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sábado, 3 de fevereiro de 2024

Luiz Zago, o primeiro jogador profissional registrado na F.P.F.

 

Luiz Zago, o primeiro jogador profissional registrado na Federação Pernambucana de Desportos (atual F.P.F.) em 1937. Foto: Diário da Manhã/CEPE.

Com a chegada da delegação do América Futebol Clube do Rio de Janeiro ao Recife, o primeiro clube do sudeste a jogar em Pernambuco, estreando em 10 de novembro de 1915, onde realizou quatro amistosos contra combinados formados por jogadores ingleses residentes na capital pernambucana e contra o selecionado pernambucano. Foram todos goleados. O poderio do esquadrão rubro carioca despertou nos dirigentes do Sport Club do Recife e do nosso América Futebol Clube a ideia de importar jogadores de centros mais desenvolvidos para as disputas finais do Campeonato Pernambucano, que não era ilegal, mas que provocou protestos dos demais clubes e parte da imprensa, apenas o Jornal Pequeno, expressivo jornal da época, concordava com a ideia. Já o Diário de Pernambuco teceu diversas críticas contrário a esta inovação.

No Campeonato Pernambucano de 1916, o Sport Recife chegou à final contra o Santa Cruz e trouxe do América do Rio de Janeiro, o jogador Paulino, que era jogador profissional, mas que veio camuflado com sendo um jogador amador e que exercia uma profissão paralela, sendo ele, linotipista (operador de máquina) do jornal carioca Correio da Manhã. O Sport Recife sagrou-se campeão.

Em 1917, o Sport Recife repetiu a dose e novamente ganhou o campeonato, sendo bicampeão. Desta feita, o Sport Recife trouxe do Botafogo carioca, o atacante profissional Ciro Werneck, que o clube rubro-negro já o havia inscrito junto a Liga Pernambucana de Desportos (atual F.P.F) dois meses antes da final, conforme exigia o regulamento.

Em 1918, O Sport Recife tentou contratar jogadores no sul do país para disputar às finais contra o América-PE, como não conseguiu, enfrentou uma maratona incrível para que chegasse em tempo hábil, o jogador uruguaio Pedro Mazullo, que veio de Montevidéu. Por outro lado, o América foi mais esperto, e trouxe de São Paulo, três jogadores: Bermudes, Alex e Peres, e foi campeão pernambucano de futebol pela primeira vez.

Luiz Zago, deu início ao futebol profissional em Pernambuco, quando firmou o primeiro contrato de um jogador de futebol registrado na Federação Pernambucana de Desportos (Atual F.P.F), contratado pelo Central Sport Club, de Caruaru-PE.

Saiba um pouco da história deste grande jogador, que chegou para revolucionar o futebol pernambucano:

Luiz Zago (centro), quando jogava no Sírio-SP em 1934. Foto: Correio de São Paulo.

Luiz Zago, nasceu em 1914, na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo. Jogava de lateral-direito, quarto-zagueiro e meia. Descendente de italianos, desejava jogar no futebol italiano, algo que nunca aconteceu. Tinha 1,79 de altura, calçava chuteiras 41. Quando veio jogar no Central, pesava 75 quilos. Começou sua carreira futebolística no juvenil da Portuguesa de Desportos-SP em 1933. Em 1934, Luiz Zago disputou o Campeonato Paulista pelo Esporte Clube Sírio, como quarto-zagueiro, ao lado de Turillo e Russinho. O Sírio foi o pior time do campeonato com doze derrotas, sendo oito goleadas sofridas e uma vitória diante do fraco E. C. Paulista. Neste mesmo campeonato, em 24 de junho, o Sírio vencia o São Paulo por 2 a 0, mas o clube do Morumbi reagiu e virou o jogo para 3 a 2. Luiz Zago e o são-paulino Zarzur entraram em luta corporal dentro de campo, sendo expulsos pelo árbitro. Luiz Zago, recebeu uma punição de dois jogos de suspensão e uma multa de 50 mil réis.

Em 1935, Luiz Zago passou por um período de teste no Comercial de Ribeirão Preto, ficando no clube até ser negociado ao Atlético Mineiro.

Em 31 de janeiro de 1936, o jornal Correio de São Paulo, anunciou que o Atlético Mineiro havia contratado o quarto-zagueiro, Luiz Zago, para um período de testes, onde veio a ser aprovado e formado a linha de zaga com Alcindo e Bala. O Atlético Mineiro foi campeão mineiro deste ano, com 5 vitórias e uma derrota, num campeonato bastante tumultuado, onde durante as disputas, três clubes: Palestra Itália, América e Vila Nova, por divergências com a então, Associação Mineira de Futebol, abandonaram o campeonato e perderam todos os pontos conquistados. Mesmo conquistando o título, Luiz Zago foi negociado com o Central Sport Club-PE.

Luiz Zago no Central de Caruaru em 1937. Ele é o último jogador, perto do dirigente de terno branco.

Em 11 de junho de 1937, desembarcava do navio Itaquicé, no porto do Recife, o lateral-direito e quarto-zagueiro, Luiz Zago, contratado pelo Central Sport Club, e registrado na Federação Pernambucana de Desportos, sendo o primeiro atleta a assinar um contrato salarial com um clube como jogador profissional, dando início ao futebol profissional em Pernambuco.

Após o término do Campeonato Mineiro de 1936, onde o Atlético Mineiro sagrou-se campeão, Luiz Zago, recebeu uma carta de seu amigo, o jogador paulista, Agostinho Serrano, que jogava pelo Great Western-PE, e ficou sabendo que o Central de Caruaru estava formando uma equipe para disputar pela primeira vez o certame pernambucano e estava precisando de um jogador que exercesse também, a função de técnico. Então, procurou a diretoria da patativa e informou que, Luiz Zago havia sido campeão mineiro pelo galo e que estava à disposição do clube. A diretoria do Central de Caruaru, resolveu contratá-lo. No dia 11 de junho de 1937, Luiz Zago, desembarcava no porto do Recife, e foi recebido pelo presidente do Central José Victor de Albuquerque e pelo diretor de futebol, Walfrido Pereira.

