foi reeleito governador de Pernambuco, vencendo Armando Monteiro.


8 de outubro de 2018 (segunda-feira)

Paulo Câmara (PSB) foi reeleito governador de Pernambuco para os próximos quatro anos, com 50,61% dos votos válidos. Armando Monteiro ocupou a 2ª posição com 35,99%. Em entrevista Paulo Câmara disse:

"Agradeço ao povo de Pernambuco pela confiança. Agora, junto com a primeira mulher vice-governadora [Luciana Santos, PCdoB], temos muito o que fazer. Agradeço aos prefeitos e vice-prefeitos pela confiança. Tive muita honra de fazer a chapa junto com Jarbas e Humberto. Jarbas esteve comigo durante todos os dias do governo e em nenhum momento deixou de apoiar. Jarbas e Humberto vão ser fundamentais para serem voz ativa em defesa do nosso povo. Quero também agradecer a Raul Henry, que foi um vice leal, correto e que agora vai me ajudar muito em Brasília como deputado federal".

Paulo Henrique Saraiva Câmara, 46 anos, é natural do Recife. Ele nasceu em 8 de agosto de 1972. É casado com Ana Luiza Câmara, com quem tem duas filhas, Clara e Helena. É formado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. Pela mesma instituição de ensino, tornou-se especialista em Contabilidade e Controladoria Governamental e mestre em Gestão Pública.

Aos 21 anos de idade, ingressou no Banco do Brasil como escriturário concursado, entre os anos de 1993 e 1994. Em 1995, ele ingressou no Tribunal de Contas do Estado (TCE) e entrou para o governo estadual em 2007, como secretário de Administração do primeiro mandato de Eduardo Campos.
Em 2010, assumiu a secretaria de Turismo e, em janeiro do ano seguinte, a da Fazenda. Nesta última pasta, ficou até o início de 2014, quando foi indicado pelo partido para concorrer às eleições, nas quais foi eleito no primeiro turno, com 68% dos votos.

Antes da realização das convenções eleitorais, cogitava-se a candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo do estado, que foi aprovada pelo diretório estadual, mas barrada pelo nacional em prol do apoio a Paulo Câmara. Anteriormente favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, durante a campanha, Câmara afirmou ter sido um erro o apoio do PSB ao processo que derrubou a petista.

Paulo Câmara iniciou a campanha eleitoral em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto e assim seguiu até este domingo (7).
Nas eleições 2014, Câmara também foi eleito governador de Pernambuco no primeiro turno, com 68,08% dos votos válidos. Ele, que foi escolhido pelo ex-governador Eduardo Campos como postulante ao governo, havia se candidatado pela primeira vez a um cargo eletivo da administração pública.

Com 12 partidos coligados na Frente Popular de Pernambuco, a campanha de Paulo Câmara na TV ocupou cinco minutos do guia eleitoral, metade do que as 21 legendas coligadas na eleição anterior possibilitaram ao socialista.

Paulo Câmara em seu último compromisso de campanha no Largo da Bomba do Hemetério. Foto: Hélia Scheppa.

Durante a campanha, Paulo Câmara aproveitou as entrevistas e debates para falar sobre os efeitos da crise econômica no estado. Ele afirmou que pretende fazer um "pacto pelo emprego" e pelo crescimento econômico para recuperar e criar novas vagas de trabalho em Pernambuco.
No setor de segurança, Câmara foi alvo de críticas dos outros candidatos sobre os índices de violência no estado. Ele afirmou que quer investir na contratação de novos profissionais de segurança e na melhoria da estrutura de inteligência nas forças policiais de Pernambuco.
Ele propôs ainda a criação de um 13º salário para o Bolsa Família e a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as famílias que recebem o referido auxílio do governo federal.

Paulo também afirmou que pretende construir moradias para diminuir o déficit habitacional e unidades de saúde em diferentes mesorregiões, para encurtar as distâncias para o tratamento médico de quem mora no interior.

