sábado, 28 de maio de 2016

A História de Peixinhos: dois bairros e um só coração

Panorama do bairro de Peixinhos, em Olinda. Vista do Nascedouro. Foto: Movimento Boca do Lixo.

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Peixinhos é uma localidade muito antiga e seu povoado surgiu por volta da segunda metade do século XIX. Antes, chamado de Peixinho, estas terras pertenceram a Jerônimo de Albuquerque, que fundou o engenho de açúcar Nossa Senhora da Ajuda, que depois se transformou em Engenho Velho e Forno da Cal. A origem do nome “Peixinho” tem tudo haver com o Rio Beberibe que corta o duplo bairro e que até 1832, suas águas eram tão limpas que abasteciam a população de Olinda e do Porto do Recife com sua água potável e produção de peixes historicamente pequenos. No início do século XX, Peixinhos foi dividido em dois. O Peixinhos do Recife, pequeno e privilegiado, com matadouro, bondes elétricos e trólebus. O Peixinhos de Olinda, gigante e desafiador. O bairro do Curtume de Santa Maria, do fosfato, da feira livre, que já foi a maior da RMR, do CAIC, das manifestações culturais, da Avenida Presidente Kennedy. De acordo com o censo do IBGE (2010), a população de Peixinhos do Recife, é de quase 5 mil habitantes e o Peixinhos de Olinda, atinge mais de 36 mil habitantes. Conheça um pouco desse duplo bairro de Peixinhos, histórico, emblemático e desafiador.


Tudo começou com a chegada do donatário Duarte Coelho Pereira (o primeiro governador de Pernambuco) em 1535 para assumir a Capitania de Pernambuco  As primeiras providências do donatário foi povoar as terras da capitânia, para isso, combateu os índios expulsando-o de suas terras. Concretizado o fato, Duarte Coelho começou a doar  terras aos nobres portugueses que o acompanharam na viagem, através das sesmarias (doação de terras). No período colonial brasileiro a legislação fundiária permitia que o governante cedesse pequenas ou grandes parcelas de terras de acordo com a posição ou prestígio que o indivíduo ocupava na sociedade, sendo de forma definitiva ou revogável. De acordo com a legislação fundiária o processo era feito por meios de avisos, resoluções administrativas, cartas de doação (foral), bem como textos de ordenações.

Jerônimo de Albuquerque, fundou em 1542, um dos primeiros engenhos de cana de açúcar de Pernambuco, denominado de Engenho Nossa Senhora da Ajuda. Para alguns historiadores, o primeiro de Pernambuco. Para outros, o Engenho São Salvador, que ficava localizado na margem direita do Rio Beberibe, nesta região, e que também pertencia a Jerônimo de Albuquerque, e que foi fundado neste ano, só que meses antes. Todavia, segundo consta no livro da Casa da Índia da Alfândega de Lisboa, do início do século XVI, o recebimento em Portugal, do açúcar vindo do engenho de Pedro Capico, localizado na Ilha de Itamaracá em 1526. Salientando-se que, nesta época, Itamaracá era uma capitania independente de Pernambuco, governada pelo donatário Cristovão Jacques e que só foi anexada a Pernambuco por volta de 1760.


Jerônimo de Albuquerque, era cunhado de Duarte Coelho, que era casado com sua irmã, Brites de Albuquerque. Ganhou vasta extensão de terras em Serinhaém, Paulista e Olinda. Jerônimo de Albuquerque ao receber as terras, logo cuidou de desbravá-las. E numa dessas investidas, se defrontou com os índios tabajaras no dia 2 de janeiro de 1547. No confronto, Jerônimo de Albuquerque levou uma flechada e perdeu um dos olhos. Fora de combate, ele foi capturado pelos tabajaras e levado para a aldeia como prisioneiro. Na aldeia, foi julgado e condenado à morte pelo cacique Uirá Ubi (Arco Verde), mas graças a intervenção da filha do cacique, a índia chamada de Tabira ou Tindarena, que  apaixonou-se perdidamente pelo prisioneiro e o quis como marido. Jerônimo, foi poupado, e casou-se com Tabira. O enlace selou a paz  entre os índios tabajaras e os colonizadores portugueses. Após o casamento católico, Tabira foi batizada e passou a se chamar Maria do Espírito Santo Arco Verde, tiveram oito filhos. Depois deste episódio, Jerônimo de Albuquerque recebeu o apelido de “o torto”. Jerônimo de Albuquerque faleceu em 25 de fevereiro de 1583 e foi sepultado na Capela Nossa Senhora da Ajuda, em Engenho Velho.


Documentos do início do século XVII, revela que onde mais tarde surgiria o povoado de Peixinho, pertencia às terras do Engenho Velho e que depois passaria a chamar-se Forno da Cal. A área era gigantesca, para se ter uma ideia de sua dimensão, nestas terras, atualmente ficam os bairros de: Peixinhos e o bairro homônimo, parte de Aguazinha, Vila Popular, Salgadinho, Jardim Fragoso, todo Jardim Brasil, Ouro Preto e Cidade de Tabajara.


Em 15 de março de 1610, era batizado na ermida do Engenho Velho, Domingos Fernandes Calabar. Ele que seria o homem mais odiado pelos portugueses durante a ocupação holandesa a Pernambuco. Calabar, foi de grande importância para os holandeses que não conheciam a região invadida e vinham levando desvantagens nos combates com os luso-brasileiros. Calabar que odiava os portugueses e conhecia todos os atalhos do litoral, se debandou para o lado dos batavos. A partir daí, os holandeses começaram a levar vantagens sobre os luso-brasileiros e consolidaram a conquista durante 24 anos.


