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sábado, 6 de dezembro de 2014

Tramways, Campeão Pernambucano invicto em 1936


O timaço do Tramways, campeão invicto do Campeonato Pernambucano de 1936, do artilheiro Bermudes (3º) e do craque uruguaio Furlan (com a bola) e demais jogadores, goleiro Zé Miguel, Domingos, Moacir, Zezé, Paizinho, Alcides, Chinês, Quetreco e Olívio. Tinha ainda, o goleiro Rubinho, Faustino, Carreiro, Raul, Jorge e Sopinha. (A formação acima, não está de acordo com a foto). Foto: Diário da Manhã/Cepe. 


GRANDES ACONTECIMENTOS DE 1936: 10/1- Vicente Rao, ministro da justiça, forma a comissão de repressão ao comunismo; Fevereiro: “Pierrô Apaixonado” de Heitor dos Prazeres e Noel Rosa, e “Mamãe eu quero”, de Jararaca e Vicente Paiva, fazem sucesso no carnaval; 5/3- Presos Júlio Prestes e Olga Benário (entregue a Gestapo); 15/3- Graciliano Ramos e 115 outros presos políticos do Nordeste são trazidos ao Rio de Janeiro; 21/3- O Congresso sob pressão militar, aprova o estado de guerra e suspensão dos direitos civis; 30/3- O Senado aprova o uso do estado de guerra; Março: Eleições parciais. Os Integralistas fazem 24 prefeitos e 500 vereadores; 17/6- O general Franco inicia a Guerra Civil Espanhola, causando a morte de 500 mil pessoas; 8/9- Criado o Tribunal de Segurança Nacional; Inaugurada a Rádio Nacional do Rio de Janeiro; 9/11- A polícia do Ceará expulsa  do sítio do Caldeirão, Juazeiro, 2 mil fiéis do beato José Lourenço, destrói casas e roças; 27/11- Nasce numa prisão alemã Anita Leocádia, filha de Júlio Prestes. A mãe, Olga Benário, é executada; Primeira transmissão regular de TV, na Inglaterra; Vicente Celestino grava “O Ébrio”; Charles Chaplin filma “Tempos Modernos”.
Combinado de Caruaru que enfrentou o Vasco da Gama (RJ), formado por jogadores do Central e Sport Club Caruaru. Foto: Diário de Pernambuco.

VASCO DA GAMA JOGA NO RECIFE E EM CARUARU PELA PRIMEIRA VEZ: A convite da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco (ACDP), a equipe do Vasco da Gama que neste ano havia sido campeão carioca pela Federação Metropolitana de Desportos, já que no Rio de Janeiro, houve dois campeões, o outro, foi o Fluminense, que sagrou-se campeão pela Liga carioca, veio para o Recife, para jogar quatro amistosos antes do início do Campeonato Pernambucano, onde  destacaram-se, as vitórias vascaína sobre o Náutico por 5 a 1, e sobre o Santa Cruz por 6 a 2. Depois dos amistosos em Recife, a direção do Vasco da Gama recebeu um novo convite, desta vez, para jogar em Caruaru. Graças ao prestígio do industrial, Pedro de Souza, nascido na terra de Vitalino, e que era sócio do time de São Januário, já que tinha negócios no Rio de Janeiro. Numa segunda-feira, 6 de abril de 1936, a comitiva vascaína deixa o Recife rumo a Caruaru, em vários automóveis para enfrentar 124 quilômetros de terra batida e irregular, pois, não existia ainda, as BRs, que só começaram a serem construídas nos anos 50. A comitiva fez uma rápida parada em Vitória de Santo Antão para uma breve refeição. Enquanto isso, em Caruaru, a euforia tomou conta da população, que a princípio, achou que tratava-se de boato. A chegada do Vasco da Gama em Caruaru foi apoteótica, a multidão acompanhou a delegação de São Januário até a prefeitura, onde foram recepcionados com festa e foguetório, depois, seguiram para o hotel. Três horas depois, a delegação seguiu até o Campo do Central Parque, para enfrentar o Combinado Caruaruense formado por jogadores do Central e do Sport Club Caruaru. Para a torcida local, as opiniões eram em torno do placar, todos acreditavam numa goleada do Vasco: 5 a 0, 6 a 0, até 10 a 0. Tudo porque,  o combinado era formado por jogadores amadores, o principal jogador que foi o destaque do amistoso, Tutu, era um alfaiate de ofício, além do mais, as equipes da capital foram goleadas. Quem esperou um jogo fácil para o Vasco da Gama, se enganou redondamente, pois, o Combinado, jogou de igual para igual com o time carioca. O Vasco da Gama abriu o placar através do atacante Nena. Mas o Combinado não se abateu e partiu para cima do Vascão. E  quando Tutu, recebeu uma bola, matou no peito e chutou no ângulo da baliza do goleiro Rey, do Vasco, a torcida caruaruense foi ao delírio. Parecia ser o gol de empate, no entanto, o árbitro, Osvaldo Kraff, que veio com a delegação carioca, viu um toque de mão no lance. A anulação do gol, provocou uma grande revolta, que por pouco, não ocasionou uma invasão de campo pela torcida. O árbitro encerrou a partida quando ainda faltavam dez minutos, alegando falta de visibilidade, já que escureceu e não havia iluminação entorno do campo. Houve muitos xingamentos e vaias contra o árbitro. Há de se levar em conta, que a equipe vascaína estava bastante cansada por causa da viagem. Toda a renda do jogo, foi destinada à obra do Hospital São Sebastião de Caruaru. O Vasco da Gama alinhou com: Rey; Poroto e Itália; Oscarino, Zarzur e Gringo; Orlando, Ladislau, Nena, Kuko e Luna. O Combinado Caruaruense, jogou com: Piancó; Teonilo e Neco; Joaquim, Otoniel e Tinguinho; Piloto, Amâncio, Tutu, Zuza e Zé de Nane.

Delegação do Central que veio de Caruaru jogar um amistoso com o Tramways, campeão pernambucano. O Central venceu por 4 a 3 e foi recebido com festa na terra de Vitalino.

CENTRAL VENCE O CAMPEÃO: No dia 16 de setembro de 1936, com o Campeonato Pernambucano em andamento, o presidente do Central de Caruaru, Pedro Victor de Albuquerque, através de um convite da diretoria do Tramways Sport Club, trouxe a equipe Centralina para um amistoso contra aquele que seria o campeão pernambucano, de forma invicta. O Central desembarcou na estação de trens do Recife, num vagão da Great Western. Os jornais recifenses deram grande destaque ao jogo, e elogiavam os centralinos, analisando-o, como uma equipe bastante difícil para as pretensões do Tramways, sem tirar o favoritismo do elétrico, que vinha arrasador no campeonato, sem perder para ninguém.  A verdade, é que aos 20 minutos do primeiro tempo, o Tramways já vencia os centralinos por 2 a 0, mas antes de encerrar a primeira etapa, Tutu, diminuiu para o Central. No segundo tempo, aconteceu o que poucos acreditavam, o Central virou o placar e venceu o jogo por 4 a 3. Diretores e jogadores se abraçaram em campo, muitos choravam. A chegada da delegação em Caruaru, na estação de trem, foi com muita festa, bandas de música, corso, e muita queima de fogos. O prefeito decretou feriado municipal para que a torcida pudesse comemorar a grande façanha centralina. Muitos torcedores gritavam: “É campeão, é campeão pernambucano”.

13/9/1936- O craque pernambucano Artur Carvalheira (o último agachado) pousando com os craques do Fluminense- RJ, na histórica foto. Artur foi o primeiro jogador pernambucano a jogar em uma equipe do sudeste, jogou contra o Flamengo no empate em 1 a 1, rejeitou o bicho de 100 réis e voltou para jogar pelo Clube Náutico Capibaribe. Foto: Diário de Pernambuco/Blog do Roberto.