Luiz Zago, recebeu dois contos de luvas e um salário mensal de 600 mil réis, durante seis meses. Ele foi inscrito na Federação Pernambucana de Desportos em 27 de junho de 1937. O Central de Caruaru nesta temporada não fez um bom campeonato, ficou na 5ª colocação, com 13 pontos em 15 jogos: 6 vitórias, 1 empate e 8 derrotas, marcou 44 gols e sofreu 37 gols.  Segundo Luiz Zago, o Central teve um bom desempenho, mas foi prejudicado pela arbitragem, principalmente nos jogos envolvendo Sport Recife, Santa Cruz e Náutico.

Em 20 de janeiro de 1938, o Sport Club do Recife contratou, Luiz Zago. No dia 3 de abril, ele estreou pelo Campeonato Pernambucano na vitória do Sport Recife sobre o Great Western, por 4 a 2. Luiz Zago foi seis vezes campeão pelo Sport Club do Recife: 1938,1941 (invicto), 1942, 1943,1948 e 1949. Entre setembro de 1942 e maio de 1943, Luiz Zago jogou pelo Vasco da Gama. Em janeiro de 1944, retornou ao Vasco, mas em abril, já estava jogando pelo Sport Recife novamente. Permaneceu no clube durante 12 anos. No dia 8 de maio de 1949, jogou seu último jogo, na vitória do Sport Recife contra o Flamengo-PE por 7 a 1.

Time do Sport Recife de 1942 que encantou o sudeste e o sul do país.

Luiz Zago, contou uma história que aconteceu após o jogo Vasco da Gama 4 x 5 Sport Recife, no campo do América (RJ), no dia 1º de março de 1942. Durante a grandiosa excursão rubro-negra ao sudeste e sul do país. Ele contou: “Vencemos o Vasco por 5 a 4, no campo do América, porque São Januário estava em obras. Mas a nossa concentração era no próprio estádio do clube da Cruz de Malta. Ficamos esperando que chegassem os dirigentes com o dinheiro da renda para irmos jantar. As horas foram passando e nada deles aparecerem. A fome aumentando e com todo mundo liso, encontrei a solução. Procurei Florindo, zagueiro do Vasco, que tinha jogado comigo no Atlético Mineiro, e como sabia que ele tinha o mesmo tamanho do meu pé vendi-lhe um sapato por 25 mil réis. Com esse dinheiro saímos em busca de uma barraca, onde compramos palmas de banana e dezenas de laranjas. Quando o diretor do Sport apareceu, quase às 11 horas, estávamos com a barriga cheia e dormindo. No outro dia, a imprensa brasileira estava glorificando os heróis do clube da Ilha do Retiro, sem imaginar o drama vivido por nós no Rio de Janeiro”. (Entrevista concedida em 1972).

Em 9 de setembro de 1945, Luiz Zago, após um amistoso contra o Íbis, retornava para sua casa, no Pina, dirigindo um veículo de um amigo, quando perdeu o controle da direção e veio a colidir contra o balaústre da ponte do Pina, sofrendo um profundo corte na cabeça. Luiz Zago, só voltou a jogar, no segundo turno do Campeonato Pernambucano.

Em 20 de janeiro de 1948, na Ilha do Retiro. A torcida do Sport Recife fez uma grande homenagem a Luiz Zago pelos 10 anos vestindo a camisa rubro-negra.

Em 25 de maio de 1949, Luiz Zago, deixou a direção técnica do Sport Recife.

Na época de Luiz Zago, ainda não existia as competições nacionais de clubes. Desde 1923, vinha sendo disputado o Campeonato Nacional de Seleções Estaduais. O bom desempenho de Luiz Zago no Sport Recife, fez com que ele integrasse a Seleção Pernambucana de 1938 até 1950, a maior parte atuou como quarto-zagueiro, nos dois primeiros anos, como lateral-direito. A partir de 1947, atuou como assistente técnico.

Luiz Zago em 1942. Ele foi jogador, técnico e árbitro de futebol. jogou durante treze anos no futebol pernambucano e foi seis vezes campeão pernambucano pelo Sport Recife. Foto: Diário da Manhã.

Em dezembro de 1950, Luiz Zago, torna-se árbitro da Federação Pernambucana de Futebol.  Zago disse que não foi difícil assumir a condição de árbitro de futebol, pois antes de deixar de ser jogador, sempre conversava muito com os principais árbitros do Estado: Sherlock, Leon Markman, Batista da Conceição Galindo e José Mariano Carneiro Pessoa, conhecido como Palmeira. Luiz Zago adiantou que, ser árbitro foi a profissão mais ingrata que ele exerceu. Foram apenas seis anos, sendo os últimos dois anos pela Federação Baiana.

O motivo de ter deixado de apitar em Pernambuco, foi a incompreensão dos dirigentes de futebol, que culpa o juiz pelo fracasso em campo de seu time, foi o que aconteceu com o Náutico. O clube dos Aflitos vetou seu nome para integrar um trio que dirigiria um clássico contra o Santa Cruz, decidindo o segundo turno do certame de 1953. Com o veto do Náutico ao seu nome, Zago resolveu deixar o futebol pernambucano indo para a Bahia, onde encerrou também sua carreira de apitador.

Como todo árbitro, Luiz Zago, também teve seus momentos difíceis na direção de uma partida. E isso aconteceu em Salvador, quando dirigiu um clássico Bahia e Vitória, na Fonte Nova, isto devido à grande rivalidade entre os dois clubes baianos. 

- Foi a partida mais difícil que apitei em toda minha carreira, porque foi muito catimbada e seu final terminou com um grosso sururu entre os jogadores de ambos os times. Resolvi deixar o apito em 1956, para não fazer mais inimigos, porque como árbitro não tem quem não faça inimizades porque cada torcedor quer a vitória de seu clube e os próprios dirigentes, quando seu clube não tem condições, lançam toda culpa no juiz. É realmente uma profissão ingrata. Concluiu.