No período holandês (1630-1654) o Engenho Nossa Senhora da Ajuda já era conhecido como Engenho Velho ou Forno da Cal. O relatório do comandante holandês Adrian Van Der Dussen a serviço da Companhia das Índias Ocidentais de 1639, revelava que o Engenho Velho ficava próximo a Olinda (referia a cidade alta) e pertencia ao português Manuel Alvares Deusdará e que lá funcionava um forno de cal.  


Por volta da década de 1660, religiosos da  irmandade católica  de São Filipe Néri (os oratorianos) fundaram sua congregação em Forno da Cal, que além de outros bens, receberam diversas porções de terras durante anos.


Em 1676, Olinda é elevada a categoria de cidade. No final do século XVII e início do século XVIII, O Forno da Cal se encontrava nas mãos do capitão-mor José de Sá de Albuquerque, um dos descendentes de Jerônimo de Albuquerque.


Meados do século XVIII, Forno da Cal pertencia aos jesuítas, que começaram a serem expulsos a partir de 1759, tiveram todos os seus bens confiscados. A propriedade de Forno da Cal foi vendida em hasta pública.


Em 1826, parte do Forno da Cal passou a ser propriedade do Coronel, Bento José da Costa, em hasta pública.


Em 1830, aquelas terras de Forno da Cal que foram adquiridas pela congregação dos padres de São Filipe Néri, devido a extinção dessa ordem, foram incorporados ao patrimônio da Santa Casa de Misericórdia. 
Henry Gibson
 
Em 27 de outubro de 1859, o bem sucedido comerciante inglês, Henry Gibson, adquiriu a propriedade de Forno da Cal através de foro concedido pela Câmara de Olinda. Na ocasião de posse, Henry, encontrou a propriedade de Forno da Cal decadente, o Engenho Velho, já não produzia mais açúcar e estava invadido por posseiros. Ele reintegrou-se das terras invadidas, ocupou toda área pantanosa alagada e terras de alvorêdos. Conseguiu fortuna com vendas de madeira, arrendamentos de terras para cultura agrícola e pastagens e pelos negócios da cal.   O inglês Henry Gibson veio da cidadezinha de Great Harwood e se naturalizou-se no Recife, foi um dos responsáveis pela implantação do gasômetro do bairro de São José no mesmo ano que adquiriu a propriedade de Forno da Cal.


De acordo com o Dicionário Topográfico Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco de 1863, a antiga estrada que antecedeu a atual Avenida Presidente Kennedy, foi aberta através da Lei Provincial Nº 152 de 30 de março de 1846. A estrada ligou o terreno ao sul do Forno da Cal  à Freguesia de Beberibe, que na ocasião pertencia a Olinda.

 Planta da Cidade do Recife e seus arrabaldes de março de 1875, mostrando a estrada que ligava o Porto da Madeira ao Forno da Cal, no Engenho Fragoso e o povoado de Peixinho.

Em Planta da Cidade do Recife e seus Arrabaldes de março de 1875, organizada pela repartição das obras públicas, sob determinação do Sr. Henrique Pereira de Lucena, Presidente da Província de Pernambuco, conforme Art. Nº 36 da Lei Provincial Nº 1141, revela o surgimento do povoado de Peixinho (ainda no singular) e a velha estrada aberta em 1846, que antecedeu a atual Avenida Presidente Kennedy que foi aberta em 1968. Na velha estrada que começava na Praça Nossa Senhora da Conceição (atual Praça da Convenção) em Beberibe, passando por São Benedito e Porto da Madeira, seguindo à direita (atual Rua Dalva de Oliveira) até atingir a estrada de ferro da Estrada Nova de Beberibe (atual Avenida Beberibe). Este trecho ficou conhecido a partir do século XX, por Estrada do Matumbo. O outro braço da estrada seguia da Rua Dalva de Oliveira, pelo caminho onde atualmente fica o prédio da Antarctica até atingir a Estrada de Aguazinha pela vegetação e plantações do futuro bairro de Jardim Brasil seguindo pelo caminho existente (atual Perimetral da PE-15) até atingir às terras do Fragoso, onde chega-se ao Forno da Cal (onde atualmente ficam os bairros de Jardim Fragoso e Cidade de Tabajara). Na intersercção  desta mesma estrada seguindo à direita, encontramos o Sítio do Salgueiro (onde atualmente fica a Rádio Tamandaré) e mais adiante o povoado do Peixinho. Este trecho, depois ficou conhecido como Estrada de São Benedito.
 Matadouro de Peixinhos (Recife) em 1925. Foto: Fundaj.

O MATADOURO INDUSTRIAL MUNICIPAL DO RECIFE (MATADOURO DE PEIXINHOS)


Em 1874, foi lançada a pedra fundamental do Matadouro Industrial Municipal do Recife. Alguns contratos foram feitos para dá início a obra, entretanto, nenhum foi cumprido. Em 1911, o prefeito do Recife, Archimedes de Oliveira, fecha contrato com o engenheiro civil e bacharel em direito Joaquim José de Almeida Pernambuco (Dr. Pernambuco), que havia adquirido vários sítios em Forno da Cal, tanto do lado recifense, quando do lado olindense. Finalmente em 1912, começaram efetivamente, as obras do matadouro. O edifício era composto de: pavilhão da diretoria, hall de circulação, de abate de gado graúdo e miúdo, hall de abate de porcos, instalações frigoríficas, seção sanitária, oficina de limpeza, sala para preparo de fressuras (conjunto das vísceras mais grossas de alguns animais), salsicharia, forno e crematório, tudo abrigado em 15 blocos. Parte do material utilizado na sua construção foram importado. O ferro da estrutura da cobertura veio da França. Azulejos, telhas e vidros, também vieram da Europa. Em 1919, equipamentos do antigo matadouro do Cabanga que foi fechado, foram transferidos para o matadouro de Peixinhos, assim que foram concluídas às obras. O couro do gado bovino era negociado com o curtume Santa Maria que funcionava próximo ao matadouro em Peixinhos (Olinda). A de salientar, que o matadouro está localizado no município do Recife, no bairro do Peixinhos (Recife). Em sessão ordinária na Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE) do dia 6 de outubro de 1975, o deputado estadual José Fernandes anunciava o fechamento do Matadouro de Peixinhos (Recife) da seguinte forma: “O fechamento do Matadouro de Peixinhos foi uma determinação de órgão federal, em vista das precárias situações sanitárias daquele abatedouro. Esclarece que o prefeito do Recife, Antônio Farias está fazendo o levantamento de todos os servidores que ali trabalham, para aproveitá-los em outros setores da administração municipal”.