ARTUR CARVALHEIRA DEVOLVE PREMIAÇÃO AO FLUMINENSE: Em setembro, quando o campeonato ainda estava em andamento, chegava do Rio de Janeiro, um telegrama enviado a diretoria do Clube Náutico Capibaribe, através do Sr. Antônio Vicente Filho, do Fluminense, solicitando o embarque imediato do meio-campista timbu, Artur Carvalheira, considerado pelos desportistas pernambucanos, o melhor futebolista de Pernambuco. A notícia espalhou-se pela cidade, enchendo de orgulho os  torcedores alvirrubros. Artur Carvalheira embarcou muito empolgado e satisfeito, ainda mais, por ser o primeiro jogador pernambucano a sair de Pernambuco para jogar no sudeste do país, pelo Fluminense, um clube de um centro futebolístico mais evoluído contra um poderoso Flamengo, que tinha no time, o goleiro Yustrich e o diamante negro, Leônidas, um dos maiores jogadores do futebol brasileiro de todos os tempos. O fato é que Artur Carvalheira fez uma grande apresentação e foi muito elogiado pela imprensa carioca, sendo inclusive responsável pelo gol de empate do Fluminense, quando foi derrubado dentro da área flamenguista. O jogo foi realizado em 13 de setembro e terminou empatado em 1 a 1. Pelo empate, Artur Carvalheira recebeu 100 mil réis, como premiação (bicho), mas, para surpresa de todos, ele não quis receber o dinheiro e devolveu ao Fluminense. A diretoria do clube carioca considerou a atitude de Artur, um gesto nobre.
Com menos de uma semana no Rio de Janeiro, ele começava a se decepcionar com os novos colegas e o ambiente boêmio que o cercava, onde só se falava em bichos e farras, muito diferente do ambiente vivido nos Aflitos, altamente amadorístico. A verdade é que Artur Carvalheira não quis se profissionalizar e retornou ao Recife em 28 de setembro de 1936, desembarcando do navio Oceania, no Cais do Porto, sendo recebido com muita festa e celebração. Artur, revelou ter recebido convite do clube carioca para assinar contrato profissional, porém recusou porque não queria mesmo fazer do futebol profissão.  

O 22º CAMPEONATO PERNAMBUCANO DE FUTEBOL, contou com nove participantes, todos do Recife, com jogos de ida e volta. A abertura do campeonato aconteceu com a realização do 18º Torneio-Início, envolvendo todas as equipes no Campo da Jaqueira, que pertenceu ao América-PE e que foi comprado pelo Tramways, neste ano. A decisão do torneio foi entre América e Santa Cruz, que empataram em 2 a 2. Como o América teve o maior número de escanteios a seu favor, um a mais que o tricolor, foi considerado o campeão. O Campeonato Pernambucano começou em 10 de maio  e encerrou em 24 de outubro.
Escudo do Tramways

Tramways Sport Club, fundado em 23 de abril de 1934, no bairro da Torre, foi o campeão invicto e a grande surpresa do campeonato, sobrou em campo, teve o melhor ataque, a melhor defesa e o artilheiro do campeonato. Sua campanha foi impecável: somou 24 pontos, em 13 jogos, sete a mais que o segundo colocado. Teve 11 vitórias e  2 empates ( contra o América e o Íris), marcou impressionantes 69 gols e levou apenas 24, ficando com o extraordinário saldo de 45 gols, além do mais, no dia 19 de julho de 1936, aplicou a maior goleada do campeonato, vencendo o Great Western por 13 a 1. Sendo campeão do campeonato de forma invicta e por antecipação, além do mais, Flamengo-PE e Náutico, resolveram entregar os pontos, desistindo dos jogos (na época, o regulamento permitia). O Tramways tinha  como mascote a águia. Era chamado pelos torcedores de “Elétrico e Expresso da Torre”.  O Tramways pertencia a uma empresa inglesa que explorava o serviço de bonde e de luz elétrica do Recife, com dinheiro para investir no futebol, o “elétrico”, comprou ao América, o Campo da Jaqueira, habilitando-o de iluminação para jogos noturnos, empregou vários jogadores na empresa, além de ter contratado o técnico Joaquim Loureiro, que veio de São Paulo e montou uma equipe quase imbatível para o campeonato. Os grandes destaques do time foram: o volante uruguaio e craque da equipe, Furlan; o meia atacante Bermudes que fez mais de 18 gols (houve jogos em que as súmulas foram preenchidas incompletas, sem os autores dos gols da partida) e foi artilheiro do campeonato, e os atacantes, Chinês e Carreiro. O campeonato foi marcado por um número imenso de goleadas, o que provocou uma excelente média de gols.

O POLÊMICO JOGO DA BOLA DE BASQUETE: No dia 5 de julho de 1936, aconteceu um fato inusitado em nosso futebol, o jogo entre Sport Recife e Flamengo-PE pelo campeonato, na Avenida Malaquias, domínio do rubro-negro, o Sport Recife entra em campo como principal favorito para vencer o jogo, entretanto, o que parecia fácil, tornou-se uma pedreira, ninguém esperava que o clube alvinegro do bairro da Boa Vista, que já havia levado algumas goleadas, iria engrossar o caldo pra cima do leão. A torcida rubro-negra que havia comparecido em bom número ao campo, ficaram perplexos e irritados com o time, que aos 30 minutos do primeiro tempo, já perdia o jogo por 3 a 1. Mas, antes mesmo de terminar o primeiro tempo, o Sport Recife fez mais um. De volta para o tempo complementar, os jogadores do leão, foram com tudo para cima dos flamenguistas pernambucanos em busca do empate. No primeiro chute a gol dos rubro-negros contra a meta de Francelino, a bola foi por cima  e caiu sobre uns pedaços de folhas de zinco que estavam por trás da meta flamenguista. O goleiro Francelino foi pegar a bola e retornou com ela murcha, pois estava furada. O goleiro flamenguista, logo, informou ao árbitro Alberto Gomes Alves, que também era Diretor do Departamento de Desportos Terrestres, que verificou a bola e constatou o fato, solicitando outra bola. Como não havia uma outra bola, funcionários do Sport Recife foram em busca de outra bola no depósito existente no Campo da Avenida Malaquias. Cinco minutos depois, de lá voltaram com uma bola bem maior que a tradicional, era uma bola de basquete, desconhecida por muitos daqueles jogadores. Os jogadores do Flamengo-PE se recusaram a dar  continuidade à partida com aquela bola. Os jogadores do Sport Recife disseram que não tinha nada demais, o árbitro também. O jogo continuou até o final, o Sport Recife venceu de virada, por 8 a 3.

No dia seguinte, o presidente do Flamengo-PE, Alonso de Souza, entrou com um protesto na FPD (Federação Pernambucana de Desportos), pedindo o cancelamento da partida, alegando que a bola estava com uma circunferência medindo 0,731, quando máximo permitido pela regra era de 0,711. A imprensa até que publicou o fato, mas não acreditava no êxito da equipe da Boa Vista, já que dificilmente a FPD era favorável aos impetrantes. O presidente da FPD, Carlos Rios, encaminhou o documento ao diretor de Desportos Terrestres, Alberto Gomes Alves, que desta feita concordou com as alegações do Flamengo-PE e anulou a partida. O Sport Recife recorreu ao Conselho de Julgamento, que levou pouco mais de dois meses para julgar o recurso rubro-negro, dando ganho de causa ao Flamengo-PE.

Posse antes do treino do Tramways no Campo da Jaqueira, começando da esquerda estão: Sàlvio, o goleiro Zé Miguel; o artilheiro do campeonato, Bermudes; o craque uruguaio, Furlan; e o zagueiro Domingos. Foto: Diário da Manhã/Cepe.