Desde que veio para o Central em 1937, Luiz Zago, sempre acumulava as funções de jogador e técnico. E até mesmo como assistente técnico no Sport e na Seleção Pernambucana. Depois dos seis anos na arbitragem, Luiz Zago seguiu sua carreira de técnico, mas nunca deixou de apitar jogos. Há vários registros entre 1958 e 1961, onde Luiz Zago foi convidado para apitar em Pernambuco, Paraíba, Ceará, Pará, além de ser convidado pelo Sport Club do Recife para apitar seus jogos na excursão feita em Paramaribo, no Suriname, em março de 1961.

Como técnico de futebol, Luiz Zago teve sua grande oportunidade no Paysandu, onde permaneceu por vários anos e foi campeão estadual em 1959 e 1965. Dirigiu também, o Fast Clube e o Rio Negro de Manaus e o CRB de Alagoas.

Em 1972, o técnico Luiz Zago foi dirigir o Portimonense. Foto: Diário de Pernambuco.

Em fevereiro de 1972, viajou para a cidade de Portimão, no Algave, província de Portugal, para dirigir o Portimonense que estava na 2ª divisão.

Em 24 de novembro de 1980, o Diário de Pernambuco publicou uma matéria que chocou o público esportivo pernambucano, onde informava que Luiz Zago estava ficando cego e estava passando por dificuldades financeira e precisando de apoio de todos: jogadores, dirigentes e torcida. Luiz Zago, declarou que, quando deixou o mundo da bola, trabalhou como gerente do famoso “Bar Mustang”, que existe até hoje na Conde da Boa Vista. Mas começou a ter problema na visão que o obrigou a deixar o trabalho. O atestado médico feito no Hospital da Polícia Militar de Pernambuco por solicitação dos médicos: Pedro Lira e Fernando Ventura indicava que Luiz Zago, apresentava baixa visão em ambos os olhos, devido a processo retiniano degenerativo central, irreversível.

Após a publicação da matéria, o ex-goleiro Manuelzinho, que jogou com Zago no Sport, foi o primeiro a se mobilizar para ajudar seu velho amigo. A Torcida Organizada Bafo do Leão, também se mobilizou em campanhas para conseguir recursos para ajudar seu grande ídolo do passado.

À época, Luiz Zago residia no Ibura de Baixo e recebia uma modesta aposentadoria do INPS. Estava viúvo pela segunda vez e morava com sua filha solteira. Tinha mais dois filhos casados. Um deles, Luiz Zago Filho, atacante, jogou no América-PE em 1964, depois jogou no Paysandu.

Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA NORTE

Fonte: Diário de Pernambuco, Diário da Manhã/CEPE, O Jornal (RJ), Jornal Pequeno, Correio de São Paulo, Gazeta Popular, Biblioteca Nacional (RJ).


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Baiano, o super artilheiro de Pernambuco

Baiano (Náutico)

Valmecyr  José  Margon, o Baiano, nasceu em 14 de maio de 1953, no município de Colatina-ES. Era meio-campista e começou sua carreira profissional no Rio Branco-ES em 1973 e permaneceu lá até 1978. Mas tarde, em 1987, voltaria a vestir novamente a camisa do clube que o projetou para o futebol. Baiano foi três vezes campeão capixaba (1973, 75 e 78), sendo co-artilheiro em 1973, juntamente com seu companheiro de equipe, Rogério, com 7 gols, e em 1978 foi artilheiro com 10 gols. Em 1973, após ser campeão estadual pelo Rio Branco-ES, Baiano foi emprestado no segundo semestre a Desportiva Ferroviária para disputar o Campeonato Brasileiro da Série A, que contou com a participação de 40 clubes. A Desportiva Ferroviária terminou o campeonato na 27ª colocação. Baiano estreou em Campeonato Brasileiro em 25 de agosto de 1973 contra o Sergipe. Marcou apenas um gol, justamente contra o Náutico, em 5 de dezembro de 1973, na vitória por 2 a 0, no Engenheiro Araripe. Vestindo a camisa do Rio Branco, Baiano marcou 53 gols.     
Em 1980, o Santa Cruz  começou reformular sua equipe de futebol, pois no final da década anterior,  já havia perdido seus principais jogadores e principalmente para seu maior rival, o Sport Recife. Jogadores que deram muitas alegrias para a torcida coral como: Edson, Wilson Carrasco, Betinho, Joãozinho e Givanildo, agora estavam na Ilha do Retiro. Outros ídolos como: Luís Fumanchu e Nunes (o cabelo de fogo) já haviam se debandados para o Fluminense.
Baiano chegou ao Santa Cruz em 1980, e no ano seguinte já foi artilheiro do Campeonato Pernambucano com 38 gols, quebrando um tabu de 22 anos. Foto: Revista Campeão.

Entre os novos contratados do Santa Cruz, chegava um jovem meio-campista capixaba desconhecido dos grandes centros futebolísticos que respondia pelo apelido de Baiano. No Campeonato Pernambucano de 1980, Baiano disse pra que veio, já disputou a temporada pau-a-pau pela artilharia, com veteranos como Sena (Santa Cruz), companheiro de equipe, que acabou sendo o artilheiro com 23 gols, e o velho Dadá Maravilha (Náutico) que foi o vice-artilheiro com 22 gols, e Baiano dividiu a 3ª posição com Reinaldo (Náutico) marcando 15 gols. Baiano já começava a despontar como um dos grandes artilheiros do futebol pernambucano. Entretanto, o Santa Cruz ficou com o vice-campeonato.

No Campeonato Pernambucano de 1981, Baiano ainda vestindo a camisa do tricolor do Arruda, que não fez uma boa campanha e acabou em terceiro,  quebrou um tabu que já durava 22 anos. A de maior artilheiro em uma única temporada. Ele fez 38 gols no campeonato, superando a marca de 36 gols de Pacoti (Sport Recife) que foi artilheiro do campeonato de 1958. Baiano superou os artilheiros: Roberto Coração de Leão (Sport) 29 gols; Ivan (Santa) 19 gols; Denô (Sport) 15 gols; Rivaldo (América-PE) 12 gols e Reinaldo (Náutico) 11 gols. No final da temporada de 1981, Baiano recebeu a Chuteira de Bronze promovida pela ADIDAS e Revista Placar, como o terceiro maior artilheiro do Brasil com 43 gols. A Chuteira de Ouro ficou com Jorge Mendonça (Guarani-SP), com 49 gols e a Chuteira de Prata foi para Roberto Dinamite (Vasco) com 44 gols. Em sua passagem pelo Santa Cruz, Baiano marcou 62 gols.
Baiano no Fluminense, sendo homenageado pelos conterrâneos no Engenheiro Araripe-ES. Foto: Arquivo Pessoal de Baiano.