O Curtume Santa Maria surgiu junto com o Matadouro de Peixinhos (Recife) em 1919, e pertencia a família Cunha Andrade, que trabalhava com o couro bovino beneficiado adquirido no matadouro. Com a decadência do Matadouro de Peixinhos (Recife) o curtume se transformou na Imobiliária Santa Maria que era dirigida pelo Sr. Fernando da Cunha Andrade, e funcionava na Praça dos Peixinhos, Peixinhos (Olinda). Um dos empreendimentos da Imobiliária Santa Maria foi o loteamento do Sítio Aguazinha com 74.837,49 m² e o Sítio Ilha com 59.857,90m², ambos localizados em Peixinhos (Olinda) em outubro de 1959. (FIM) 
Charles Frederick Hartt
 
No dia 16 de setembro de 1875, uma comissão geológica chefiada pelo geólogo norte-americano nascido no Canadá, Charles Frederick Hartt comunicou ao governo imperial de D. Pedro II, que havia encontrado em terras de Forno da Cal, um calcário branco e compacto de onde havia retirado alguns fósseis (gastrópodes e dentes de tubarão).


Em 1904, alguns sítios do Forno da Cal e adjacentes foram adquiridos pelo engenheiro civil Joaquim José de Almeida Pernambuco (Dr. Pernambuco) que pertenciam a Família Gibson, que detinha as terras de Forno da Cal, entre eles: o Água Fria, Olha, Dona Manuela, Boca da Maré, Jangada ou Jangadinha e a área de Pântano ( onde atualmente ficam a Moto Mais e o giradouro do Complexo de Salgadinho). Entre 1907 e 1923, Dr. Pernambuco, que o povo dizia que era podre de rico, comprou os sítios: Trapicheiro, Aguazinha, do Viana, Serafim, Maria Libânia, do Fundão ou Olga de Souza, Nesga de Terra, do Braga ou Água Fria do Fragoso, do Ferreira, dos Arcos, e parte de terra da marinha e anexou ao Forno da Cal.

 O Rio Beberibe fotografado por Augusto Stahl em 1858.

O Dicionário Corográfico Pernambucano de 1908, relatando a trajetória do Rio Beberibe desde a sua foz em Camaragibe até Olinda, revela as características existentes de seu leito e sua importância na época, e que com o passar do tempo, o homem destruiu completamente e que atualmente o governo tenta recuperar sem poder. Destaca-se sua trajetória pelo percurso onde na época citada ficava os povoados de Porto da Madeira, Coqueiros, Sítio do Salgueiro e Peixinho (no singular), onde a narrativa é descrita da seguinte forma: “... o vale deste rio, desde a sua nascença até a povoação de Beberibe, é muito estreito, porém da povoação para baixo alarga-se bastante, de maneira que, a pouca distância, entre a grande várzea denominada pântano de Olinda. Os terrenos laterais ao rio são de barro ferruginoso e massapê, e nos lugares mais baixos, ariscos; segundo dizem, não são de grande produção; mas, é de presumir não seja isso exato, porque ali se encontram muitas plantações, tais como mandioca, macaxeira (aipim), que produzem em grande abundância, e em alguns lugares também se encontram a cana de açúcar, o feijão, o arroz, e até mesmo o ananaz, abacaxi, cujas plantações alcançam grandes proporções, e produzem abundantemente sem auxílio de estrume”.


Em 10 de junho de 1919, o governador de Pernambuco, Manoel Antônio Pereira Borba, sancionou a Lei Estadual Nº 1430, que delimitava as áreas dos municípios de Olinda e Recife onde fazia referência a localidade de Peixinhos da seguinte forma: “ ...no ponto em que passa a cerca separatriz dos sítios Sant’anna e Baixa do Gabriel, atingem a margem do pântano de Olinda (Peixinhos), no ponto em que findam os limites dos referidos sítios, seguem pelo rio novo até o riacho Água Fria (canal do Arruda) e por estes, até sua foz no Beberibe, pelo qual sobem até o ponto extremo dos limites das propriedades do matadouro e curtume dos Peixinhos de onde seguem até o largo do mesmo matadouro, em direção normal à estrada do Fundão,...”

 Escola Dom Bosco em Peixinhos (Olinda), a primeira do bairro olindense. Foto: Jornal Pequeno/Pernambuco Arcaico (tirada em 27/8/1949).