O Campeonato Pernambucano de 1936, marcou a transição do futebol amador para o futebol profissional, pois era sabido que muitos jogadores jogavam sem receber nenhuma remuneração, mas por outro lado havia inúmeros jogadores que recebiam para jogar, principalmente, do Sport Club do Recife e do América Futebol Clube, que já vinham exercendo esta prática a muito tempo. Já o Tramways, além de remunerar jogadores, ainda empregavam em sua empresa. O fato que aconteceu com Artur Carvalheira, que rejeitou “o bicho” do tricolor carioca, marcou simbolicamente o fim do amadorismo no futebol em nosso Estado.

AS GRANDES GOLEADAS: (exceto os clássicos e as surpresas) Tramways 13 x 1 Great Western; Santa Cruz 11 x 1 e 10 x 1 Íris; Tramways 9 x 1 Flamengo; Santa Cruz 8 x 0 Flamengo; Sport Recife 8 x 2 Torre; Náutico 8 x 2 Flamengo; Náutico 8 x 3 Torre; Tramways 8 x 3 e 8 x 4 Torre; Sport Recife 7 x 1 Íris; Sport Recife 7 x 1 Great Western; Santa Cruz 7 x 2 Torre; América 6 x 0 Flamengo; Náutico 6 x 1 Great Western; Náutico 6 x 1 Íris; América 6 x 1 Great Western; Íris 5 x 0 Great Western; América 5 x 0 Íris; Flamengo 5 x 2 Great Western; Sport Recife 5 x 2 Great Western; Íris 5 x 3 Flamengo e Santa Cruz 4 x 0 Great Western.

AS SURPRESAS: Tramways 6 x 2 Náutico; Tramways 3 x 1 Sport Recife; Tramways 4 x 4 América; Tramways 5 x 1 Santa Cruz; Íris 4 x 2 América; Tramways 3 x 2 América; Íris 3 x 1 Náutico; Íris 1 x 1 Tramways; Tramways 3 x 1 Santa Cruz e Tramways 3 x 2 Sport Recife.

OS CLÁSSICOS: 10/5- América 2 x 2 Santa Cruz; 11/6- Santa Cruz 4 x 2 Sport Recife; 23/7- Náutico 5 x 0 Sport Recife; 2/8- América 4 x 1 Náutico; 9/8- Sport Recife 4 x 0 América; 23/8- Náutico 5 x 1 Santa Cruz; 13/9- América 6 x 3 Sport Recife; 24/9- Santa Cruz 5 x 4 América; 1/10- Náutico 3 x 3 Sport Recife.

Bermudes, o artilheiro.

ARTILHEIRO DO CAMPEONATO: Bermudes (Tramways) sem registro exato dos gols marcados.
*Foram registrados 18 gols de Bermudes no campeonato, entretanto, houve dois  jogos do Tramways que venceu o Flamengo por 9 a 1, e o Torre por 8 a 3 que não há registro de quem marcou os gols das partidas.

CLASSIFICAÇÃO FINAL:
Tramways- 24 pontos
Santa Cruz- 17 pontos (Saldo de gols: 31)
Náutico- 17 pontos (Saldo de gols: 23)
América- 16 pontos
Sport Recife- 11 pontos
Íris- 10 pontos
Flamengo- 9 pontos
Great Western- 5 pontos
Torre- 3 pontos.

JOGO DECISIVO
TRAMWAYS 3 X 1 SANTA CRUZ
Data: 15/10/1936
Local: Campo da Jaqueira, do Tramways
Árbitro: Osvaldo Salsa (que era jogador do Náutico)
Renda e Público: Na época, não era divulgado.
Gols: Olívio (2) e Bermudes, para o Tramways, e Marcionilo, para o Santa Cruz
O Tramways venceu com: Zé Miguel; Domingos e Moacir; Zezé, Paizinho e Furlan; Alcides, Bermudes, Chinês, Quetreco e Olívio. O Santa Cruz perdeu com: Neco; Sidinho II e João Martins; Marcionilo, Zé Orlando e Ernani; Zé Pequeno, Lauro, Tará, Sidinho I e Siduca.
*OBS: Este jogo não foi o do titulo, pois o Tramways já havia conquistado o campeonato um jogo antes contra o Íris, onde empatou em 1 a 1. No entanto, este jogo tornou-se decisivo porque foi o confronto direto entre o campeão e o vice.

A SELEÇÃO DO ANO 
Goleiro: Heitor (América)
Zagueiro: Edson (Náutico)
Zagueiro: Picareta (América)
Lateral-Direito: Martorelli (América)
Lateral-Esquerdo: Zé Orlando (Santa Cruz)
Volante: Furlan (Tramways)
Meia: Bermudes (Tramways)
Meia: Artur Carvalheira (Náutico)
Atacante: Tará (Santa Cruz)
Atacante: Chinês (Tramways)
Atacante: Carreiro (Tramways)

OUTROS CAMPEÕES ESTADUAIS PELO BRASIL EM 1936: Em São Paulo, o Palestra Itália (atual Palmeiras) foi o campeão. No Rio de Janeiro houve dois campeões, o Vasco da Gama pela FMD, e o Fluminense tornou-se bicampeão carioca, agora pela LCF. Em Minas Gerais, o Atlético sagrou-se campeão. No Rio Grande do Sul, O Rio Grande, tornou-se campeão. No Paraná, o Atlético levantou a taça de campeão. Na Bahia, o Bahia foi o campeão. No Ceará, o Maguari de Fortaleza, tornou-se campeão. No Pará, a taça de campeão ficou com o Remo.

Por: Jânio Odon
Fonte: Livros: “85 anos de bola rolando (1915 a 1999)” e “história do futebol em Pernambuco” de Givanildo Alves, Editora Bagaço; www.rsssfbrasil.com/Autor: Ricardo Brito, extraído do livro: Campeonato Pernambucano- 1915 a 1970,de Carlos Celso Cordeiro e Luciano Guedes Cordeiro.

      





  

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Santa Cruz campeão pernambucano em 1935


Os campeões de 1935, no dia da final, no Campo da Jaqueira. Do matador coral, Tará (o 2º de chapéu) e demais, goleiro Dadá; João Martins, Marcionilo, Ademar, Zé Orlando, Ernani, Walfrido, Limoeiro, Lauro e Zé Pequeno. (A escalação não está de acordo com a foto). Fotos: Diário da Manhã/Cepe.


GRANDES ACONTECIMENTOS DE 1935- Fevereiro: A canção “Cidade Maravilhosa”, de André Filho, faz grande sucesso no carnaval carioca; 30/3- Lançada a ANL (Aliança Nacional Libertadora) no Rio de Janeiro; 11/4- Prestes e Olga Benário chegam ao Brasil com passaportes falsos; 11/7- Getúlio Vargas põe ANL na ilegalidade; 21/7- Conferência em Buenos Aires põe fim a Guerra do Chaco entre Paraguai e Bolívia; Agosto: Greve Geral no Rio Grande do Norte; 3/10- A Itália fascista invade a Etiópia; 11 a 28/11- Greve de 28 mil metalúrgicos no Rio de Janeiro; 24/11- Levante militar da ANL dirigida pelo PCB toma o poder por três dias em Natal e em Recife, aconteceu outro levante da ANL; 25/11- Declarado Estado de sítio no país até junho de 1937; 14/12- A Lei de Segurança Nacional é modificada para facilitar a repressão; 31/12- Decreto pune oficiais rebeldes da ANL; Carmen Miranda estrela o filme “Alô-alô, Brasil”.