Em janeiro de 1982, o Santa Cruz negocia Baiano com o Fluminense-RJ por CR$ 15 milhões de cruzeiros para disputar a Taça de Ouro (nome do Campeonato Brasileiro). O Fluminense vendeu vários jogadores e enfraqueceu a equipe. Baiano não foi bem e passou boa parte do campeonato como reserva. Passou apenas cinco meses no tricolor carioca, participou de 15 partidas e marcou apenas 5 gols.

Ainda em 1982, Baiano deixa o Fluminense e volta para Pernambuco, agora no Náutico, para se consagrar como um dos maiores goleadores da história do futebol pernambucano. No campeonato estadual deste ano, Baiano bate seu próprio recorde fazendo 40 gols e no final da temporada somou  43 gols, sendo o maior artilheiro do país e ganhando a primeira  Chuteira de Ouro da Adidas. Zico (Flamengo) ficou com a de prata e Casagrande (Corinthians) com a de bronze. Apesar  do sucesso de Baiano, não foi desta feita que ele foi campeão pernambucano. O Sport Recife tornara tricampeão.
Baiano no Náutico, exibindo sua segunda Chuteira de Ouro como o maior artilheiro do Brasil em 1983. Foto: Revista Campeão.

Em 1983, Baiano chega a disputar a final do Campeonato Pernambucano contra o Santa Cruz. Depois do empate no tempo normal, o Santa Cruz vence nos pênaltis e torna-se campeão, para frustração de Baiano, que foi pela terceira vez consecutiva, artilheiro do Campeonato Pernambucano com 40 gols, igualando seu próprio recorde. Baiano foi também, o grande goleador do alvirrubro dos Aflitos na Taça de Ouro (Brasileirão) com 12 gols. Com seus 52 gols na temporada, Baiano conquistou sua segunda Chuteira de Ouro da ADIDAS, sendo o maior artilheiro do país.  

Em 1984, talvez o esquema de jogo do Náutico, implantado pelo técnico Ênio Andrade, não tenha favorecido a Baiano em busca do gol, pois ele marcou apenas 24 gols no Campeonato Pernambucano e mais 2 gols em amistosos contra o Grêmio Petribu e Seleção de Surubim. O artilheiro do campeonato foi Luís Carlos, do Sport Recife, que igualou a sua marca, com 40 gols. Mas, Baiano desta feita, conquistou seu primeiro título pernambucano numa final contra o Santa Cruz. No Brasileirão, Baiano novamente foi o artilheiro do time, desta vez, com 9 gols. Terminando a temporada com 35 gols. Neste ano, o Clube Náutico Capibaribe fez sua melhor campanha em campeonatos brasileiros da Série-A, terminando em 6º lugar. Além de Baiano, a equipe contava com excelentes jogadores como: Mazaropi, Manguinha, Alfredo Santos, Rogério, Heider, Lourival, Denô e Ademir Lobo.
                                                                                                                      
Já em 1985, a média de gols do artilheiro Baiano caiu bastante, foram apenas 22 gols em toda temporada: 12 gols no Pernambucano, 7 gols no Brasileirão da Série A e 3 gols em amistosos. Baiano fez poucos gols, mas conquistou o bicampeonato estadual para alvirrubro, novamente contra o Santa Cruz na final.

1986, Baiano  demonstrava a cada ano que já não tinha o mesmo faro de gol do início da década. Em toda temporada foram minguados 19 gols: 13 gols no estadual, 3 gols em amistosos e 3 gols no Brasileirão da série-A. O Náutico fez uma péssima temporada, foi o 4º colocado no Campeonato Pernambucano, atrás do Central de Caruaru e 30º colocado no Brasileirão da série-A.
Baiano vestindo a camisa do Rio Branco-ES em 1987. Foto: Tablóide/Recife.

1987, Se a média de gols de Baiano no ano anterior, foi bem abaixo do esperado deste grande goleador. Neste ano,  ainda foi mais decepcionante. Baiano fez apenas 15 gols em toda temporada: 10 gols no Pernambucano, 3 gols em amistosos e apenas 2 gols no Brasileirão (Módulo Amarelo) onde Baiano disputou pelo Rio Branco-ES (seu primeiro clube, como profissional). O Náutico acabou em 3º no Campeonato Pernambucano e o Rio Branco-ES ficou em 10º a frente do Náutico que acabou em 13º. De 1982 a 1987, tempo em  que Baiano jogou pelo Náutico, ele marcou 183 gols.
Em 1988, depois de um bom campeonato estadual pelo Central de Caruaru, o Sport Recife contratou Baiano para a Copa União (Brasileirão/88). Onde o Sport Recife fez uma excelente campanha. Foto: Revista Placar.

Em 1988, Baiano se transferiu do Rio Branco-ES para o Central de Caruaru, onde no primeiro semestre disputou o Campeonato Pernambucano e teve um bom desempenho, onde marcou 12 gols, alguns contra os três grandes de Pernambuco. O Central fez uma boa campanha e terminou na 4ª colocação. O primeiro gol de Baiano com a camisa do Central aconteceu em 28 de fevereiro quando o Central perdeu para o Náutico por 3 a 2. O bom desempenho de Baiano no Central, despertou o interesse do Sport Recife que logo o contratou para disputar a Copa União (Brasileirão). O Sport Recife de Robertinho, Ribamar e Baiano, fez uma excelente campanha, terminando na 7ª colocação na classificação geral. No entanto, Baiano marcou apenas um gol, contra o maior rival do rubro-negro, o Santa Cruz. O placar foi 1 a 0, em 4 de setembro, que marcou o fim de sua carreira como jogador profissional. Baiano é até hoje, o maior artilheiro em Campeonatos Pernambucano com 202 gols. Marcou 318 gols na carreira.