A PRIMEIRA ESCOLA


Em 1933, A Fundação Dom Bosco, ligado aos Salesianos, adquiriu por doação do Dr. Pernambuco, uma propriedade que foi desmembrada do Forno da Cal. Em 1934, a fundação inaugura a Escola Dom Bosco, a primeira de Peixinhos. Em 6 de outubro de 1965, a prefeitura de Olinda, concedeu o parcelamento de um terreno com uma área de 44.584,00 M² pertencente ao loteamento Dom Bosco em nome do padre José Airton Guedes. O terreno foi dividido em 7 quadras e 135 lotes. Desde 2004, a escola realiza o projeto na área de gestão para o terceiro setor de forma voluntária. Funciona também, o ICLB- Instituto Cultural Ladjane Bandeira. A Escola Dom Bosco é uma entidade filantrópica que desde sua fundação atende jovens carentes das comunidades de Peixinhos (Olinda) e Jardim Brasil I e II, atua nas áreas de sócio-educação, artes e ofícios e sua missão é de promover a inclusão social de crianças e jovens das comunidades carentes de Olinda através da educação formal e religiosa. Atualmente, Peixinhos (Olinda) conta com importantes unidades de ensino, tanto da rede municipal, como estadual, sem falar nas particulares. Destacam-se: Escola Estadual Monsenhor Arruda Câmara, Escola Estadual Cândido Pessoa, Escola Municipal Monsenhor Fabrício, Escola Municipal Monteiro Lobato, CAIC- Norma Coelho (Municipal) e Escola Municipal Sara Kubitscheck.
 Bondes que circularam em Olinda e Peixinhos (Recife).

OS BONDES ÉLÉTRICOS DE PEIXINHOS (RECIFE)


Os bondes elétricos eram veículos urbanos de tração elétrica que circulavam sobre trilhos e se destinava ao transporte coletivo de passageiros ou de cargas. O serviço de bondes elétricos no Recife foi inaugurado oficialmente no dia 13 de maio de 1914, pela companhia inglesa The Pernambuco Tramways and P. C. Limited, na gestão do governador de Pernambuco, Emydio Dantas Barreto. Com a construção do matadouro industrial do Recife em Peixinhos (Recife) houve a necessidade da construção da linha-férrea para o bairro, já que antigos funcionários que trabalhavam no antigo matadouro do Cabanga foram reaproveitados no novo matadouro, além de novos funcionários admitidos de outras localidades do Recife, Olinda e até da Paraíba. Os bondes elétricos saíam da Estação Central da Tramways a partir da meia-noite, mas o de Peixinhos (Recife) obedecendo a tabela de horários da companhia, só começava a circular a partir das 3 horas da manhã, seu trajeto até o Recife era o seguinte: Saía do matadouro pela rua Correia de Brito; Estrada de Belém; Estação da Encruzilhada; Avenida João de Barros; Rua do Príncipe; Ponte Princesa Izabel e encerrava na Avenida Rio Branco (Recife antigo).  Os bondes elétricos de Peixinhos (Recife) circularam no bairro até a primeira metade da década de 50 do século XX. (FIM).


PEIXINHOS (OLINDA), TERRA RICA EM FOSFATO


No dia 21 de julho de 1944, herdeiros do Dr. Pernambuco (que havia falecido) venderam as terras de Forno da Cal para um grupo de acionistas da Usina Catende, presidida pelo industrial Antônio Ferreira da Costa Azevedo que criou a empresa denominada de Novas Indústrias Olinda S/A (Novolinda).
Antônio C. Azevedo
 
Em 1949, Antônio Ferreira da Costa Azevedo solicitou ao professor e químico, Paulo José Duarte, que realizasse estudo do solo das terras do Forno da Cal, que após análise, constatou que havia grande presença de fosfato no subsolo.


Em 1951, foi criada outra empresa para exploração de fosfato em terras de Forno da Cal, só que na área onde ficava o engenho Fragoso, onde atualmente fica a Cidade de Tabajara (Olinda), a empresa denominada de Companhia Indústrias Reunidas Olinda (CIRO).


De 1951 a 1955, o consumo de fertilizantes fosfatados no Brasil foi de 47.716 toneladas, das quais 17% consistiam na produção interna. Os fosfatos proviam principalmente da jazida de Jacupiranga (São Paulo), explorada pela Serrana S/A, e da jazida  de Forno da Cal (Olinda) pela Fosforita S/A.


Em 15 de maio de 1953, a Novolinda e a Ciro se unem e formam a Fosforita Olinda S/A (FASA). O objetivo principal desta junção, era com o solo de suas propriedades fundiárias, no sentido de ampliar investimentos em empreendimentos imobiliários e com a produção de fertilizantes em grande escala na exploração do subsolo. Ainda neste ano, começou a exploração de fosfato em Forno da Cal. Sua sede ficava na Estrada de São Benedito, em Peixinhos (Olinda).


Em outubro de 1955, a Novolinda desmembra trecho do Forno da Cal implantando o Jardim Novolinda, área localizada nos atuais bairros de Peixinhos (Olinda) e Vila Popular. Dois anos mais tarde, a empresa comunicava deter 70% do capital da Fasa e, como o Forno da Cal apresentava grande valor imobiliário, o patrimônio valorizava-se sensivelmente.
 Em 1958, o Presidente da República, Juscelino Kubitscheck visitando as instalações da Fosforita Olinda, em Peixinhos (Olinda).
Em 19 de janeiro de 1958, foi inaugurado os novos maquinários da Fosforita Olinda S/A (FASA), pelo seu presidente, o industrial Domingos da Costa Azevedo, que contou com a presença do Presidente da República, Juscelino Kubitscheck. O grande investimento, produziu fertilizantes fosfatados em grande escala. Toda produção seguia para São Paulo e o Rio Grande do Sul. A Fosforita Olinda S/A contava com 356 operários e 54 funcionários, muitos deles, do interior do Estado ou de outros Estados nordestino. Neste ano, a Fosforita Olinda S/A construiu a igreja de Nossa Senhora da Ajuda e a escola primária Costa Azevedo na rua da Canequinha, conhecida também como rua dos Canequinhos (atual avenida Antônio da Costa Azevedo). A energia elétrica utilizada pela Fosforita Olinda S/A, necessário ao processo de produtivo e utilização de máquinas de grande potência como a Drag-Line Elétrica, da marca Bucyrus Erie, era fornecida diretamente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) através da linha de transmissão Mirueira-Fosforita.


