domingo, 16 de fevereiro de 2025

Serra da Raposa (Limoeiro-PE), 1904

 

Gravura da Serra da Raposa (Limoeiro - PE) feita por Isaac Cerquinho em 1904. Fonte: Almanach de Pernambuco.

A Serra da Raposa é um dos pontos mais pitoresco do município de Limoeiro- PE. É lá que foram erguidos uma capela e um monumento do Cristo Redentor, que virou atração turística, atraindo dezenas de pessoas. Hoje, vou transcrever para vocês limoeirenses, um artigo que encontrei nas minhas pesquisas no extinto Almanach de Pernambuco, em seu anuário de 1904, escrito pelo jornalista da época, Isaac Cerquinho, sobre este lugar fascinante da Princesa do Capibaribe, onde aos pés da serra, surgiu Limoeiro. Neste ano, o Presidente da República era Rodrigues Alves; o governador de Pernambuco era Sigismundo Antônio Gonçalves; e o prefeito de Limoeiro era Luiz José da Silva. O artigo dizia o seguinte:

O Monte da Santa Cruz – (dizia o título) - Apresento hoje a vista da Serra da Raposa, também conhecida por Serra da Barrica e na atualidade geralmente cognominada Monte da Santa Cruz. Situado ao norte da cidade de Limoeiro, com altura, pouco mais ou menos, de 500 metros acima do nível do solo, dá-nos ideia o Monte Santa Cruz de uma daquelas ciclópicas e graníticas muralhas que nas épocas das conquistas serviram de defesa às grandes cidades guerreiras.

No sopé desse monte foi construído em 1877, o cemitério público daquela cidade que, se não é grande também não é pequeno, pois tem três ruas de catacumbas, destacando-se diversos jazigos perpétuos, de bonita e elegante arquitetura.

Quando todo orbe católico se preparava para realizar a imponentíssima festa em homenagem ao Cristo Redentor, pela passagem do século, o farmacêutico limoeirense sr. Francisco Athelano de Souza Lacerda concebeu a feliz e luminosa ideia da edificação de uma igrejinha no cume da então Serra da Raposa, por ser o ponto mais elevado no perímetro daquela cidade. Se bem concebida foi a ideia, melhor foi realizada, pois ao cair da tarde do primeiro dia deste século, para este monte subia, depois de benta na Igreja Matriz pelo seu digno vigário Joaquim Antônio da Costa Pinto, uma cruz medindo 16 palmos de comprimento, tamanho igual ao do madeiro em que expirou o inocente e grande mártir da tragédia do calvário.

Meia hora depois, ao som do hino nacional e debaixo da mais íntima e espontânea aclamação ao grande filho de Maria, aquela mesma cruz, que fora em procissão conduzida, colocada em pedestal singelo, porém sólido, olhava triunfante para o céu e estendia seus dois braços sobre a multidão que a aclamava.

A minha pena sente-se humilde para traçar, embora palidamente, a sublimidade e a beleza do quadro que naquela maravilhosa e solene tarde apresentava a todos os olhos o Monte da Santa Cruz!

Serra da Raposa, atualmente. Em destaque, a torre da Igreja Matriz. Ao fundo, o Cristo Redentor e a capelinha. Foto: José Wilker Matos/26.03.2018.

Já, então, os alicerces da igreja estavam começados e em 1901 o povo limoeirense teve o júbilo de ver concluído tão interessante e significativo templo da santa e piedosa religião de Jesus de Nazaré.

No 1º de janeiro de 1902, foi por aquele mesmo sacerdote colocada a imagem do Redentor e celebrada a primeira missa com uma admirável assistência de fiéis. Foi incontestavelmente um dia celebre nos anais da história do catolicismo em Limoeiro.

De então para cá tornou-se tão concorrida por fiéis  e visitantes  da cidade a igrejinha do Monte ou Igrejinha do Redentor, que além do grande número de pessoas que não se assinam no livro de visitas que lá se acha, verificou-se no ano de 1902, 11.733 assinaturas e no ano seguinte: 13.422.

Sobe-se para a Igrejinha por zigue-zagues, sendo meio tormentosa a subida; porém, em compensação, ao chegar-se ao termo, descortina-se a vista mais admirável e encantadora. Pela ligeira notícia que apresento, do Monte da Santa Cruz e ainda mais pela vista do mesmo neste “Almanch” estampada, vêm os leitores que esse Monte é, na realidade, um dos pontos mais dignos de nota da bonita e prospera cidade de Limoeiro. (Finalizou).

Por: Jânio Odon/Vozes da Zona Norte

Fonte: Almanach de Pernambuco/1904.


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