Prefeitura de Limoeiro e torre da Igreja de Santo Antônio. Foto: Jânio Odon/VZN.
Em 17 de setembro de 1928, o
jornal carioca denominado “O Jornal”, publicou uma edição especial sobre os
aspectos socioeconômicos do Estado de Pernambuco. E destacou o município de
Limoeiro na gestão do prefeito José Heráclio do Rego, que era médico e
fazendeiro. Foi interno do Hospital da Marinha, no Rio de Janeiro, por
concurso, conquistando o primeiro lugar. Era obstetra e infectologista. Filho
do coronel João Heráclio do Rego, pai de Chico Heráclio, seu irmão.
Leia na íntegra, este documento
histórico, escrito há 97 anos atrás:
Localizado na zona norte do
Estado, Limoeiro que dista de Recife 79 quilômetros, pelas suas vastas
possibilidades econômicas, é, sem favor, um dos mais importantes municípios
pernambucano.
Está situado à margem do rio
Capibaribe, a 148 metros de altitude, sobre uma linha e vasta planície da qual
participa todo seu povoado; é estreitada ao norte entre as serras da Raposa,
Barrica e Urubu e o Capibaribe que banha pelo sul.
As ruas são quase todas retas e
largas, a edificação em estilo moderno vai dia a dia aumentando e imprimindo à cidade
um cunho de centro evidentemente adiantado. Cortado por numerosas estradas de
rodagem, servindo de centro de concentração para vários municípios, Limoeiro
tem fácil comunicação com a capital do Estado não só por meio de um excelente
sistema rodoviário, como também por estrada de ferro, uma vez que a Great
Western tem ali uma estação terminal de um de seus ramais.
Tem o município a superfície de
105.000 hectares para uma população de 52.573 habitantes, possuindo também 221
estabelecimentos rurais. Estando situado em uma das zonas mais ubertosas do
Estado, as suas terras prestam-se admiravelmente para a agricultura.
A indústria açucareira é também exercitada
por intermédio de dezesseis engenhos comuns e três engenhos fornecedores de
canas, produzindo 12.000 sacas anuais de açúcar. Onde, porém, reside a
principal riqueza do município de Limoeiro é no algodão, de cuja indústria é
um dos maiores centros produtores do Estado.
A indústria algodoeira é
exercitada, pois, por dois aparelhos de beneficiar e duas usinas, produzindo um
total de 1.200.000 quilos anuais. Produz ainda o município, milho numa média
anual de 1.300.000 quilos; fumos, farinha de mandioca, frutos etc.
A pecuária é também cultivada em
regulares proporções, apresentando o mais recente recenseamento o seguinte
quadro: 9.037 bovinos, 2.100 equinos, 300 muares e asininos, 1.400 ovinos,
4.200 caprinos e 9.600 suínos.
Existem também no município
várias outras indústrias como sejam: queijos, arreios, couros, bebidas,
calçados, chapéus, moagem de café, manteiga, móveis, produtos farmacêuticos,
artefatos de couros, de tecidos, óleos, etc.
O município dispõe de duas linhas
telegráficas, sendo uma da Great Western e outra do Telégrafo Nacional, quatro
agências postais, sete seções eleitorais e quatro distritos judiciários.
A instrução pública é ministrada
por três escolas particulares, vinte e uma escolas municipais e seis escolas
estaduais, todas de ensino primário.
As finanças de Limoeiro são
arrecadadas da forma seguinte: Pela União, 56:000$; pelo Estado, 53:000$000, e
pelo município aproximadamente 120:000$000 (Cento e vinte contos de réis).
Possui um Posto de Profilaxia Rural e quatro órgãos de imprensa. A cidade é
servida por bondes de tração animal, pertencentes a Companhia de Ferro Carril.
Os edifícios principais que pelas
suas elegantes linhas gerais constituem apreciáveis trabalhos de arquitetura, são: o Paço
Municipal, prédio de sólida e bela constituição; o Mercado Público, o Açougue
Municipal, localizado num grande e vistoso prédio especialmente construído para
este fim; o palacete do Grupo Escolar e a Cadeia Pública, um vasto e grande edifício, que é, sem dúvida, depois da Detenção da
capital, a melhor, a mais sólida e a mais elegante de todas outras cadeias do
Estado.
São nove os povoados em que se
divide o município: Pedra Tapada, São Vicente, Bengalas, Malhadinha, Cedro,
Bizarra, Ribeiro Fundo, Duas Pedras e Joá.
É de justiça salientar o
progresso geral de Limoeiro de alguns anos a esta parte, desde que sua
orientação política foi entregue ao senador Severino Pinheiro, ex-governador do
Estado. O esforço, o cuidado e o carinho que as administrações municipais têm
dispensado aos problemas que interessam de perto com o desenvolvimento de
Limoeiro, talvez tenham sido os fatores primordiais e eficientes na obra de
remodelação que hoje se observa na cidade, que não só pela sua evidente fase progressista
como também pelas forças vitais, é considerada uma das mais belas cidades e um
dos núcleos mais populosos do interior pernambucano.
Na cidade propriamente dita, sede
do município, é onde mais flagrante se tornam as diversas obras modernas,
índice da capacidade de trabalho dos filhos de Limoeiro, levadas a efeito pelos
respectivos prefeitos, os quais dessa forma têm se feito credores dos aplausos
dos seus munícipes.
É atual gestor do governo
municipal de Limoeiro, o dr. José Heráclio do Rego, cuja administração tem sido
por demais proveitosa aos interesses gerais da comuna. (Finalizou).
Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA
NORTE
Fonte: O Jornal, do Rio de Janeiro.
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