A 21ª edição do Campeonato Pernambucano de futebol teve início em 21 de abril e só encerrou em 22 de fevereiro de 1936. Com o novo regulamento implantado no ano anterior, as quatorze equipes, todas do Recife, foram divididas em dois grupos. O primeiro, correspondeu a 1ª Divisão, composta por oito equipes: Náutico, América, Santa Cruz, Sport Recife, Torre, Flamengo, Tramways e Encruzilhada. Em pontos corridos, o  que obtivesse a  maior pontuação no cômputo geral seria o campeão. O segundo grupo, também em pontos corridos, correspondeu a 2ª Divisão, onde o primeiro colocado garantia seu acesso ao primeiro grupo no ano seguinte. Seus participantes foram: Íris, Atheniense, Fluminense, Varzeano, Great Western e Israelita. Ao final, o Great Western foi o campeão.

O campeonato começou com a realização do 17º Torneio-Início envolvendo todas as equipes participantes no Campo da Avenida Malaquias, pertencente ao Sport Recife, que por sinal, disputou o jogo final e foi o campeão do torneio ao vencer o Santa Cruz por 2 a 0.

A grande vantagem do Santa Cruz aos demais participantes, foi sem dúvida, o entrosamento do time, base da equipe tricampeã em 1933. Tará seu grande goleador já estava mais experiente. Na ponta-direita, o tricolor tinha Walfrido, considerado por muitos, o melhor da cidade. Contava ainda com Limoeiro, outro artilheiro; Siduca, que era bastante habilidoso e que ficou consagrado no futebol pernambucano; outro brilhante jogador, era o lateral-direito, Zezé Fernandes; o novato lateral-esquerdo Zé Orlando, também foi destaque. A campanha do Santa Cruz que conquistou seu 4º título foi a seguinte: 16 jogos, 11 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Fez 37 gols e sofreu 19.

Tramways, o vice-campeão do craque uruguaio Furlan (o 1º da esquerda em pé) e demais jogadores..

A grande surpresa do campeonato foi a equipe do Tramways, clube pertencente à empresa inglesa que explorava o serviço de bonde e de luz elétrica do Recife, “o elétrico”, como era chamado pela imprensa, atraiu muitos jogadores que tinha o intuito de empregar-se na empresa, o que aconteceu com alguns. O Tramways fortaleceu sua equipe pensando no titulo estadual, neste ano, chegou perto e desbancou os velhos papões, Sport Recife, Náutico e América. O elétrico trouxe o goleiro Zé Miguel e o atacante Zezé, do Flamengo-PE. Os zagueiros, Moacir (Irís) e Brivaldo (Sport Recife), o meia Faustino (Torre) e foi buscar do América-PE, o craque uruguaio Furlan e tinha ainda em seu time, o artilheiro Bermudes. O Tramways por muito pouco não chegou ao título.

O Náutico apesar dos Carvalheiras e ter o ataque mais eficiente do campeonato com 79 gols em 14 jogos ficou em terceiro no campeonato, chegou a aplicar a maior goleada do campeonato diante do modesto Encruzilhada, pelo extravagante placar de 15 a 2, no dia 26 de maio.  Já o Sport Recife tinha uma equipe boa, mas não suficiente para decidir o título.

A grande decepção foi o América, cinco vezes campeão pernambucano, o time acabou na lanterna, atrás até mesmo do inexpressivo  Encruzilhada, que mesmo não sendo rebaixado, em crise, não participou do campeonato de 1936.

O Campeonato Pernambucano de 1935, foi bastante longo e bagunçado. No mês de julho houve uma interrupção, o Santa Cruz fez uma excursão a Belém do Pará, onde participou da inauguração do Campo da Tuna Luso. A viagem de ida, durou oito dias dentro do navio Jaceguay, boa parte dos jogadores passaram mal em virtude dos enjoos e o balanço da excursão não foi boa. Durante o campeonato, muitas partidas não chegaram ao seu final e as equipes tiveram  que voltar a campo para disputar o resto do tempo que faltava, em média 15 minutos. Os motivos eram diversos: invasão de campo; falta de energia elétrica; clubes que desistiam do jogo por não valer mais nada; brigas entre jogadores dentro de campo e, para completar a zorra, árbitro escalado para o jogo, simplesmente não comparecia. O que criava uma situação embaraçosa para a Federação Pernambucana de Desportos, que algumas vezes improvisava um árbitro (dirigente ou até mesmo jogador).


Um campeonato com tanta bagunça, só fez piorar ainda mais, quando um levante comunista eclodiu nos quartéis do exército do Recife e de Natal, e uma rodada do campeonato foi adiada. Os jornais da época passaram a acompanhar este fato político deixando o futebol em segundo plano.

AS GRANDES GOLEADAS: (exceto os clássicos) Náutico 15 x 2 Encruzilhada, Náutico 9 x 1 Torre, Náutico 9 x 2 Flamengo, Tramways 8 x 0 Encruzilhada, Flamengo 8 x 1 América, Sport Recife 8 x 2 Torre, Tramways 7 x 1 Flamengo, Tramways 7 x 2 América, Náutico 6 x 0 Torre, Tramways 6 x 1 Encruzilhada, Sport Recife 6 x 1 Encruzilhada, e Santa Cruz 5 x 0 Flamengo.

AS SURPRESAS: Tramways 1 x 1 Santa Cruz, Flamengo 7 x 5 Náutico, América 3 x 5 Torre, Náutico 1 x 1 Tramways, Flamengo 3 x 3 Sport Recife, Tramways 7 x 2 América, Flamengo 8 x 1 América, Tramways 4 x 2 Sport Recife, Tramways 4 x 3 Santa Cruz, Encruzilhada 3 x 3 América, Torre 7 x 4 América, Tramways 4 x 1 América, e Sport Recife 1 x 3 Tramways.

OS CLÁSSICOS: 28/4- Náutico 10 x 3 América; 12/5- Sport Recife 5 x 4 Náutico; 26/5- América 3 x 2 Sport Recife; 16/6- Sport Recife 1 x 0 Santa Cruz; 23/6- Santa Cruz 4 x 1 América; 4/8- Santa Cruz 5 x 3 Náutico; Náutico 5 x 2 América; 29/9- Náutico 4 x 1 Sport Recife; Sport Recife 5 x 1 América; 27/10- Sport Recife 2 x 2 Santa Cruz; 30/10- Santa Cruz 6 x 3 América; e em 30/11- Náutico 1 x 2 Santa Cruz.
Fernando Carvalheira (Náutico), o artilheiro.

MELHOR ATAQUE: Náutico fez 79 gols em 14 jogos.


MELHOR DEFESA: Santa Cruz levou 27 gols em 16 jogos.

ARTILHEIRO DO CAMPEONATO: Fernando Carvalheira (Náutico) marcou 31 gols, recorde que durou 22 anos, quando em 1958, Pacoti, do Sport Recife marcou 36 gols.  

CLASSIFICAÇÃO FINAL
Santa Cruz- 22 pontos (10 vitórias)
Tramways- 22 pontos (9 vitórias)
Náutico- 19 pontos
Sport Recife- 18 pontos
Torre- 8 pontos
Flamengo- 7 pontos
Encruzilhada- 7 pontos
América- 5 pontos.
*Não consta os jogos da final

A SELEÇÃO DO ANO
Goleiro: Heitor (Flamengo)
Zagueiro: Edson (Náutico)
Zagueiro: Fernando Rodrigues (Sport Recife)
Lateral-direito: Zezé Fernandes (Santa Cruz)
Lateral-esquerdo: Zé Orlando (Santa Cruz)
Volante: Furlan (Tramways)
Meia: Zezé Carvalheira (Náutico)
Meia: Artur Carvalheira (Náutico)
Atacante: Fernando Carvalheira (Náutico)
Atacante: Tará (Santa Cruz)
Atacante: Chinês (Flamengo)

FINAIS:
1º Jogo
Santa Cruz 4 x 4 Tramways
Data: 2/2/1936
Local: Campo da Jaqueira, do América.
Público e renda: Na época, não divulgavam.
Árbitro: Manoel Pinto.
Gols: Zé Pequeno (2), Otomar e Sidinho para o Santa Cruz; Bermudes (3) e Sávio, para o Tramways.
O Santa Cruz jogou com: Dadá; Marcionilo e João Martins; Ademar, Zé Orlando e Ernani; Malaquias, Limoeiro (Sidinho), Otomar, Lauro e Zé Pequeno (Lourival). O Tramways jogou com: Zé Miguel; Domingos e Moacir; Brivaldo, Furlan e Faustino; Alcides, Bermudes, Sávio,  Quetreco e Zezé (Maturano).