RESULTADO DA ELEIÇÃO PARA GOVERNADOR DE PERNAMBUCO/2018
Paulo Câmara (PSB) 1.918.219 votos (50,70%) (Eleito)
Armando Monteiro (PTB) 1.361.588 votos (35,99%)
Dani Portela (PSOL) 188.087 votos (4,97%)
Julio Lossio (REDE) 176.492 votos (4,67%)
Maurício Rands (PROS) 129.712 votos (3,43%)
Simone Fontana (PSTU) 9.067 votos (0,24%)
Votos válidos: 70,17%
Votos brancos: 6,84%
Votos nulos: 22,99%
Abstenções: 17,90%.

Por: Jânio Odon
Fonte: G1- Pernambuco e Folha de São Paulo.







sábado, 28 de outubro de 2017

Michel Temer e seus discípulos pernambucanos

Onze deputados pernambucanos votaram pelo arquivamento. Temer agradeceu. Foto: A Tarde.

Boa noite, meu povão dos morros, dos córregos, dos becos, das vielas e das favelas, ou seja, meu povão suburbano. Vimos nesta quarta-feira, mais um atentado contra a dignidade do povo brasileiro, lá no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. A corrupção e a bandidagem mais uma vez levou a melhor. Michel Temer com o apoio de seus magníficos aliados, representantes do povo, com seus acordos obscuros nos bastidores do Planalto Central, ignoram os crimes contra a nação praticados pelo nosso mandatário. 

Nossos representantes que votaram pelo arquivamento das denúncias, estão cientes que nós suburbanos, somos cretinos e idiotas. Eles sabem, que fomos e sempre seremos uns tolos, que vendemos nosso voto por qualquer falsa promessa ou por qualquer migalhas. Para eles, somos uns miseráveis, um voto certo. Pois, nós suburbanos, somos pessoas sem auto-estima, sem orgulho, sem nada. Somos uma classe fácil de manipular. Que resmungamos, mais não lutamos pelos nossos direitos e ainda o chamamos de doutor. 

Submissos, escravos contemporâneos, acostumados com o sofrimento, inerte a tudo que acontece. É o que nossos representantes pensam de nós. O pior de tudo é sabermos que estamos com a chave da mudança nas mãos, que é o voto, e não sabemos usá-lo. Isso é que é constrangedor e decepcionante.
Nós suburbanos, precisamos aprender a protestar, a vaiar, a dizer um não bem grande na hora de votar nessa corja de abutres. Temos que aprender a combater toda essa sujeira provocada por esta corrupção infinita, ou então, teremos em breve um futuro obscuro e tenebroso e sentiremos na pele o que é miséria de verdade sem opção de solução, porque a corrupção já terá consumido tudo diante de nossa paciente omissão.

Vejam o posicionamento de nossos ilustres representantes pernambucanos.

Nesta quarta-feira (25), o presidente Michel Temer esteve mais uma vez nas mãos da Câmara. Mas, o resultado novamente não surpreendeu. Com 251 votos a favor e contando com as 25 ausências, a base aliada conseguiu garantir o arquivamento da segunda denúncia contra o presidente.
Deputados decidem arquivar mais uma denúncia contra Michel Temer
Na bancada pernambucana a votação foi empatada, com 11 votos a favor do arquivamento e 11 contra. 

Eles arquivaram a corrupção. 
Confira abaixo o voto de cada um dos deputados de Pernambuco:  
Votaram “sim” (11):
Augusto Coutinho (SD)
Bruno Araújo (PSDB)
Eduardo da Fonte (PP)
Fernando Filho (sem partido)
Fernando Monteiro (PP)
Jorge Côrte Real (PTB)
Luciano Bivar (PSL)
Marinaldo Rosendo (PSB)
Mendonça Filho (DEM)
Sebastião Oliveira (PR)
Zeca Cavalcanti (PDT)

Votaram “não”(11):