Depois que Baiano deixou o futebol, ele  e o ex-goleiro Joel Mendes tornaram-se sócios em uma panificadora em Curitiba. O negócio não foi adiante. Baiano atualmente, é proprietário de uma vidraçaria em Vila Velha-ES.

GALERIA DE FOTOS DE BAIANO:

Charge do cartunista Humberto de 1981, de Baiano no Santa Cruz, na corrida da artilharia do Campeonato Pernambucano. Gravura: Diário de Pernambuco.

Baiano (Náutico) em 1982, ao lado do garoto Casagrande (Corinthians) de 19 anos, recebendo sua primeira chuteira de ouro, como o maior artilheiro do Brasil, nos Aflitos.


Baiano, jogando pelo Fluminense. Esta foto é do dia 24/1/1982, onde o Sport Recife, venceu o Flu por 2 a 1, no Maracanã.
14/7/1987, Baiano defendendo a Seleção Pernambucana lá na Paraíba. Em pé: Chiquinho, Ivan, Zé do Carmo, Heraldo, Betão e Leão. (agachados): Robertinho, Baiano, Mirandinha, Ademir Lôbo e Gilson Gênio. Foto: Diário de Pernambuco.
Baiano atualmente (2011) após uma pelada em Vila Velha-ES. Foto: Arquivo pessoal de Baiano.
Baiano e família em 2011. Foto: Arquivo pessoal de Baiano.

Por: Jânio Odon
Fonte: Revista Placar, Diário de Pernambuco, Revista Campeão e Futebol80.com.br











sábado, 17 de novembro de 2012

Givanildo, o recordista de títulos de Pernambuco

Givanildo o maior ídolo do Santa Cruz de todos os tempos e recordista de títulos em Pernambuco. Foto: Revista Placar.


Givanildo José de Oliveira, nasceu em 8 de agosto de 1948, no bairro de Vila Popular, em Olinda-PE. Givanildo que era apelidado de Topo Gigio (ratinho italiano que fez grande sucesso na TV brasileira na década de 1970), foi um extraordinário jogador, volante rápido, marcador ferrenho, detentor de passes precisos e de grande movimentação em campo. É até hoje, o maior ganhador de títulos do futebol pernambucano.  Descoberto pelo publicitário Paulo Duarte, que o viu jogar pelos times de várzea, do  Portela (Jaboatão dos Guararapes-PE) e pelo 10 de Novembro (Olinda-PE). Givanildo que era ponta-esquerda e com a idade estourada para jogar na equipe juvenil, quando foi apresentado em maio de 1968, quase foi emprestado ao Confiança de Sergipe. Por sorte do Santa Cruz e intervenção do Técnico Gradim, ele ficou. Sua grande chance aconteceu em 31 de março de 1969, num amistoso contra o Bahia, vários titulares estavam no departamento médico lesionados, resolveram então, escalar Givanildo de ponta-esquerda, apesar de sua baixa estatura, 1,62m, encarnou a raça tricolor. Fez o primeiro gol dos cinco marcados do jogo, onde o Santa Cruz venceu por 5 a 2, na Ilha do Retiro, e assegurou sua vaga na equipe coral. No mesmo ano, com muita categoria, raça e valentia, Givanildo logo tornou-se titular e capitão da equipe. Mas só assumiu a posição de volante em 1971, lançado pelo técnico Duque.

A partir de 1969, e toda década de 70, o Santa Cruz viveu a melhor fase de sua história e Givanildo foi o grande maestro da equipe nesta época. Logo, foi penta campeão (1969 a 1973), realizando na campanha, 113 partidas, 89 vitórias, 17 empates e apenas 7 derrotas, além de ter marcados 11 gols. Em 1975, o Givanildo perdeu para o Sport Recife o título estadual, mas fez a melhor campanha em Campeonatos Brasileiros de sua história, chegando às semifinais, após o Santa Cruz vencer por 3 a 1, no Maracanã, o Flamengo de Zico. Juntando-se a: Internacional-RS, Cruzeiro e Fluminense. O Santa Cruz perdeu para o Cruzeiro por 3 a 2, no Arruda. Givanildo por pouco, não ganhou a Bola de Prata/75 da Revista Placar, ficando em segundo, atrás de Falcão, do Internacional-RS.  Em 1976, viveu o apogeu, ganhou o título estadual pelo tricolor pernambucano, foi convocado em janeiro, pelo técnico Oswaldo Brandão para servir a Seleção Brasileira no Torneio Bicentenário dos Estados Unidos, onde barrou Falcão do Internacional-RS e foi campeão do Torneio. Vestindo a camisa do Santa Cruz, Givanildo defendeu a Seleção Brasileira cinco vezes:

28/5/76- Estados Unidos 0 x 2 Brasil – Local: EUA
31/5/76- Itália 1 x 4 Brasil – Local: EUA
2/6/76- Universidade do México 3 x 4 Brasil – Local: EUA
4/6/76- México 0 x 3 Brasil – Local: México
9/6/76- Brasil 3 x 1 Paraguai – Local: Maracanã-RJ

Em agosto de 1976, Givanildo foi vendido ao Corinthians por 2 milhões de cruzeiros. Tornou-se logo o titular da equipe. Participou do histórico jogo do Campeonato Brasileiro contra o Fluminense, onde 70 mil corinthianos invadiram o Maracanã, depois do empate em 1 a 1, o timão ganhou nos pênaltis por 4 a 1, e disputou a final contra o Internacional-RS, dos pernambucanos Manga e Lula. O Corinthians perdeu por 2 a 0 no Beira Rio e ficou com o vice-campeonato. Já em 1977, Givanildo foi campeão do Campeonato Paulista juntamente com outro ídolo do Santa Cruz e Sport Recife, Luciano Veloso, lá chamado de Luciano Coalhada. O Corinthians chegou ao título após 22 anos de jejum, Givanildo participou de 24 partidas das 48 realizadas. Givanildo foi convocado para jogar pela Seleção Brasileira vestindo a camisa do Corinthians oito vezes.