* Como houve empate, foi necessário um segundo jogo para definir o campeão.

22/3/1936- Lance da final, Lauro espera o rebote de Zé Miguel que não aconteceu.

Espaço reservado para as autoridades no Campo da Jaqueira, inclusive o governador. Cadê a tribuna de honra?

2º Jogo
Santa Cruz 5 x 2 Tramways
Data: 22/3/1936
Local: Campo da Jaqueira, do América
Público e renda: Na época, não divulgavam.
Árbitro: Alberto Gomes Alves
Gols: Tará (3), Zé Orlando e Zé Pequeno, para o Santa Cruz; e Bermudes e Sávio, para o Tramways.
O Santa Cruz venceu e foi campeão com: Dadá; Marcionilo e João Martins; Ademar, Zé Orlando e Ernani; Walfrido (Malaquias), Limoeiro, Tará, Lauro e Zé Pequeno. O Tramways jogou e perdeu com: Zé Miguel; Raul e Domingos; Faustino, Furlan e Popó; Alcides, Bermudes, Sávio, Quetreco e Maturano (Mossoró).

OUTROS CAMPEÕES ESTADUAIS EM 1935: Em São Paulo houve dois campeões: Santos pela (LPF) e Portuguesa de Desportos pela (APEA); No Rio de Janeiro, também houve dois campeões: o Botafogo tornou-se bicampeão, só que jogando pela (FMD) e, o Fluminense foi campeão pela (LCF); em Minas Gerais, o Vila Nova, de Nova Lima foi o campeão; no Rio Grande do Sul, o campeão foi o 9º Regimento de Infantaria, de Pelotas; no Paraná, o Coritiba sagrou-se campeão; na Bahia, o Botafogo de Salvador, foi o campeão; no Ceará, deu América de Fortaleza, campeão; e no Pará, não houve a disputa do campeonato.

Por: Jânio Odon
Fonte: Diário de Pernambuco; Livro: 85 anos de bola rolando, FPF, de Givanildo Alves, edições Bagaço; rsssfbrasil.com/de autoria de Ricardo Brito, extraído do livro: “Campeonato Pernambucano- 1915 a 1970, de Carlos Celso Cordeiro e Luciano Guedes Cordeiro; e Blog do Fernando Machado.




sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Náutico, campeão pernambucano pela primeira vez em 1934

Os campeões de 1934: (Esq/Dir) Edson, Estácio, Taurino, Osvaldo Salsa, Fernando Carvalheira, Salsinha, João Manuel, Artur Carvalheira, Zezé Carvalheira, Rafael e o goleiro Epaminondas.


GRANDES ACONTECIMENTOS DE 1934: 3/1- A “Hora do Brasil” que depois mudou para “A Voz do Brasil” passa a ser irradiada em cadeia nacional de rádio; 12/1- O governo de São Paulo, Sales de Oliveira cria a USP (Universidade de São Paulo); 16/4- Criada a Viação Aérea de São Paulo (Vasp); 16/7- Promulgada a nova Constituição Brasileira; 17/7- A Constituinte elege Getúlio Vargas, Presidente do Brasil por 175 votos contra 59 para Borges de Medeiros; 20/7- Morre em Juazeiro-CE, Padre Cícero; 26/11- Inaugurada a primeira  refinaria brasileira em Uruguaiana-RS; 24/12- Ocorreu a primeira greve geral dos Correios e Telégrafos.

ABC DE NATAL NO RECIFE- O clube potiguar realizou dois amistosos no Campo da Av. Malaquias, no Recife, antes de começar o Campeonato Pernambucano. Em 26/4, onde o Náutico  venceu o ABC por 4 a 2, e em 29/4, desta feita, o ABC venceu o Sport Recife por 5 a 3.
Escudo do Náutico em 1934

SELEÇÃO BRASILEIRA NO RECIFE- A Seleção Brasileira de Futebol estava voltando da Copa do Mundo da Itália de navio e fez escala no Recife, e para manter os jogadores em forma, realizou 5 amistosos na capital pernambucana: 27/9- Av. Malaquias, Seleção Brasileira 5 x 4 Sport Recife; 30/9- Campo da Jaqueira, Seleção Brasileira 3 x 1 Santa Cruz; 4/10- Campo da Jaqueira, Seleção Brasileira 8 x 3 Náutico; 7/10- Av. Malaquias, Seleção Brasileira 5 x 3 Seleção Pernambucana e em 10/10- Av. Malaquias, Seleção Brasileira 2 x 3 Santa Cruz. Todos os jogos foram realizados durante o Campeonato Pernambucano.


A 20ª Edição do Campeonato Pernambucano de Futebol, começou em 21 de abril de 1934 e só encerrou em 7 de abril de 1935. O campeonato com quinze participantes, todos do Recife, dividido em dois grupos e em pontos corridos, o Grupo Azul com oito participantes, onde disputaram o título, sendo eles: Náutico, Santa Cruz, Sport Recife, Flamengo, Encruzilhada, América, Torre e Íris. O Grupo Branco era composto por sete equipes convidadas pela Federação Pernambucana de Desportos (FPD) onde o vencedor do grupo ascendeu ao Grupo Azul no ano seguinte, no caso, o Tramways. Composto por: Tramways, Great Western, Atheniense, Fluminense, Israelita, Auto Esporte e Varzeano.
Destaque do América-PE em 1934
O campeonato começou com a realização do 16º Torneio-Início, no Campo da Avenida Malaquias, onde na final o América venceu o Sport Recife por 2 a 1.

O Clube Náutico Capibaribe conquistou o inédito título após 18 anos de disputa do Campeonato Pernambucano. Fundado por dois grupos de remadores em 1898, como Club Náutico do Recife, tem como data de fundação oficial, 7 de abril de 1901, data da primeira ata do clube. Após muita resistência de seus conselheiros em desfavor ao futebol, o clube acabou aderindo em 1909, mas não aceitava jogadores negros em seus quadros. Para ser campeão pernambucano pela primeira vez, o Náutico foi buscar no Sul do país, o experiente uruguaio, descobridor de jovens talentos, Umberto Cabelli. O treinador uruguaio fez um excelente trabalho de base nos Aflitos, onde boa parte do elenco do time principal era composto por juvenis. Destaque para os Carvalheiras, Zezé, Fernando e Artur que era primo dos dois. Os três atletas marcaram época no futebol pernambucano. Com um elenco considerado por todos, de alto nível técnico, o Náutico fez uma campanha brilhante, juntamente com o Santa Cruz que já vinha com uma equipe já montada e experiente em busca do tetra, a campanha das duas equipes foram idênticas durante todo o campeonato até a decisão final. O certo é que o Náutico tinha um ataque mais eficiente, enquanto  fez 53 gols até a decisão, o Santa Cruz fez 40 gols. No entanto, a defesa do Santa Cruz era mais eficiente, levou apenas 18 gols em 14 partidas, enquanto o Náutico levou 28  gols. A torcida do Náutico ficou bastante abalada com a saída de Umberto Cabelli, mas a diretoria do Náutico não ficou de braços cruzados e foi buscar em São Paulo, o ex-treinador do Santos e preparador físico da Força Pública de São Paulo, Joaquim Loureiro que deu continuidade ao trabalho realizado por Cabelli. O Náutico realizou 15 jogos, 11 vitórias, 1 empate e 3 derrotas, ainda teve Fernando Carvalheira como artilheiro do campeonato. O Náutico perdeu apenas para o Santa Cruz por 2 x 0,  por duas vezes e para o  Flamengo do Recife por  3 x 1. O Náutico aplicou uma goleada humilhante diante do Sport Recife por 8 x 1, com três gols de Fernando Carvalheira. O Sport Recife tinha uma boa equipe, mas sua defesa era muito vulnerável, tanto que em agosto, no confronto com seu maior rival, o Santa Cruz, o leão perdeu por 7 a 0. O Campeonato de 1934, houve muitas goleadas, mas a maior de todas aconteceu em 29 de junho, onde o Sport Recife venceu o Torre por 9 a 3. O Campeonato sofreu uma paralização entre setembro e outubro em virtude da passagem da Seleção Brasileira pelo Recife. 

