Gravura da Serra da Raposa (Limoeiro - PE) feita por Isaac Cerquinho em 1904. Fonte: Almanach de Pernambuco.
A Serra da Raposa é um dos pontos
mais pitoresco do município de Limoeiro- PE. É lá que foram erguidos uma capela
e um monumento do Cristo Redentor, que virou atração turística, atraindo
dezenas de pessoas. Hoje, vou transcrever para vocês limoeirenses, um artigo
que encontrei nas minhas pesquisas no extinto Almanach de Pernambuco, em seu
anuário de 1904, escrito pelo jornalista da época, Isaac Cerquinho, sobre este
lugar fascinante da Princesa do Capibaribe, onde aos pés da serra, surgiu
Limoeiro. Neste ano, o Presidente da República era Rodrigues Alves; o
governador de Pernambuco era Sigismundo Antônio Gonçalves; e o prefeito de
Limoeiro era Luiz José da Silva. O artigo dizia o seguinte:
O Monte da Santa Cruz – (dizia o
título) - Apresento hoje a vista da Serra da Raposa, também conhecida por Serra
da Barrica e na atualidade geralmente cognominada Monte da Santa Cruz. Situado
ao norte da cidade de Limoeiro, com altura, pouco mais ou menos, de 500 metros
acima do nível do solo, dá-nos ideia o Monte Santa Cruz de uma daquelas
ciclópicas e graníticas muralhas que nas épocas das conquistas serviram de
defesa às grandes cidades guerreiras.
No sopé desse monte foi
construído em 1877, o cemitério público daquela cidade que, se não é grande
também não é pequeno, pois tem três ruas de catacumbas, destacando-se diversos
jazigos perpétuos, de bonita e elegante arquitetura.
Quando todo orbe católico se
preparava para realizar a imponentíssima festa em homenagem ao Cristo Redentor,
pela passagem do século, o farmacêutico limoeirense sr. Francisco Athelano de
Souza Lacerda concebeu a feliz e luminosa ideia da edificação de uma igrejinha no
cume da então Serra da Raposa, por ser o ponto mais elevado no perímetro
daquela cidade. Se bem concebida foi a ideia, melhor foi realizada, pois ao
cair da tarde do primeiro dia deste século, para este monte subia, depois de
benta na Igreja Matriz pelo seu digno vigário Joaquim Antônio da Costa Pinto,
uma cruz medindo 16 palmos de comprimento, tamanho igual ao do madeiro em que
expirou o inocente e grande mártir da tragédia do calvário.
Meia hora depois, ao som do hino nacional
e debaixo da mais íntima e espontânea aclamação ao grande filho de Maria,
aquela mesma cruz, que fora em procissão conduzida, colocada em pedestal
singelo, porém sólido, olhava triunfante para o céu e estendia seus dois braços
sobre a multidão que a aclamava.
A minha pena sente-se humilde para traçar, embora palidamente, a sublimidade e a beleza do quadro que naquela maravilhosa e solene tarde apresentava a todos os olhos o Monte da Santa Cruz!
Serra da Raposa, atualmente. Em destaque, a torre da Igreja Matriz. Ao fundo, o Cristo Redentor e a capelinha. Foto: José Wilker Matos/26.03.2018.Já, então, os alicerces da igreja
estavam começados e em 1901 o povo limoeirense teve o júbilo de ver concluído tão
interessante e significativo templo da santa e piedosa religião de Jesus de
Nazaré.
No 1º de janeiro de 1902, foi por
aquele mesmo sacerdote colocada a imagem do Redentor e celebrada a primeira
missa com uma admirável assistência de fiéis. Foi incontestavelmente um dia
celebre nos anais da história do catolicismo em Limoeiro.
De então para cá tornou-se tão
concorrida por fiéis e visitantes da cidade a igrejinha do Monte ou Igrejinha
do Redentor, que além do grande número de pessoas que não se assinam no livro
de visitas que lá se acha, verificou-se no ano de 1902, 11.733 assinaturas e no
ano seguinte: 13.422.
Sobe-se para a Igrejinha por
zigue-zagues, sendo meio tormentosa a subida; porém, em compensação, ao
chegar-se ao termo, descortina-se a vista mais admirável e encantadora. Pela
ligeira notícia que apresento, do Monte da Santa Cruz e ainda mais pela vista
do mesmo neste “Almanch” estampada, vêm os leitores que esse Monte é, na
realidade, um dos pontos mais dignos de nota da bonita e prospera cidade de
Limoeiro. (Finalizou).
Por: Jânio Odon/Vozes da Zona
Norte
Fonte: Almanach de
Pernambuco/1904.
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