sábado, 22 de fevereiro de 2025

LIMOEIRO (PE): Na gestão do prefeito José Heráclio do Rego (1925 a 1928)

 

Prefeitura de Limoeiro e torre da Igreja de Santo Antônio. Foto: Jânio Odon/VZN.

Em 17 de setembro de 1928, o jornal carioca denominado “O Jornal”, publicou uma edição especial sobre os aspectos socioeconômicos do Estado de Pernambuco. E destacou o município de Limoeiro na gestão do prefeito José Heráclio do Rego, que era médico e fazendeiro. Foi interno do Hospital da Marinha, no Rio de Janeiro, por concurso, conquistando o primeiro lugar. Era obstetra e infectologista. Filho do coronel João Heráclio do Rego, pai de Chico Heráclio, seu irmão.

Leia na íntegra, este documento histórico, escrito há 97 anos atrás:

Localizado na zona norte do Estado, Limoeiro que dista de Recife 79 quilômetros, pelas suas vastas possibilidades econômicas, é, sem favor, um dos mais importantes municípios pernambucano.

Está situado à margem do rio Capibaribe, a 148 metros de altitude, sobre uma linha e vasta planície da qual participa todo seu povoado; é estreitada ao norte entre as serras da Raposa, Barrica e Urubu e o Capibaribe que banha pelo sul.

As ruas são quase todas retas e largas, a edificação em estilo moderno vai dia a dia aumentando e imprimindo à cidade um cunho de centro evidentemente adiantado. Cortado por numerosas estradas de rodagem, servindo de centro de concentração para vários municípios, Limoeiro tem fácil comunicação com a capital do Estado não só por meio de um excelente sistema rodoviário, como também por estrada de ferro, uma vez que a Great Western tem ali uma estação terminal de um de seus ramais.

Tem o município a superfície de 105.000 hectares para uma população de 52.573 habitantes, possuindo também 221 estabelecimentos rurais. Estando situado em uma das zonas mais ubertosas do Estado, as suas terras prestam-se admiravelmente para a agricultura.

A indústria açucareira é também exercitada por intermédio de dezesseis engenhos comuns e três engenhos fornecedores de canas, produzindo 12.000 sacas anuais de açúcar. Onde, porém, reside a principal riqueza do município de Limoeiro é no algodão, de cuja indústria é um dos maiores centros produtores do Estado.

A indústria algodoeira é exercitada, pois, por dois aparelhos de beneficiar e duas usinas, produzindo um total de 1.200.000 quilos anuais. Produz ainda o município, milho numa média anual de 1.300.000 quilos; fumos, farinha de mandioca, frutos etc.

A pecuária é também cultivada em regulares proporções, apresentando o mais recente recenseamento o seguinte quadro: 9.037 bovinos, 2.100 equinos, 300 muares e asininos, 1.400 ovinos, 4.200 caprinos e 9.600 suínos.

Existem também no município várias outras indústrias como sejam: queijos, arreios, couros, bebidas, calçados, chapéus, moagem de café, manteiga, móveis, produtos farmacêuticos, artefatos de couros, de tecidos, óleos, etc.

O município dispõe de duas linhas telegráficas, sendo uma da Great Western e outra do Telégrafo Nacional, quatro agências postais, sete seções eleitorais e quatro distritos judiciários.

A instrução pública é ministrada por três escolas particulares, vinte e uma escolas municipais e seis escolas estaduais, todas de ensino primário.

As finanças de Limoeiro são arrecadadas da forma seguinte: Pela União, 56:000$; pelo Estado, 53:000$000, e pelo município aproximadamente 120:000$000 (Cento e vinte contos de réis). Possui um Posto de Profilaxia Rural e quatro órgãos de imprensa. A cidade é servida por bondes de tração animal, pertencentes a Companhia de Ferro Carril.

Os edifícios principais que pelas suas elegantes linhas gerais constituem apreciáveis  trabalhos de arquitetura, são: o Paço Municipal, prédio de sólida e bela constituição; o Mercado Público, o Açougue Municipal, localizado num grande e vistoso prédio especialmente construído para este fim; o palacete do Grupo Escolar e a Cadeia Pública, um vasto e grande edifício,  que é, sem dúvida, depois da Detenção da capital, a melhor, a mais sólida e a mais elegante de todas outras cadeias do Estado.

São nove os povoados em que se divide o município: Pedra Tapada, São Vicente, Bengalas, Malhadinha, Cedro, Bizarra, Ribeiro Fundo, Duas Pedras e Joá.

É de justiça salientar o progresso geral de Limoeiro de alguns anos a esta parte, desde que sua orientação política foi entregue ao senador Severino Pinheiro, ex-governador do Estado. O esforço, o cuidado e o carinho que as administrações municipais têm dispensado aos problemas que interessam de perto com o desenvolvimento de Limoeiro, talvez tenham sido os fatores primordiais e eficientes na obra de remodelação que hoje se observa na cidade, que não só pela sua evidente fase progressista como também pelas forças vitais, é considerada uma das mais belas cidades e um dos núcleos mais populosos do interior pernambucano.

Na cidade propriamente dita, sede do município, é onde mais flagrante se tornam as diversas obras modernas, índice da capacidade de trabalho dos filhos de Limoeiro, levadas a efeito pelos respectivos prefeitos, os quais dessa forma têm se feito credores dos aplausos dos seus munícipes.

É atual gestor do governo municipal de Limoeiro, o dr. José Heráclio do Rego, cuja administração tem sido por demais proveitosa aos interesses gerais da comuna.  (Finalizou).

Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA NORTE

Fonte: O Jornal, do Rio de Janeiro.


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