Santa Cruz vice-campeão pernambucano de 1934.

A grande final aconteceu em 7 de abril de 1935, no Campo da Avenida Malaquias, lotado. Fernando Carvalheira abriu o placar aos 10 minutos do primeiro tempo. O Santa Cruz empatou no segundo tempo, através de Tará. Depois de três sucessivas defesas de Dadá, goleiro tricolor, eis que Estácio marca o gol do título, o primeiro dos alvirrubros em sua longa história.

QUANDO O TIMBU VIROU MASCOTE? Salsinha, jogador do Náutico campeão em 1934, revelou anos depois, que o apelido de timbu dado aos atletas do Clube Náutico Capibaribe, já veio do remo. Tudo porque os remadores do Náutico sempre que terminavam os treinos no Rio Capibaribe, ao guardarem os barcos na Rua da Aurora, próximo a fábrica da Antártica, costumavam tomar várias garrafas de cerveja às margens do rio ante os olhares curiosos dos transeuntes, onde muitos murmuravam: "São uns timbus", comparando-os com o conhecido mamífero que adora uma cachaça. Mas o timbu só virou mascote a partir de um jogo realizado entre Náutico e América, no Campo da Jaqueira, no dia 19 de agosto de 1934. Uma derrota ou empate do Náutico, deixaria o Sport Recife na liderança do campeonato e, por este motivo, a torcida do leão compareceu em peso para torcer pelo clube esmeraldino. Chovia bastante quando acabou o primeiro tempo da partida com o placar em 1 a 1. Como as vestiarias estavam tomadas de água, o técnico alvirrubro, Joaquim Loureiro preferiu dar instruções no centro do gramado, de repente surge o dirigente do clube, Natércio Holanda, segurando um guarda-chuva e debaixo do outro braço, uma garrafa de cinzano. Natércio interrompeu a preleção e pediu a cada jogador para tomar um gole da bebida para amenizar o frio. Diante do fato, surgiu das arquibancadas os gritos provocativos da torcida do Sport, "timbus, timbus...". Iniciado o segundo tempo da partida, os gritos da torcida esmeraldina e rubro-negra, chamando os jogadores do Náutico de timbus na tentativa de desestabilizar o time, tornou-se mais intenso. Isso de nada adiantou e o Náutico fez mais dois gols e sacramentou a vitória por 3 a 1. Ao deixarem o campo, os jogadores alvirrubros saíram provocando a torcida adversária, mostrando com os dedos, "Timbu três a um, timbu três a um...". No carnaval de 1936, a diretoria do Náutico criou o Maracatu Timbu Coroado. 

O famoso ataque do Náutico: Zezé, Artur, Fernando, Estácio e João Manoel. Foto: reliquiasdofutebol.blogspot.com.br

AS GRANDES GOLEADAS: (exceto os clássicos) Sport Recife 9 x 3 Torre; América 8 x 0 Encruzilhada; Náutico 7 x 2 Torre; Náutico 7 x 3 Íris; Náutico 6 x 1 Encruzilhada; Torre 6 x 2 Encruzilhada; Flamengo 5 x 0 Torre; Santa Cruz 5 x 1 Torre; Náutico 5 x 2 Torre; Íris 4 x 0 Torre; Sport Recife 4 x 1 Íris; Santa Cruz 4 x 1 Íris e Flamengo 4 x 1 Torre.

AS SURPRESAS: Santa Cruz 2 x 2 Encruzilhada; Íris 1 x 0 Santa Cruz; América 1 x 1 Íris; Flamengo 3 x 1 Náutico; Sport Recife 3 x 3 Encruzilhada; Encruzilhada 3 x 1 América e Torre 1 x 0 Sport Recife.

OS CLÁSSICOS: 17/6- Náutico 0 x 2 Santa Cruz; 15/7- América 3 x 3 Sport Recife; 29/7- Sport Recife 2 x 2 Náutico; 15/8- Santa Cruz 7 x 0 Sport Recife; 19/8- Náutico 3 x1 América; 25/11- Santa Cruz 2 x 0 Náutico; 2/12- Sport Recife 2 x 1 América; 8/12- Náutico 3 x 2 América; 9/12- Sport Recife 3 x 2 Santa Cruz; 23/12- Santa Cruz 2 x 4 América; 3/2/35- Santa Cruz 6 x 2 América; 31/3/35- Sport Recife 1 x 8 Náutico e em 7/4/35- Náutico 2 x 1 Santa Cruz.

ARTILHEIRO DO CAMPEONATO: Fernando Carvalheira (Náutico) com 28 gols.

Os Carvalheiras: Fernando, Zezé e Artur.
CLASSIFICAÇÃO FINAL

Náutico- 21 pontos (Saldo de gols= 25)
Santa Cruz- 21 pontos (Saldo de gols= 22)
Sport Recife- 19 pontos
Flamengo- 13 pontos
Encruzilhada- 12 pontos
América- 11 pontos
Torre- 8 pontos
Íris- 7 pontos.
*Não consta o jogo da final.





JOGO DECISIVO CLASSIFICATÓRIO PARA FINAL

Sport Recife 1 x 8 Náutico
Data: 31/3/1935
Local: Campo da Avenida Malaquias
Árbitro: Harry Lessa
Público e Renda: não era divulgado
Gols: Fernando Carvalheira (3), Artur Carvalheira (2), Estácio (2) e Zezé Carvalheira e Marcílio Aguiar fez o gol de honra para o Sport Recife.
SPORT RECIFE perdeu com: Diógenes; Alderito e Fernando; Ademar, Paulo e Rui; Alemão, Seixas, Julinho, Marcílio Aguiar e Rodolfo. NÁUTICO venceu com: Epaminondas; Osvaldo Salsa e Salsinha; Taurino, Edson e Rafael; Zezé Carvalheira, Artur Carvalheira, Fernando Carvalheira, Estácio e J. Manuel.

FINAL (JOGO EXTRA)

Náutico 2 x 1 Santa Cruz
Data: 7/4/1935
Local: Campo da Avenida Malaquias
Árbitro: Manuel Pinto
Público e Renda: não era divulgado
Gols: Fernando Carvalheira e Estácio (NAU) e Tará (STA)
Náutico venceu com: Epaminondas; Osvaldo Salsa e Salsinha; Taurino, Edson e Rafael; Zezé Carvalheira, Artur Carvalheira, Fernando Carvalheira, Estácio e J. Manuel. Santa Cruz perdeu com: Dadá; João Martins e Zé Orlando; Marcionilo, Sebastião da Virada e Ernani; Walfrido, Limoeiro, Tará, Lauro e Carlos.

