Rua da Matriz no início do século XX. Foto: Limoeiro antigamente/ Facebook.
Transcorria o ano de 1913, era da
república velha, o gaúcho Hermes da Fonseca era o Presidente do Brasil; o nosso
governador era Emídio Dantas Barreto. Em Limoeiro, assumia à Prefeitura do
município, seu sétimo prefeito – Pedro de Souza Lemos. Ele deu continuidade as
obras em execuções de seu antecessor Afonso de Sá e Albuquerque.
As ruas de Limoeiro nesta época,
ainda eram desalinhadas, mas vivia um tempo de modernização, apesar da
iluminação pública ser à base de querosene, demandando também, para os velhos
candeeiros residências. A cadeia pública, acabara de ser inaugurada; o açougue municipal,
a igreja de Santo Antônio e o belo palacete da Prefeitura de Limoeiro,
considerado naquele momento, o prédio mais belo do interior do Estado, estas
obras estavam sendo concluídas.
O algodão era o produto mais
importante do município, produto de exportação. A cana de açúcar e a mandioca
também eram produzidas, mas pequena escala. Todavia, o seu comercio era
bastante competitivo e grandioso. Limoeiro neste ano, teve um surto de varíola
e outras variantes.
Limoeiro dos trens, dos bondes e
do progresso, segue seu rumo para o futuro que virá com o tempo. O passado,
serve para contemplar aqueles que com fé, competência e muito suor,
transformaram esta cidade na Princesa do Capibaribe.
Vamos reportar ao ano de 1913,
num artigo publicado pelo jornalista José Miranda, do extinto periódico “Almanach
de Pernambuco” sobre nosso querido, Limoeiro.
Veja na íntegra o artigo e
mergulhe neste passado escrito há 112 anos atrás. O artigo dizia o seguinte:
A cidade de Limoeiro, sede da comarca de mesmo nome, acha-se
situada numa bela e vastíssima planície à margem esquerda do rio Capibaribe, na
altitude 400 metros acima do nível do mar.
Sua fundação deve-se aos
caprichos do padre Ponciano Coelho, um dos encarregados nesta zona da catequese
dos índios, em começo do século XVII, que por mais de uma vez, trouxera
ocultamente da fazenda Poço do Pau, propriedade de um velho português, a imagem
de Nossa Senhora da Apresentação, e colocando-a num velho tronco de limoeiro,
onde se acha hoje edificado o templo de sua invocação, mostrava-se admirado e
proclamava aos circunvizinhos os efeitos de um milagre, até que foi satisfeito,
e em pouco o seu maior anseio que era a povoação
desta parte feiticeira da terra pernambucana, ia realizando-se com as alas de
casinhas de taipa e folhas de palmeira, abeirando o rio, que moradores de
várias partes, atraídos pelo devotamento religioso, vinham pressurosamente se
chegando, e edificavam.
E assim, vem a cidade de
Limoeiro, progredindo sempre, com um futuro risonho a acenar-lhe, pois, assoladas
estas zonas por secas contínuas, devido à natureza acatingada das terras e a
grande e criminosa devastação das matas, ela aparece-nos rica e desenvolvida,
com um comercio enorme como talvez sem igual no interior do Estado.
O seu clima é um dos mais
salubres, tanto que a sanidade pública um pouco descuidada pelos seus governos,
Limoeiro atravessa as épocas mais infecciosas do ano sem contar um caso de
varíola ou febres de contágio, é bafejada por brisas gélidas e constantes,
apesar de seu ar quente e agradável.
A cidade, se bem que não tenhamos
uma certeza real, podemos garantir que é habitada por mais de 10 mil almas, e o
município, ao todo, 36 mil, com um número superior a mil casas de tijolo e
telha; em ruas e praças, calçadas e iluminadas a querosene.
O município que se limita com terras abrejadas de Glória de Goitá, Bom Jardim, Nazaré e Vitória, cultiva especialmente o algodão, o que é a sua maior fonte de riqueza, aos extremos, cultiva-se a cana e a mandioca, porém em pequena quantidade que não chega para a exportação.
Os bondes de Limoeiro puxados por animais. Foto: Limoeiro das antigas/Facebook.O seu comercio largamente
desenvolvido tem sido, também, a vanguarda do seu progresso e engrandecimento;
e ali está, sob a sua iniciativa, a Companhia de bondes, cortando as melhores
artérias da cidade com suas linhas de ferro.
A cidade comunica-se diariamente
com a Capital do Estado pela estrada de ferro de seu nome. O município tem uma
renda anual conforme seu último orçamento de quase 60 contos de réis; sendo um
quarto deste rendimento empregado com a instrução pública.
A cidade, apesar de um pouco mal alinhada em suas ruas e praças, devido ainda a antiga edificação, o que vai desaparecendo com a evolução que se opera pouco a pouco ao decorrer dos tempos, possui edifícios regulares, como sejam: o açougue municipal, ainda em construção; o templo maçônico Frei Caneca; o mercado Pestana da Silva; o colégio misto estadual; a matriz da Apresentação; o teatro Moreira de Vasconcelos; a igreja de Santo Antônio, em construção; a cadeia pública, elegante e modesto prédio inaugurado a pouco; a estação da Companhia Ferro-Carril; o palacete do governo municipal, que se acha construindo como, talvez, o primeiro em beleza no interior do Estado.
Mercado Público de Limoeiro. Foto: Arnaldo Newton Pimentel/Facebook.Tem boas casas comerciais,
importadoras e exportadoras; associações diversas como: O Clube Literário
Machado de Assis, a Musical Comercial Cesarina e o Centro Literário Coelho
Neto. A sua instrução acha-se difundida em doze aulas públicas municipais, duas
estaduais, e duas ou três particulares; sem incluir o curso primário, noturno,
mantido gratuitamente pela loja maçônica.
A imprensa está representada nos
semanários políticos e noticiosos O Democrata, órgão do partido dominante; A
Voz do Povo, e O Empata.
Prósperos povoados compõem o
município, com feiras aos domingos, dos quais é justiça distinguir Pedra
Tapada, Malhadinha, Cedro, Bengalas e Mendes. Na cidade, também existe três
vezes na semana rica exposição de gêneros, aos sábados e quartas onde se
encontra abundância de frutos, carne seca, queijo do sertão, rapaduras e a
melhor farinha, e as quintas-feiras, a de gado, para onde vem compradores de
várias partes do Estado.
Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA
NORTE
Fonte: Almanach de Pernambuco,
anuário de 1913
Nenhum comentário:
Postar um comentário