Depois de momentos gloriosos no Corinthians (disputou a Libertadores) e Seleção Brasileira, o segundo semestre de 1977, não foi nada bom para Givanildo, taxado de medíocre e burocrata pela torcida e a crítica esportiva paulistana, além de ser cortado da relação dos 22 convocados para Seleção Brasileira. Givanildo desmotivado, resolve voltar para o Recife. Em 4 de agosto de 1977, desembarca no Aeroporto dos Guararapes para vestir novamente a camisa do Santa Cruz, ganhando 30 mil cruzeiros mensais pelo período de dois anos, para alegria da nação tricolor. Em 7 de agosto de 1977, Givanildo reestréia  no tricolor do Arruda contra o América-PE, na vitória de 4 a 0. Neste ano, o Santa Cruz não fez uma boa campanha e a final acabou sendo entre Sport Recife e Náutico, no famoso jogo do Arrudão  que teve três prorrogações e 150 minutos, onde o Sport acabou sendo o campeão.

Em 1978 e 1979, Givanildo torna-se bicampeão pernambucano, ganhando seu oitavo título com a camisa coral. Realizou seu último jogo no Santa Cruz, em 16 de setembro de 1979, na derrota por 1 a 0, para o Náutico no Arrudão, onde Givanildo levou um cartão amarelo.
Givanildo tricampeão pelo Sport Recife, 1980/81/82. Foto: Revista Placar

Em 1980, Givanildo é negociado com o Fluminense-RJ e disputa o Campeonato Brasileiro. Em agosto, Givanildo vem ao Recife para o sepultamento de sua mãe, depois é contactado pela diretoria do Santa Cruz para voltar ao Arruda, mais nada ficou acertado. Ao retornar ao Rio de Janeiro, encontra-se com o presidente do Sport Recife, José Tavares de Moura que ofereceu 3 milhões de cruzeiros ao Fluminense e trouxe Givanildo ao leão da Ilha. Aquele que já havia feito tanto estrago ao time da Praça da Bandeira, deixou muitos torcedores desconfiados, a ponto de Givanildo chegar a afirmar a Revista Placar que quando era garoto torcia pelo Sport. A verdade é que Givanildo chegou e estreou na equipe rubro-negra só no segundo turno do Campeonato Pernambucano, em 17 de agosto de 1980, lá em Serra Talhada, contra o Comercial, quando venceu por 2 a 0. Com Givanildo o Sport Recife foi tricampeão estadual 1980/81/82. Foi com Givanildo e com o tricampeonato que o Sport Recife se reestruturou-se e recuperou a hegemonia do futebol pernambucano adormecida por 20 anos, sendo a agremiação melhor estruturada na atualidade..
19/5/1978-Givanildo(Seleção Pernambucana) duela com Oscar(Seleção Brasileira) em jogo que terminou 0 a 0, no Arruda. Ao fundo, Campos do Náutico e Biro-Biro do Sport Recife. Foto: Revista Placar.

Em 1983, Givanildo começou uma vitoriosa carreira de técnico de futebol profissional, adotando o nome de Givanildo Oliveira. Em Pernambuco, como técnico ele conquistou mais cinco títulos de campeão pernambucano: pelo Sport Recife (1991/92; 94 e 2010) e pelo Santa Cruz em 2005. Como jogador e técnico Givanildo Oliveira arrebatou em Pernambuco, nada menos do que 16 títulos. Sendo a personalidade, recordista e mais vitoriosa do futebol pernambucano.

Givanildo também é conhecido no meio esportivo como o “Rei do Acesso” por classificar para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro: o América-MG(1997 e 2015), Paysandu(2001), Santa Cruz(2005) e Sport Recife(2006). Em 2009, Givanildo Oliveira foi campeão brasileiro da série C, pelo América-MG. Em 2002, foi campeão com o Paysandu da Copa dos Campeões, que credenciou o papão da Curuzu a disputar a Libertadores da América, a primeira de uma equipe do Norte do país. Fora Pernambuco, Givanildo Oliveira também foi campeão estadual em outros Estados: Paysandu-PA(1987,1992,2000,2001,2002); Remo-PA(1993 e 1994); CSA-AL(1990); Vitória-BA(2007). Givanildo Oliveira já treinou mais de 20 clubes pelo Brasil.
Givanildo ergue a primeira  taça em 1968, era o início do penta tricolor do Arruda. Foto: Diário de Pernambuco.
4/12/1975- O Santa Cruz de Givanildo conquista uma das maiores façanhas de sua história, vence o Flamengo de Zico, no Maracanã por 3 a 1 e toma a vaga do clube da Gávea nas semifinais do Brasileirão. Foto: Revista Placar
Givanildo foi convocado para servir a Seleção Brasileira pela primeira vez por Oswaldo Brandão em 1976, quando jogava no Santa Cruz, sendo campeão do Torneio Bicentenário dos Estados Unidos. Realizou 5 jogos. Foto: Revista Placar.
Givanildo chegou ao Corinthians em agosto de 1976, foi vice-campeão brasileiro/76 e em 1977, ganhou o Campeonato Paulista, após 22 anos de jejum, disputou a Libertadores da América e foi convocado por Cláudio Coutinho para jogar 8 partidas pela Seleção Brasileira. Foto: Revista Placar.
Givanildo no time do Corinthians que foi vice-campeão brasileiro, perdendo a final para o Internacional por 2 a 0. Foto: Revista Placar.
1/12/1976- Seleção vence a URSS por 2 a 0, no Maracanã. (E/D) Carlos Alberto Torres, Leão, Amaral, Beto Fuscão, Givanildo, Marco Antônio, (agachados): Massagista Nocaute Jackson, Gil, Zico, Roberto, Rivelino e Nei. Foto: Revista Placar.
Corinthians 1 x 1 Internacional em 1977, pela Libertadores, a esquerda Falcão e Givanildo. Foto: Revista Placar.
Em 1980, Givanildo defendeu o Fluminense no Brasileirão depois foi para o Sport Reclfe em agosto. Foto: Revista Placar.
O Técnico Givanildo Oliveira, "O Rei do Acesso"