SELEÇÃO DO ANO
Goleiro: Diógenes (Sport Recife)
Zagueiro: Alemão (América)
Zagueiro: Fernando Rodrigues (Sport Recife)
Lateral-direito: Zezé Fernandes (Santa Cruz)
Lateral-esquerdo: Furlan (América)
Volante: Ernani (Santa Cruz)
Meia: Zezé Carvalheira (Náutico)
Meia: Artur Carvalheira (Náutico)
Atacante: Fernando Carvalheira (Náutico)
Atacante: Marcílio Aguiar (Sport)
Atacante: Chinês (Íris)

OUTROS CAMPEÕES ESTADUAIS EM 1934:
São Paulo- O Palestra Itália (atual Palmeiras) foi tricampeão paulista; Rio de Janeiro- O  Botafogo foi bicampeão pela AMEA e o Vasco da Gama foi campeão pela LCF. Minas Gerais- O Vila Nova, de Nova Lima tornou-se bicampeão mineiro. Rio Grande do Sul- O Internacional foi o campeão. Paraná- O Atlético Paranaense foi o campeão. Bahia- O Bahia sagrou-se bicampeão baiano. Ceará- O Fortaleza conquistou o bicampeonato. Pará- O Paysandu foi o campeão.

Por: Jânio Odon
Fonte: Diário de Pernambuco; Livros: 85 anos de bola rolando, FPF; e História do futebol em Pernambuco,  de Givanildo Alves, Editora Bagaço; rsssfbrasil.com/Autor: Ricardo Brito, extraído do livro: "Campeonato Pernambucano- 1915 a 1970, de Carlos Celso Cordeiro e Luciano Guedes Cordeiro; e arquivo pessoal.







  


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Santa Cruz, Tricampeão Pernambucano pela primeira vez em 1933

O Santa Cruz tricampeão pernambucano pela primeira vez em sua história.


Grandes acontecimentos de 1933: 31/1- Adolf Hitler torna-se 1º ministro da Alemanha; 10/2- O Conselho Nacional do Café passa a Departamento, subordinado ao governo federal; 3/5- Eleita a Constituinte, com 1,3 milhão de votos. Carlota P. Queirós, Torna-se a primeira deputada federal do Brasil; 21/5- Governo concede anistia aos revolucionários de 1932; 6/6- Criado o Instituto do Açúcar e do Álcool; 13/6- Inaugurado no Recife, o Mercado Público de Santo Amaro; 6/7- Criado o Instituto Brasileiro de Estatística; 17/9- Nasce em Canguaretama-RN, o político Roberto Magalhães Melo; 24/10- Começa a construção de Goiânia-GO; 1/12- O Governo assume metade da dívida bancária dos cafeicultores; 7/12- O general C. Barcelos propõe à Constituinte a mudança da capital para o Planalto Central; Fundada a Escola Paulista de Medicina; Gilberto Freyre lança o livro “Casa-Grande e Senzala”; Graciliano Ramos lança seu primeiro romance “Caetés”; Humberto Mauro filma “Ganga Bruta”. Em alguns Estados, o futebol começa a se profissionalizar.

Antes do início do Campeonato, em 3 de janeiro, a Liga Pernambucana de Desportos Terrestres (LPDT), mudou de nome e de sigla, passando a se chamar: Federação Pernambucana de Desportos (FPD). O presidente da entidade, Renato Silveira, em solenidade na sede da federação, na Rua da Imperatriz, 302, no 1º andar. Entregou o troféu e medalhas do bicampeonato  aos atletas e dirigentes tricolores. O segundo passo de Renato Silveira, foi atrair um maior público para o certame de 1933, pois nas edições anteriores o público vinha sendo pequeno devido a realização paralela do campeonato suburbano, promovido pela Associação Suburbana de Desportos Terrestres (ASDT) que era de graça e que atraia muita gente. Sendo assim, o presidente convidou para participar da primeira divisão seis equipes da ASDT: Varzeano, Great Western, Encruzilhada, Atheniense, Íris e Fluminense.

A 19ª Edição do Campeonato Pernambucano de Futebol, onde o Santa Cruz sagrou-se tricampeão, começou em 2 de abril de 1933 e só terminou em 4 de março de 1934. Contou com 14 equipes todas do Recife,  divididos em dois grupos. A Série Azul composta de Santa Cruz, Sport Recife, Náutico, América, Torre, Íris, Flamengo e  Encruzilhada e a Série Branca composta com as equipes convidadas da LPDT: Varzeano, Tuyuty, Atheniense, Fluminense, Great Western e Israelita. Os jogos de cada grupo foram realizados no sistema de pontos corridos com jogos de ida e volta, e ao final, o vencedor de cada grupo, disputaram o  campeonato num play-off.  

O campeonato começou com a realização da 15ª Edição do Torneio-Início, no Campo da Avenida Malaquias,  que não chegou a ter a final entre Náutico e Encruzilhada por falta de iluminação, ficando decidido pela FPD, que o campeão do torneio seria conhecido no primeiro  confronto entre as duas equipes no campeonato. Isso aconteceu em 2 de abril, quando o Náutico venceu por 7 a 0.

O Campeonato começou com uma grande disputa na série azul entre o Santa Cruz de Tará e o Sport Recife do goleador Marcílio Aguiar. A disputa foi pau a pau do início ao fim. O Santa Cruz começou arrasador, vencendo seus primeiros cinco jogos até que chegou a hora do confronto com o rubro-negro em 30 de julho.  Sport Recife e Santa Cruz fizeram um jogo eletrizante com dez gols no Campo da Jaqueira, no empate em 5 a 5. Tará, do tricolor e Marcílio Aguiar, do leão, fizeram dois gols na partida. O Náutico por sua vez, lançava os irmãos Carvalheira, que fizeram grande sucesso no futebol pernambucano. Entretanto, terminou em terceiro no grupo. Sendo surpreendido pelo Íris, quando empatou em 3 a 3, mas venceu em 25/6, o Sport Recife por 2 a 1 e o Santa Cruz em 15/11, por 1 a 0. O jogo mais esperado do campeonato e também o mais importante, ficou reservado para o dia 10 de dezembro, no campo da Avenida Malaquias, pela decisão da série azul. O Santa Cruz logo pela manhã, já havia conquistado o título juvenil ao derrotar o América por 2 a 1. Á tarde, os tricolores arrebataram o campeonato do segundo quadro, vencendo o Sport Recife por 5 a 2. Para os tricolores só restava vencer a partida final do campeonato principal para fechar com chave de ouro a temporada. Alguns jogos deixaram de serem realizados por falta de iluminação ou desinteresse das equipes por o jogo não valer mais classificação. O regulamento da época permitia esse procedimento. A maior goleada do campeonato aconteceu em 28 de maio, pela Série Branca, o Tuyuty venceu o Fluminense por 10 a 0. A maior goleada da Série Azul aconteceu em 7 de setembro, o Santa Cruz venceu o Encruzilhada por 9 a 0, no Campo da Jaqueira.

O campo estava cheio e com a presença do interventor de Pernambuco, coronel Jurandir Mamede. Além de entrar em campo com a vantagem de jogar pelo empate, o Sport Recife fez um gol de frente, através de Alemão, porém o Santa Cruz logo virou o jogo para 3 a 1, gols de Tará (2) e Limoeiro. Mas uma brincadeira de Zezé Fernandes quase estraga a festa tricolor. Ao receber a bola, Zezé pôs o pé em cima dela e depois sentou-se na bola, debochando dos jogadores do Sport. O árbitro Harry Leça puniu o tricolor com uma falta, que acabou redundando no gol de Marcílio. Os jogadores do Sport Recife, pegaram a bola e correram para o meio de campo numa tentativa desesperada em busca do empate, o que valeria uma vaga na final. Mas assim que Tará tocou a bola para Limoeiro, o árbitro encerrou o jogo que garantiu praticamente o título aos tricolores, pois ninguém acreditava numa proeza do Varzeano, vencedor da Série Branca. O que todos previam aconteceu, num play-off que só foi realizado no início de 1934, o Santa Cruz goleou o Varzeano duas vezes por 5 a 2, terminando a temporada fazendo cabelo, bigode e barba para delírio da imensa torcida coral, que fez uma grande festa na cidade. O Varzeano Sport Club, foi fundado em 13 de maio de 1917, no bairro da Várzea, no Recife. Em seu campo, conhecido por Ambolê, foi realizado o primeiro jogo noturno em Pernambuco.

