terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

LIMOEIRO (PE): A princesa do Capibaribe em 1913

 

Rua da Matriz no início do século XX. Foto: Limoeiro antigamente/ Facebook.

Transcorria o ano de 1913, era da república velha, o gaúcho Hermes da Fonseca era o Presidente do Brasil; o nosso governador era Emídio Dantas Barreto. Em Limoeiro, assumia à Prefeitura do município, seu sétimo prefeito – Pedro de Souza Lemos. Ele deu continuidade as obras em execuções de seu antecessor Afonso de Sá e Albuquerque.

As ruas de Limoeiro nesta época, ainda eram desalinhadas, mas vivia um tempo de modernização, apesar da iluminação pública ser à base de querosene, demandando também, para os velhos candeeiros residências. A cadeia pública, acabara de ser inaugurada; o açougue municipal, a igreja de Santo Antônio e o belo palacete da Prefeitura de Limoeiro, considerado naquele momento, o prédio mais belo do interior do Estado, estas obras estavam sendo concluídas.

O algodão era o produto mais importante do município, produto de exportação. A cana de açúcar e a mandioca também eram produzidas, mas pequena escala. Todavia, o seu comercio era bastante competitivo e grandioso. Limoeiro neste ano, teve um surto de varíola e outras variantes.

Limoeiro dos trens, dos bondes e do progresso, segue seu rumo para o futuro que virá com o tempo. O passado, serve para contemplar aqueles que com fé, competência e muito suor, transformaram esta cidade na Princesa do Capibaribe.

Vamos reportar ao ano de 1913, num artigo publicado pelo jornalista José Miranda, do extinto periódico “Almanach de Pernambuco” sobre nosso querido, Limoeiro.

Veja na íntegra o artigo e mergulhe neste passado escrito há 112 anos atrás. O artigo dizia o seguinte:

A cidade de Limoeiro, sede da comarca de mesmo nome, acha-se situada numa bela e vastíssima planície à margem esquerda do rio Capibaribe, na altitude 400 metros acima do nível do mar.

Sua fundação deve-se aos caprichos do padre Ponciano Coelho, um dos encarregados nesta zona da catequese dos índios, em começo do século XVII, que por mais de uma vez, trouxera ocultamente da fazenda Poço do Pau, propriedade de um velho português, a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, e colocando-a num velho tronco de limoeiro, onde se acha hoje edificado o templo de sua invocação, mostrava-se admirado e proclamava aos circunvizinhos os efeitos de um milagre, até que foi satisfeito, e em pouco o seu maior anseio  que era a povoação desta parte feiticeira da terra pernambucana, ia realizando-se com as alas de casinhas de taipa e folhas de palmeira, abeirando o rio, que moradores de várias partes, atraídos pelo devotamento religioso, vinham pressurosamente se chegando, e edificavam.

E assim, vem a cidade de Limoeiro, progredindo sempre, com um futuro risonho a acenar-lhe, pois, assoladas estas zonas por secas contínuas, devido à natureza acatingada das terras e a grande e criminosa devastação das matas, ela aparece-nos rica e desenvolvida, com um comercio enorme como talvez sem igual no interior do Estado.

O seu clima é um dos mais salubres, tanto que a sanidade pública um pouco descuidada pelos seus governos, Limoeiro atravessa as épocas mais infecciosas do ano sem contar um caso de varíola ou febres de contágio, é bafejada por brisas gélidas e constantes, apesar de seu ar quente e agradável.

A cidade, se bem que não tenhamos uma certeza real, podemos garantir que é habitada por mais de 10 mil almas, e o município, ao todo, 36 mil, com um número superior a mil casas de tijolo e telha; em ruas e praças, calçadas e iluminadas a querosene.

O município que se limita com terras abrejadas de Glória de Goitá, Bom Jardim, Nazaré e Vitória, cultiva especialmente o algodão, o que é a sua maior fonte de riqueza, aos extremos, cultiva-se a cana e a mandioca, porém em pequena quantidade que não chega para a exportação.

Os bondes de Limoeiro puxados por animais. Foto: Limoeiro das antigas/Facebook.

O seu comercio largamente desenvolvido tem sido, também, a vanguarda do seu progresso e engrandecimento; e ali está, sob a sua iniciativa, a Companhia de bondes, cortando as melhores artérias da cidade com suas linhas de ferro.

A cidade comunica-se diariamente com a Capital do Estado pela estrada de ferro de seu nome. O município tem uma renda anual conforme seu último orçamento de quase 60 contos de réis; sendo um quarto deste rendimento empregado com a instrução pública.

 A cidade, apesar de um pouco mal alinhada em suas ruas e praças, devido ainda  a antiga edificação, o que vai desaparecendo com a evolução que se opera pouco a pouco ao decorrer dos tempos, possui edifícios regulares, como sejam: o açougue municipal, ainda em construção; o templo maçônico Frei Caneca; o mercado Pestana da Silva; o colégio misto estadual; a matriz da Apresentação; o teatro Moreira de Vasconcelos; a igreja de Santo Antônio, em construção; a cadeia pública, elegante e modesto prédio inaugurado a pouco; a estação da Companhia Ferro-Carril; o palacete  do governo municipal, que se acha construindo como, talvez, o primeiro em beleza no interior do Estado.

Mercado Público de Limoeiro. Foto: Arnaldo Newton Pimentel/Facebook.

Tem boas casas comerciais, importadoras e exportadoras; associações diversas como: O Clube Literário Machado de Assis, a Musical Comercial Cesarina e o Centro Literário Coelho Neto. A sua instrução acha-se difundida em doze aulas públicas municipais, duas estaduais, e duas ou três particulares; sem incluir o curso primário, noturno, mantido gratuitamente pela loja maçônica.

A imprensa está representada nos semanários políticos e noticiosos O Democrata, órgão do partido dominante; A Voz do Povo, e O Empata.

Prósperos povoados compõem o município, com feiras aos domingos, dos quais é justiça distinguir Pedra Tapada, Malhadinha, Cedro, Bengalas e Mendes. Na cidade, também existe três vezes na semana rica exposição de gêneros, aos sábados e quartas onde se encontra abundância de frutos, carne seca, queijo do sertão, rapaduras e a melhor farinha, e as quintas-feiras, a de gado, para onde vem compradores de várias partes do Estado.

Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA NORTE

Fonte: Almanach de Pernambuco, anuário de 1913   


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