Em 12 de novembro de 1965, a Empresa Novolinda conseguiu junto a Prefeitura de Olinda a aprovação do parcelamento das terras denominada Cidade Nossa Senhora da Ajuda, possivelmente objeto da requisição, sob Nº2290, de 1964, com Estrada de São Benedito com a Rua da Canequinha (atual Avenida Antônio da Costa Azevedo).


Em 10 de março de 1966, foram aprovados os “planos B e C” do parcelamento das terras denominada, Cidade Nossa Senhora da Ajuda, unindo-se ao “plano A”, a oeste, em nome da Empresa Novolinda. Estes dois planos contaram com 22 quadras e 444 lotes, localizados em Peixinhos (Olinda).


Em 1968, a Fosforita Olinda S/A abre falência. Os motivos foram vários: A baixa cotação do fosfato no mercado internacional; a distância da indústria local dos maiores centros consumidores do produto (Centro e Sul); falta de subsídios governamentais e produtos associados aos custos passo da produção, devido à competição pelo mercado brasileiro de fertilizantes, pleiteada pela empresa Philips Petroleum, da Flórida (E.U.A), promoveu um dumping que consistiu na redução dos preços do produto no mercado até inviabilizar a indústria localizada em Forno da Cal.


Em 1981, trabalhadores rurais que tinham produção agrícola sobre as terras de Forno da Cal na área que foi das jazidas de fosfato, apelaram para o Presidente da República, João Baptista de Oliveira Figueiredo para que não permitisse as empresas Novolinda e Ciro transformarem seus estabelecimentos agrícolas em loteamentos urbanos. Através da Lei Municipal Nº 4.393, de 5 de dezembro de 1983, sancionada pelo prefeito de Olinda, José Arnaldo Amaral, proibia estas empresas da retomada das atividades em terras de Forno da Cal devido das terras já terem sido alvo de parcelamentos urbanos por empresas ligadas a Fosforita Olinda S/A (FIM).


Em 13 de julho de 1947, era criado o comissariado de Peixinhos (Olinda) para atender a população de Peixinhos residentes na Estrada de São Benedito, Areia Branca, Forno da Cal e Sítio dos Arcos.

  Feira de Peixinhos (Olinda). Foto: Adalberto Oliveira.

FEIRA LIVRE DE PEIXINHOS (OLINDA)


Em 1949, começou a funcionar na Rua da Canequinha ( atual avenida Antônio da Costa Azevedo), em Peixinhos (Olinda) a feira livre do bairro, que com a criação do bairro de Jardim Brasil em 1968, quando houve um crescimento populacional muito grande nesta região, transformou a feira de Peixinhos até a década de 1990, a maior feira livre da Região Metropolitana do Recife. Em 1998, a Prefeitura de Olinda transferiu a feira para o pátio do Areial, onde funciona até hoje. (FIM)


Em 1951, é implantado o primeiro chafariz de Peixinhos (Olinda) no local onde em 1955, foi construído o Mercado Público do bairro.


Em 5 de julho de 1952, a Prefeitura Municipal de Olinda aprova o parcelamento de parte do Sítio dos Peixinhos, terreno adquirido em 1946, pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (IAPC) em Peixinhos (Olinda), no qual foi implantado o conjunto habitacional João Goulart, para atender a demanda de seus associados de baixa renda.


Em 1953, A Prefeitura Municipal de Olinda leva iluminação pública para o centro de Peixinhos (Olinda). Destaca-se: a Rua da Harmonia (atual Terezita Bandeira) e a Rua do Canequinho (atual Avenida Antônio da Costa Azevedo).


Em 15 de novembro de 1955, o prefeito de Olinda, Antônio Lopes, inaugurou o Mercado Público de Peixinhos.
 O ônibus elétrico que fazia a linha de Peixinhos/Via Suassuna em 1970.

O TRÓLEBUS – A ERA DO ÔNIBUS ELÉTRICO


Em 1959, o prefeito do Recife, Pelópidas Silveira, adquiriu dos Estados Unidos à Marmon-Herrington, um lote de 65 ônibus elétricos, o chamado trólebus. Na primeira leva, chegaram os primeiros cinco ônibus, modernos para época, tinham capacidade para transportar cem passageiros, sendo quarenta e nove sentados e eram os únicos do Brasil a possuírem ventilação artificial, equipados com motores Westighouse de 140 HP. Em 1960, já na gestão do prefeito Miguel Arraes de Alencar começaram a circular os primeiros, na linha de Casa Amarela. Depois vieram outras linhas, entre elas, a linha de Peixinhos (Recife), que teve o privilégio de contar com os ônibus elétricos em dois itinerários distintos:  Peixinhos- via Espinheiro e Peixinhos- via Suassuna. O terminal no subúrbio ficava próximo ao Matadouro de Peixinhos (Recife). Os ônibus elétricos circularam pelo bairro de Peixinhos (Recife) entre 1960 e 1981. (FIM)


De acordo com a publicação feita pela Revista Brasileira de Geografia em 1962, havia um trecho em Peixinhos conhecido por Areia Branca, trecho este, compreendido entre Vila Popular Bernardo Vieira de Melo e a Fosforita Olinda S/A, atualmente no lugar onde fica a feira livre de Peixinhos é conhecido por Areial. Tudo faz crer, que tenha conotação com esta referência. Existe outro local em Olinda com este nome. Fica entre a rua São Miguel e a estrada de Rio Doce, nas vizinhanças dos Bultrins, segundo a revista.

 Avenida Presidente Kennedy foi aberta em 1968. Foto: Flickr/2009.