A campanha do Santa Cruz foi excelente: 16 jogos; 13 vitórias; 2 empate; 1 derrota. Marcou 70 gols e sofreu apenas 23, saldo de 47 gols. Seus principais artilheiros foram: Limoeiro com 10 gols; Walfrido com 9 gols e Estevão e Tará com 7 gols. O elenco tricolor tricampeão era formado por: Diógenes, Sherlock, João Martins, Marcionilo, Sebastião “da Virada” França, José Fernandes, Walfrido, Humberto Ribeiro (o Limoeiro), Humberto Viana (o Tará), Lauro Monteiro, Carlos Bening, Floriano Carvalho (o Dadá), Fernando Melo, Ernane Zolocovick, Júlio Fernandes, Estevão Pequeno e Artur Danzi Filho.

AS GRANDES GOLEADAS: Série Azul – Santa Cruz 9 x 0 Encruzilhada; Íris 8 x 0 Encruzilhada; Santa Cruz 8 x 2 Torre; Náutico 7 x 0 Encruzilhada; Sport Recife 7 x 0 Torre; Náutico 7 x 1 América; Sport Recife 7 x 2 Encruzilhada; Flamengo 7 x 2 Encruzilhada; Santa Cruz 6 x 0 Flamengo; Íris 6 x 0 Flamengo; Santa Cruz 6 x 1 Torre; Náutico 6 x 1 Flamengo; Sport Recife 6 x 1 Torre; Sport Recife 6 x 1 Encruzilhada; Náutico 6 x 2 Flamengo; Sport Recife 5 x 1 América; Náutico 5 x 1 Torre; Encruzilhada 4 x 0 Torre; Torre 4 x 0 América. Série Branca: Tuyuty 10 x 0 Fluminense; Varzeano 8 x 0 Fluminense; Tuyuty 6 x 1 Israelita e Varzeano 4 x 0 Great Western.

AS SURPRESAS: Série Azul- Encruzilhada 4 x 0 Torre; Flamengo 2 x 0 Torre; Náutico 3 x 3 Íris; América 2 x 3 Flamengo; Santa Cruz 2 x 2 Íris; América 2 x 2 Íris; Íris 3 x 2 Torre; Encruzilhada 2 x 2 América; Encruzilhada 3 x 0 Torre; Flamengo 1 x 1 América e Torre 4 x 0 América.

OS CLÁSSICOS: 2/4- Santa Cruz 5 x 2 América; 30/4- América 1 x 7 Náutico; 7/5- Santa Cruz 3 x 0 Náutico; 4/6- América 1 x 5 Sport Recife; 25/6- Sport Recife 1 x 2 Náutico; 30/7- Santa Cruz 5 x 5 Sport Recife; 20/8- Santa Cruz 4 x 3 América; 7/9- Náutico 5 x 3 América; 15/10- Sport Recife 3 x 2 América; 15/11- Náutico 1 x 0 Santa Cruz; 26/11- Sport Recife 4 x 3 Náutico e em 10/12- Santa Cruz 3 x 2 Sport Recife.

ARTILHEIRO DO CAMPEONATO: Marcílio Aguiar (Sport Recife) não há registro dos gols marcados.

 Marcílio Aguiar (Sport)

CLASSIFICAÇÃO FINAL*
Série Azul
1º Santa Cruz- 24 pontos
2º Sport Recife- 23 pontos (saldo: 33 gols)
3º Náutico- 23 pontos (saldo: 31 gols)
4º Íris- 11 pontos
5º Flamengo- 9 pontos (4 vitórias/Saldo: -22 gols)
6º Encruzilhada- 9 pontos (4 vitórias/ Saldo: -39 gols)
7º América- 9 pontos (3 vitórias)
8º Torre- 4 pontos

Série Branca
1º Varzeano- 17 pontos
2º Tuyuty- 14 pontos (Saldo: 18 gols)
3º Atheniense- 14 pontos (Saldo: 12 gols)
4º Fluminense- 6 pontos
5º Great Western- 4 pontos
6º Israelita- 3 pontos
*Esta classificação não consta os jogos das finais.

Jogo decisivo da Série Azul

Sport Recife 2 x 3 Santa Cruz
Data: 10/12/1933
Local: Campo da Avenida Malaquias (Sport)
Renda e público: não há registro
Árbitro: Harry Leça
Gols: Tará (2) e Limoeiro para o Santa Cruz e Alemão e Marcílio Aguiar para o Sport Recife.
Sport Recife perdeu com: Muniz; Alderito e Fernando; Bivar, Paulo e Brivaldo; Alemão, Marcílio Aguiar, Julinho, Gayoso e Rodolfo. O Santa Cruz venceu com: Diógenes; Sherlock e João Martins; Marcionilo, Sabastião da Virada e Zezé; Walfrido, Limoeiro, Tará, Lauro e Carlos.

FINAIS

1º jogo
Santa Cruz 5 x 2 Varzeano
Data: 25/2/1934
Local: Campo da Jaqueira
Renda e Público: sem registro
Árbitro: Harry Leça
Gols: Limoeiro, Tará, Lauro (2) e Carlos (Santa Cruz); Edgar e Quincas (Varzeano)
Santa Cruz venceu com: Dadá; João Martins e Fernando; Marcionilo, Sebastião da Virada e Ernani; Estevão, Limoeiro, Tará, Lauro e Carlos. O Varzeano perdeu com: França; Perdido e Quida; Ernesto, Zequinha e Messias; Gato, Zezinho, Quincas, Waldemar (Edgar) e Lula.
Tará (Santa Cruz)

2º jogo
Santa Cruz 5 x 2 Varzeano
Data: 4/3/1934
Local: Campo da Jaqueira
Renda e público: sem registro
Árbitro: Constantino Caldas
Gols: Limoeiro (2), Tará (2) e Lauro (Santa Cruz) e Quincas e Lula (Varzeano)
Santa Cruz venceu com: Dadá; Marcionilo e Fernando; Julinho, Sebastião da Virada e Ernani; Cachorrinho, Limoeiro, Tará, Lauro e Estevão. Varzeano perdeu com: Arara; Perdido e Quida; Quincas, Zequinha e Messias; Lula, Walfrido, Fernando, Zezinho e Edgar.

SANTA CRUZ TRICAMPEÃO PERNAMBUCANO.

Outros campeões estaduais pelo Brasil em 1933:
São Paulo: Palestra Itália (atual Palmeiras) foi o campeão;
Rio de Janeiro: Pela AMEA, Botafogo foi campeão, e pela LCF, o Bangu foi o campeão;
Minas Gerais: Vila Nova, de Nova Lima foi o campeão;
Rio Grande do Sul: São Paulo, de Rio Grande foi o campeão;
Paraná: Coritiba foi o campeão;
Bahia: Bahia campeão;
Ceará: Fortaleza foi o campeão;
Pará: Clube do Remo foi o campeão.

Por: Jânio Odon
Fonte: Diário de Pernambuco e Livro “História do futebol em Pernambuco” de Givanildo Alves, Editora Bagaço.