André de Paula (PSD)
Betinho Gomes (PSDB)
Daniel Coelho (PSDB)
Danilo Cabral (PSB)
Gonzaga Patriota (PSB)
Jarbas Vasconcelos (PMDB)
Luciana Santos (PCdoB)
Pastor Eurico (PHS)
Silvio Costa (Avante)
Tadeu Alencar (PSB)
Wolney Queiros (PDT)

Ausentes:

Ricardo Teobaldo (Podemos)
João Fernando Coutinho (PSB)
Adalberto Cavalcanti (Avante)

Com base na delação premiada do executivo da JBS Joesley Batista, foi instaurado no Supremo Tribunal Federal um inquérito que investigará o presidente Michel Temer por indícios de três crimes: corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de justiça.

1. Corrupção passiva
"No inquérito instaurado pelo Supremo, Janot faz a narrativa de que Michel Temer indicou o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (aliado próximo do presidente) para defender interesses de Joesley Batista no governo federal, atuando frente a órgãos como o Cade", explica Machado de Almeida.

Isso se refere ao trecho da delação em que Temer, na conversa gravada por Joesley, indica Loures como pessoa de sua confiança para atuar como interlocutor das demandas da JBS.
Segundo o relato do empresário, Loures teria atuado, com aval do presidente, em uma disputa em favor da JBS no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), principal órgão de defesa da concorrência do país.

Posteriormente, Batista gravou conversas com o deputado oferecendo propina em troca de que consiga que o Cade atenda pleito da JBS, que desejava adquirir gás diretamente da Bolívia, a preços menores do que o cobrado pela Petrobras.

"Isso pode ser entendido como corrupção passiva, que seria solicitar ou receber para si ou uma outra pessoa uma vantagem indevida", explica a professora da FGV. "Na descrição da denúncia que será investigada no Supremo, Temer estaria solicitando uma vantagem indevida para Joesley e indicando Loures como intermediário para isso."

Loures estava nos EUA quando o caso eclodiu. Ao desembarcar em São Paulo na manhã desta sexta-feira, foi questionado por jornalistas, mas permaneceu em silêncio. Afirmou apenas que falará "na hora adequada".

2. Organização criminosa

"A promoção de uma empreitada para prática de crimes" configuraria organização criminosa, explica a professora.
No pedido de inquérito, isso é caracterizado pela suposta "articulação entre Temer, Loures e Joesley voltada para crimes contra a administração pública".
No acordo de delação, Joesley Batista afirma que realizou entre 2010 e 2017, a pedido de Temer, pagamentos que atingem valores milionários.

Esses montantes teriam incluído, por exemplo, R$ 3 milhões em propina na eleição de 2010, quando Temer foi candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, pagos em parte por meio de doação oficial e em outra parte por meio de caixa dois

Joesley Batista disse que Temer o convidou para uma reunião no seu escritório jurídico, em São Paulo, em 2016, durante o processo de impeachment de Dilma, e pediu propina no valor de R$ 300 mil para pagar despesas de marketing político pela internet.

3. Obstrução de justiça

Machado de Almeida explica que obstrução de justiça seria a tentativa de impedir uma determinada investigação.
O texto do inquérito diz o seguinte: "Verifica-se que Aécio Neves (senador tucano também investigado), em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da (operação) Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio do controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos."

Aécio Neves negou ter agido para obstruir as investigações. "Não existe qualquer ato do senador, como parlamentar ou presidente do PSDB, que possa ter colocado qualquer empecilho aos avanços da Operação Lava Jato", diz nota divulgada pela assessoria do parlamentar, que foi afastado pelo STF.

Também pode ser investigado como obstrução de justiça o momento em que, na gravação de Joesley de conversa feita com Temer, o presidente dá a entender que teria poder de influência sobre dois ministros do STF, em possível auxílio ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba.

Por: Jânio Odon/BLOG VOZES DA ZONA NORTE.
Fonte: Informações extraída da BBC Brasil e Diário de Pernambuco.