Em 1968, é inaugurada a Avenida Kennedy, como era chamada no início, na gestão do prefeito de Olinda, Benjamin de Aguiar Machado. Todavia, o processo de pavimentação foi bastante lento, sob alegação de falta de recursos já que a mesma possui 6 quilômetros de extensão. A avenida foi aberta no barro batido, sem asfalto e durante anos foi sendo pavimentada por etapas.


Ainda em 1968, foi criada a Vila da Cohab de Peixinhos (Olinda). O Diário de Pernambuco destacou: “Houve uma experiência habitacional pioneira, a transformação dos mocambos e casas de taipa em casas de alvenaria, de dois pavimentos (duplex), para aproveitamento das reduzidas áreas que ocupavam, ficando como mutuários os moradores do local”.


Em 30 de janeiro de 1970, era criada a SANER (Saneamento do Recife) que atuou junto com a criada Compesa, mais que é considerada a sua antecessora. Em 1971,  a SANER fez em Peixinhos (Recife) o passadiço sobre o rio Beberibe para os emissários do Sistema Peixinhos que funciona na Avenida Jardim Brasília, no valor de CR$ 61.885,00 (Sessenta e um mil, oitocentos e oitenta e cinco cruzeiros).


No dia 29 de agosto de 1972, o prefeito de Olinda, Ubiratan de Castro, dá início a pavimentação da avenida Presidente Kennedy em convênio com a COHAB.


Em 2 de novembro de 1972, foi liberado a quantia de CR$ 420.000,00 (quatrocentos e vinte mil cruzeiros) no montante de CR$ 4.300.000,00 (quatro milhões e trezentos mil cruzeiros) referente a primeira parcela do convênio firmado entre a COHAB e BNH na construção de 250 casas no bairro de Peixinhos, no total de 1.600 casas.
 Girador do Complexo de Salgadinho, (à esquerda) Avenida Presidente Kennedy; (acima) Avenida Pan Nordestina. Atualmente neste circulo existe um viaduto. Foto: Flickr./2005.

No dia 2 de fevereiro de 1975,  foi liberado após conclusão, trecho do girador do Complexo de Salgadinho, em Peixinhos (Olinda), ligando a estrada do Paulista (atual Pan Nordestina) até próximo ao 7º R.O em Ouro Preto.
Nascedouro de Peixinhos (Recife), inaugurado em 2006.
 DO CENTRO SOCIAL URBANO (CSU) AO NASCEDOURO DE PEIXINHOS


Maio de 1977, começam as obras de adaptação do antigo matadouro de Peixinhos (Recife) em Centro Social Urbano (CSU), a área total do terreno é de 40.992 M² e um conjunto de 15 blocos construídos. Em abril de 1978, após as adaptações feitas, dá-se início a construção do CSU com recursos dos governos municipal, estadual e federal. O prédio central teve 90% da estrutura metálica recuperada. A obra custou CR$ 423.000,00 (quatrocentos e vinte três mil cruzeiros). Nele funcionava um núcleo da Fundação Guararapes.


Em 1981, o prefeito do Recife, Gustavo Krause na tentativa de concluir as obras do CSU, no velho matadouro de Peixinhos, conseguiu recursos na ordem de CR$ 54.700,000,00 (cinquenta e quatro milhões e setecentos mil cruzeiros). Os recursos vieram do FAZ (Fundo de Assistência Social) CR$ 34,7 milhões, e da Caixa Econômica Federal: CR$ 20 milhões. De maio de 1977 a junho de 1979, a prefeitura do Recife já havia gasto com as obras mais de CR$ 16 milhões de cruzeiros. O Centro Social Urbano de Peixinhos (Recife) denominado de CSU- Eraldo Gueiros Leite, só foi inaugurado em 1984, pelo prefeito do Recife, Joaquim Francisco Cavalcanti, que ainda em sua gestão foram retirados toneladas de ferros da estrutura do velho matadouro, causando grande protesto da população.


Depois de anos para reestruturar todo o complexo do matadouro e seu centro social, além do gasto astronômico do dinheiro público na obra. Com o passar dos anos, o velho matadouro revitalizado começou a se deteriorar e se tornar foco de bandidos e drogados. O velho matadouro voltou a ficar decadente e ruir. Mais nos anos 90, grupos ligados a manifestações sócio culturais de Peixinhos (Olinda) começaram a reivindicar o espaço do velho matadouro para suas atividades. A ideia era transformar o matadouro em nascedouro de manifestações culturais e de cidadania, transformar e melhorar a imagem do bairro, que na ocasião constava nas estatísticas como um dos bairros mais violentos de Olinda, com alto índice de criminalidade, com muitos homicídios e tráfico de drogas. Um dos lugares mais conhecidos em Peixinhos pela violência era a comunidade do Condor, popularmente conhecida como “Favela do Condor”. Pois bem, esses grupos culturais queriam que o bairro de Peixinhos ficasse conhecido como o berço das manifestações culturais de Olinda, e não, como Peixinhos da favela do Condor e sua violência. A luta desses grupos surtiram efeito, em 1999, o Projeto Prometrópole, coordenado pelo Governo do Estado e o Banco Mundial, que tem como objetivo principal a implementação de ações integradas de infraestrutura urbana e de provisão de serviços públicos que beneficiem as áreas ocupadas pela população de baixa renda. O  Prometrópole apostou na revitalização do Nascedouro que hoje abriga o Balé Afro Majê Molê; Grupo da Terceira Idade; ONG Grupo Comunidade Assumindo suas Crianças; Grupo Saúde Condor Cabo Gato; Biblioteca Multicultural Nascedouro; Movimento Cultural Boca do Lixo e o Grupo Alcoólicos Anônimos. O nome Nascedouro foi criado por um poeta da comunidade ligado ao Movimento Cultural Boca do Lixo, Caetano Alves Pereira. O Nascedouro só foi inaugurado em 17 de março de 2006.
Rádio Tamandaré, Peixinhos (Olinda)
 RÁDIO TAMANDARÉ