Por: Jânio Odon
Fonte: Revista Placar, Diário de Pernambuco, Blogdosantinha, Duelosdecraques.blogspot e Tardesdepacaembu.wordpress e Arquivo Pessoal.




quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Em Pernambuco, Betinho, foi o Campeão de todas as torcidas

Betinho do Sport Recife em 1981, com as camisas de seus ex- clubes.
O capixaba Roberto Fontana Madeira, o Betinho, nascido em 9 de julho de 1947, veio para o futebol pernambucano em 13 de abril de 1971, egresso do Botafogo do Rio de Janeiro para o Santa Cruz, já sendo campeão na campanha do tricampeonato. Em 1972, o tricolor do Arruda conquista o tetracampeonato com Betinho na equipe. Ainda este ano, fez o gol na reinauguração do Estádio José do Rego Maciel (Arrudão) na vitória por 1 a 0, contra a Seleção Brasileira de Novos.

Em agosto de 1973, foi contratado pelo Náutico que desejava a qualquer custo evitar o hexa do Santa Cruz que igualaria ao seu feito, onde detém  até hoje. Betinho que era ídolo no Santa Cruz, diz que foi boicotado no Náutico por Jorge Mendonça (que depois brilhou no Palmeiras), Vasconcelos e Cincunegui ( que fez sucesso no Atlético Mineiro e sudeste). Betinho não se firmou no Náutico, mas foi campeão em 1974, evitando o hexa tricolor. Betinho ficou no Náutico até 12 de fevereiro de 1976.
Betinho do Náutico, campeão em 1974


Em 13 de fevereiro de 1976, insatisfeito na equipe timbu, retornou a equipe coral que o contratou pela importância de cem mil cruzeiros. O Santa Cruz não se arrependeu, pois Betinho foi um arraso no campeonato, conquistando o título do Campeonato Pernambucano de 1976, sendo um dois principais jogadores do time juntamente com Givanildo Oliveira e o artilheiro Nunes. Betinho permaneceu no Santa Cruz de 1976 a 1980. Em 1978/79 foi bicampeão pernambucano. Em 25 de outubro de 1978, ganhou uma placar no Estádio do Arruda por fazer um “gol de placa”, em jogo contra o Ferroviário do Recife, pelo Estadual. O goleiro do ferroviário chutou a bola para o meio de campo, Betinho matou a bola com o pé direito e chutou com o esquerdo fazendo um belo gol.


Em 1981, Betinho foi contratado pelo Sport Recife, sendo campeão pernambucano. Em 1982, o Sport Recife seguia em buscar do tricampeonato ( que mais tarde conquistou) e Betinho era o artilheiro do campeonato com 12 gols, quando foi vendido ao Ferroviário de Fortaleza por CR$ 3 milhões de cruzeiros. No Ferroviário, Betinho fez um grande campeonato cearense, desbancando o Ceará e ficando com o vice-campeonato e uma vaga na Taça de Ouro (Brasileirão- série A), a outra vaga ficou com o Fortaleza que foi o campeão.
Betinho do Santa Cruz (1978) cinco vezes campeão


Betinho, foi um dos grandes jogadores que passaram pelo futebol pernambucano. É o único jogador que ganhou título pelos três grandes de Pernambuco. É um dos maiores goleadores da história do futebol pernambucano com 106 gols: 90 gols vestindo a camisa do Santa Cruz; 12 gols pelo Sport Recife e 4 gols pelo Náutico. Apesar de todos esses gols, nunca foi artilheiro em Campeonatos Pernambucano.

Por: Jânio Odon de Alencar
Fonte: Diário de Pernambuco e Revista Placar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dario Peito de Aço, o super artilheiro do Sport Recife


Em 1975, o Sport Clube do Recife estava há 12 anos na fila sem ser campeão pernambucano, só observando o Náutico e o Santa Cruz se revezarem com os troféus. Para conquistar um título e quebrar esse longo jejum, o Sport precisaria formar uma boa equipe e ter um atacante que resolvesse o problema da falta de gols no ataque, já que o último artilheiro do Sport no campeonato havia sido Duda, em 1971. O Sport contratou junto ao Flamengo do Rio, o atacante carioca Dario, o “Dadá Maravilha”. Desengonçado, sem muita técnica, mas um jogador de muita raça, velocidade, ótimo cabeceio e chutes certeiros. Além do mais, Dario era um goleador nato e também um jogador marqueteiro e muito engraçado. Ele costumava dizer: “ Dadá Maravilha é a alegria do povo”; “ Com Dadá em campo, não há placar em branco”; “ Só três coisas param no ar, helicóptero, beija-flor e Dadá Maravilha”.

 Ele quando chegou ao Sport Recife já tinha na bagagem: um título do campeonato mineiro pelo Atlético (1970), outro de campeão brasileiro de 1971, ainda pela equipe mineira; além de ter sido artilheiro do campeonato carioca de 1973, pelo Flamengo. Na convocação dos jogadores para Copa do Mundo do México em 1970, onde o Brasil sagrou-se tricampeão mundial. O técnico da Seleção, João Saldanha não relacionou Dario na lista dos 22 jogadores convocados, então, o Presidente da República, Emílio Garastazzu Médici convocou Dadá Maravilha. Irritado, João Saldanha não admitiu a intromissão do Presidente e renunciou ao cargo, assumindo Zagalo.