Em 1978, instalava-se Peixinhos (Olinda), no antigo terreno do Sítio do Salgueiro, a Rádio Tamandaré. Emissora que foi inaugurada  em Recife, no dia 3 de março de 1951 por Assis Chateubriand, sendo a terceira rádio do Recife. Em 1984, foi transferida para um prédio na Avenida Mascarenhas de Morais, no bairro da Imbiribeira, no Recife. Em 1994, foi vendida aos empresários: Luiz Cavalcanti Lacerda e Serafim de Sá Pereira e retorna ao seu antigo endereço na Avenida Presidente Kennedy, Peixinhos (Olinda). Atualmente sua programação é dedicada ao público evangélico.


CAIC DE PEIXINHOS


Em 27 de julho de 1994, o prefeito de Olinda, Germano Coelho inaugura em Peixinhos, o CAIC- Centro de Atenção Integral à Criança/Norma Coelho. O programa do Governo Federal era inovador, um sistema de ensino em tempo integral, onde o aluno permanecia o dia todo na escola com várias atividades pedagógicas e recreativas, além de duas refeições por dia. Projeto criado pelo governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola e copiado pelo Governo Federal.


ACEROLA


Em 1995, o censo agropecuário municipal de Olinda, comprovou o aparecimento da fruta acerola em Olinda e Peixinhos(Olinda).


MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DE PEIXINHOS (OLINDA)


Levantamento feito em Peixinhos (Olinda) constatou que existe mais de 48 grupos culturais, no entanto, três merecem destaque: Maracatu Nação Maracambuco, Movimento Cultural Boca do Lixo e o Balé Majê Molê.


Maracatu Nação Maracambuco- Foi idealizado por Marcionilo Antônio de Oliveira. A origem do nome maracatu nação vem dos orixás, cada maracatu tem sua regência, seu orixá. Iemanjá é do Maracambuco. O nome tem um significado: Maracatu de Pernambuco. O maracatu trabalha com setenta crianças e adolescentes, com idade entre 10 e 18 anos. Na oficina, eles aprendem a dançar maracatu, a tocar instrumentos, fazer figurinos, maquiagem e adereços. A primeira apresentação do 
Maracatu Nação Maracambuco aconteceu em 9 de junho de 1993.


Movimento Cultural Boca do Lixo- Foi organizado por jovens de Peixinhos que buscavam espaço para difundir o rock e punk no bairro. O estilo musical barulhento e a maneira agressiva e exótica de se vestir em apresentações pelas ruas do bairro, virou caso de polícia. Os moradores não viam com bons olhos aquelas algazarras e logo chamavam a polícia, que vinha e acabava a festa. Isto aconteceu por volta de 1993.


Em 1995, com ajuda de uma ONG denominada “ Comunidade assumindo suas crianças”, localizada no bairro e coordenada por um antigo morador, o grupo resolveu que seu objetivo a partir de então seria promover um espaço de interação e troca de diversas expressões culturais produzidas no bairro. Assim, não só a música teria espaço, mas também a dança, o teatro, a poesia e a pintura.


A escolha do nome do movimento surgiu como uma homenagem às pessoas que lutaram, nos anos de 1983 e 1984, contra a instalação de uma estação de tratamento de lixo no bairro. Com a luta dos moradores ao longo de um ano, foi conseguido que o lixão não fosse instalado, sendo transferido para o bairro vizinho de Aguazinha.


Ainda em 1995, foi organizado o primeiro evento promovido pelo Movimento Cultural Boca do Lixo, a primeira semana  de cultura de Peixinhos, realizada no CAIC- Norma Coelho. Esse evento contou com diversas expressões culturais, como música, poesia, dança e artes plásticas, e teve como preço simbólico para entrada no evento a doação de 1 Kg de alimento não-perecível. Os alimentos arrecadados foram distribuídos para as pessoas que viviam à procura de comida no lixão de Aguazinha. O evento foi um grande sucesso e veio a se repetir por vários anos.
Balé Majê Molê de Peixinhos (Olinda) Foto: Folha de Pernambuco.
 Balé Afro Majê Molê- Criado em 1997, por Glória Maria da Silva Gomes e o coreógrafo Gilson José Pereira Gomes, que fez parte do balé Arte Negra de Pernambuco. Eles que faziam desde 1995, a festa do dia das crianças no bairro de Peixinhos (Olinda), resolveram introduzir a dança durante a festa, surgindo daí a ideia de formar o balé de dança afro.


O nome do grupo afro Majê Molê veio de um dicionário africano que foi emprestado. O nome significa “crianças que brilham”. O figurino é simples. Composto por roupas feitas de quengas de coco e saias de palhas de coco e tecido. No cabelo elas usam pitós, enfeites coloridos que prendem o cabelo. A ideia dos pitos veio do Texas (EUA), quando um morador do bairro foi participar do show da banda Sepultura e observou que as dançarinas usavam pitós no cabelo. O vestuário foi tirado de uma revista que veio do Maranhão, com quenga de coco, e as meninas chegaram a procurar no lixo a quenga de coco para compor o figurino.

O grupo é composto por 15 garotas, o Majê Molê já alcançou lugar de destaque e é o orgulho do bairro de Peixinhos (Olinda), pois não faltam convites para apresentações. Sua sede fica no Nascedouro de Peixinhos (FIM).


No bairro de Peixinhos (Recife), encontramos um conjunto habitacional denominado de Vila das Pedreiras ou Vila das Mulheres Pedreiras. O conjunto resultou do trabalho de 78 mulheres, atuando em regime de mutirão, para construção de casas com 44m², em um terreno doado pela COHAB, cuja área era de 2,2 hectares. À época, para a presidenta da Federação de Mulheres de Pernambuco, Edna Costa, a vila representava uma conquista para quem ganhava até um salário mínimo e ainda vivia de aluguel. De acordo com informações de moradores, a origem das mulheres pedreiras era de Recife, Camaragibe e outras localidades da Região Metropolitana do Recife, que viviam em áreas de risco.


Em 2000, foi criada a Vila União, conhecida também, com Vila do Lixão, em Peixinhos (Olinda). Contou com a intervenção da EMHAPE, uma vez que a COHAB, foi incorporada pela Pernambuco Participações e Investimentos S/A (PERPART), em 22 de novembro de 1999. De modo, a EMHAPE foi responsável pelo parcelamento da terra em 13 de abril de 2000, na gestão do prefeito de Olinda, Germano Coelho, que remanejou famílias que moravam no lixão de Aguazinha, após a transformação do lixão em aterro sanitário, que não permite a presença de catadores no local.


Na década de 2000, foram criadas as Unidades de Saúde a Família (USF) em Peixinhos (Recife) encontramos a USF- Tasso Bezerra/Chié II; na Peixinhos olindense pela sua grande extensão demográfica temos: as USF- Azeitona, USF- Azeitona II, USF- Professor Antônio Francisco Areias, USF- Cohab Peixinhos I, II e III, USF- Vila Cohab e USF- Vila Tamandaré, além da Policlínica Peixinhos.
 Rua Vasco Rodrigues em Peixinhos (Olinda), começou a surgir os primeiros prédios a partir de 2004. Foto: Flickr.

Em 2004, o bairro de Peixinhos (Olinda) com mais de 40 mil habitantes (CENSO 2010) começava a  verticaliza-se de forma mais contundente. O exemplo é verificado na Rua Vasco Rodrigues, rua onde ficava a sede da Fosforita Olinda S/A, lá, foi construído o Conjunto Residencial Pernambuco, com oito edifícios com quatro pavimentos. A partir daí, os empreendimentos imobiliários não pararam mais. Quem passa em frente a Rádio Tamandaré, percebe que as construções verticais já atingiram o bairro de Jardim Brasil II.


23 de maio de de 2008, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, inaugura em Peixinhos (Recife), o Centro Tecnológico de Cultura Digital (CTCD).


De acordo com o Censo do IBGE (2010), a população do pequeno bairro de Peixinhos(Recife), que começa na Avenida Jardim Brasília, no antigo matadouro e finda na Avenida Professor José dos Anjos, no canal do Arruda, e faz divisa com os bairros recifenses de Campina do Barreto, Arruda e Campo Grande, além do homônimo olindense, tem uma população de 4.998 habitantes, sendo 2.443 do sexo masculino e de 2.555 do sexo feminino. O gigantesco bairro de Peixinhos de Olinda que começa na divisa do bairro de Santa Tereza e finda próximo a perimetral em Aguazinha. Faz divisa com: Aguazinha, Jardim Brasil, Vila Popular, Sítio Novo, Peixinhos(Recife), Salgadinho e Santa Tereza. Sua população é de 36.133 habitantes, sendo 16.758 do sexo masculino e 19.375 do sexo feminino.

Por: Jânio Odon/Blog Vozes da Zona Norte (DIREITOS RESERVADOS)

Fonte: Diário Oficial de Pernambuco/CEPE; Diário da Manhã/CEPE; IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; Dicionário Topográfico Estatístico Histórico da Província de Pernambuco de 1863, de Manoel da Costa Honorato; Dicionário Corográfico Pernambucano de 1908; Revista Brasileira de Geografia de 1962, do Cel. João de Melo Moraes; Bairro de Peixinhos, da Professora Maria do Carmo Andrade/Fundaj; Território municipal de Olinda (PE): parcelamento do solo e diversidade dos espaços urbanos na região metropolitana do Recife (2011) – Roberto Silva de Souza, Doutor Pós Graduado em Geografia da UFPE; Cultura Suburbana de Peixinhos: Entre o Popular e o Pós-Moderno, por: Michelle Pequeno de Azevedo; A Fosforita Olinda S/A (FASA) e sua vinculação com o período desenvolvimentista no Brasil (1953 - 1983), por: Roberto Silva de Souza (UFAL).






6 comentários:

  1. Jânio, li quase todas as tuas postagens acerca da história dos bairros e tal, um trabalho que árduo para construção, eu imagino!! Um presente, para as pessoas, que assim como eu, ficam encantadas com a história, com o passado, com tudo.. Queria falar contigo, não achei teu email por aqui.. Sou do inicio de Águas Compridas, aquele lugar que ninguém sabe se é Águas Compridas ou Sapucaia de Fora.. Minha avó mora aqui há quase 30 anos, e o que sempre me deixa curiosa, é que os documentos da casa são de antigo loteamento, chamado loteamento Caenga. Será que tu não teria por ai algum dado do que foi, se tem a ver com a formação do Alto Nova Olinda que fica mais em cima.. meu e-mail é: silvanaalbuquerque225@gmail.com se tiver algo, ou apenas interesse em ver algo, podemos trocar uma ideia.. Parabéns, mais uma vez.

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  2. Parabéns... belo trabalho de pesquisa.

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  3. gostaria de fotos antigas desde 1970 mostrando mercado publico de peixinhos , av pres. kennedy toda , comercio de peixinhos naquela epoca, a av. com calçamento de paralelepipedo e outros

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  4. A proposta está feita. caso consiga fotos antigas de Peixinhos publicarei. Um abraço!

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  5. escreva algo sobre a historia da campina do Barreto

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