No Sport Recife, Dario correspondeu plenamente as expectativas dos torcedores, sendo campeão pernambucano e artilheiro do campeonato de 1975, com 32 gols. Já em 1976, Dario não conseguiu ser campeão estadual novamente, mas foi artilheiro do campeonato com 30 gols, numa disputa acirradíssima  com centroavante Volnei do Santa Cruz, que terminou  em segundo, com 21 gols. O curioso é que no dia 24 de março, Volnei havia feito sete gols na vitória do Santa Cruz sobre o Íbis por 11 x 0. Mas, no dia 7 de abril de 1976, Dario peito de aço, como era chamado pela torcida leonina realizou um dos maiores feitos que um atacante poderia conseguir. Fazer dez gols em uma única partida, isto ele fez contra o Santo Amaro na vitória do Sport Recife pelo placar de 14 x 0. A partir desta data nenhum outro jogador no Brasil conseguiu este feito novamente. Na história do futebol brasileiro, apenas dois jogadores haviam atingido esta marca: Mascote, do Sampaio Correia- MA na vitória por 20 x 0 sobre o Santos Dumont, pelo campeonato maranhense de 1934 e Caio Mário, do Centro Esportivo Alagoano (CSA) na vitória sobre o Esporte Clube Maceió, pelo campeonato alagoano de 1945. Outro jogador que supostamente marcou dez gols em uma partida, foi o atacante Tará do Clube Náutico Capibaribe, do Recife pelo campeonato pernambucano de 1945. Porém há controvérsias, muitos historiadores creditam apenas nove gols, onde há registros em jornais da época. Segundo o próprio Tará  que faleceu recentemente, revelou em 1998, ao jornalista esportivo de Pernambuco, Givanildo Alves (falecido em 2004) e que publicou o livro – História do futebol em Pernambuco, garantindo que fez dez gols na vitória do Náutico por 21 a 3 sobre Flamengo do Recife. O que pode ter acontecido é que o jornalista que estava fazendo a cobertura do jogo tenha se equivocado na contagem, diante da avalanche de gols e haver esquecido de contabilizar o décimo gol do injustiçado Tará, já que este jogo consta no Guiness Book como o de maior número de gols em uma única partida. A façanha de Mascote, Caio Mário e Dario só não é maior porque o polonês Stephan Stanis do Racing Club de Lens, da França, marcou 16 gols na equipe do Aubry- Asturies, em Lens, pela Copinha da França de 1942.

Ficha Técnica do jogo da façanha de Dario peito de aço.
Sport 14 x 0 Santo Amaro
Data: 7/Abr/1976
Local: Ilha do Retiro (Recife)
Renda: CR$ 34.527,00
Público: 2.921
Cartões amarelos: Luciano Veloso e Cláudio (sport); Odair, Hilton e Lula Barbosa.
Gols: Miltão aos 12 e Dario aos 25 e 27 do 1º tempo; Dario aos 4, o português Peres aos 9, Dario aos 11, 13,15,18(pênalti), 24 e 31, Miltão aos 33, Lino aos 35 e Dario novamente aos 44 minutos do 2º tempo.
O Sport formou com: Tião; Aranha, Silveira, Djalma e Cláudio; Luciano Veloso ( Assis paraense), Peres e Amilton Rocha; Miltão, Dario, Lima ( Lino).
O Santo Amaro foi goleado com: Odair; Hilton, Edílson e Ramos ( Lula Barbosa); Bicuda, Saguim e Sabará e Lula Queiroz; Ferreira, Oliveira e Eraldo ( Banana).    


Por: Jânio Odon de Alencar
Fonte: Blog do Marcão e Revista Placar, foto: J.B.Scalco

domingo, 10 de julho de 2011

Jorge Mendonça do Náutico, iguala recorde de Pelé

Jorge Mendonça /1974

No Campeonato Pernambucano de Futebol de 1974, tudo caminhava para Zé Carlos Olímpico do Santa Cruz ser o artilheiro do certame. Mas eis que, surge um garoto de apenas 20 anos, meia, desconhecido, vindo do Bangu, chamado de Jorge Mendonça contratado pelo Clube Náutico Capibaribe, que se tornaria co-artilheiro do campeonato e um dos melhores ponta-de-lança do futebol brasileiro. Além do mais, realizou uma façanha para poucos, fazer oito gols em uma única partida e igualar o recorde de Pelé, que em 1964 fez oito gols  no Botafogo de Ribeirão Preto. É sabido que existem outros artilheiros que fizeram nove, dez gols em uma única partida, mas isto é outra história. Fiquemos com a façanha do brilhante Jorge Mendonça.

Naquele domingo, 11 de agosto de 1974, aconteceu o jogo onde Jorge Mendonça realizou sua grande façanha e o jornalista Lenivaldo Aragão, da Revista Placar, descreveu no tabelão da revista a façanha do artilheiro da seguinte forma: “ Em matéria de marcação contra o juiz, no domingo, a torcida do Náutico bateu todos os recordes: viu seu time golear de 8 x 0 o pobre Santo Amaro do Recife; viu Jorge Mendonça fazer os oito gols, igualando assim o recorde de Pelé. Ficou satisfeita? Nem um pouco. Vaiou à vontade o juiz porque ele acertadamente, anulou dois gols de Jorge Mendonça. A história do jogo se resume  à luta de três  jogadores, dois deles vitoriosos: Jorge Mendonça e Juca Show; o outro derrotado, o goleiro Omar. Juca fez o diabo para alimentar a sede gols de Jorge Mendonça. Omar tentou o impossível e, sem erro, pode-se afirmar que o escore só não foi mais elevado por sua causa”.

Jorge Mendonça contra o Santo Amaro/ 1974
Foto: Armando Filho/ Placar


Ficha Técnica:
Náutico 8 x 0 Santo Amaro
Data:11/Ago/1974
Local: Aflitos
Árbitro: Hélio Ferreira
Renda: CR$ 22.638,00
Público pagante: 2.638
Gols: Jorge Mendonça aos 12,13, 20, 39 e 41 do primeiro tempo; 13, 16 e 40 do segundo tempo.
Náutico formou com: Neneca; Borges, Djalma Sales, Sidclei, Baiano (Franklin), Draílton, Juca Show, Dedeu, Betinho, Jorge Mendonça e Vasconcelos (Chico).
Santo Amaro formou com: Omar; Wilton, Beto, Zé Pedro, Edmilson, Aurino, Neco, Ferreira (Zezinho), Marcos, Dino e Zuzinha (Lula).

Por: Jânio Odon
Fonte: Arquivo Pessoal e Revista Placar.