sábado, 8 de março de 2025

No início do século XX, pais protestam contra falta de escolas em Caixa D'Água e Caenga

 

No início do século XX, as escolas na região de Beberibe, eram poucas e precárias. Foto: Ilustrativa.

Este Blog procura sempre retratar os fatos importantes ocorridos, principalmente na Zona Norte do Recife e de Olinda em tempos passados, para que o leitor tenha uma noção exata, das dificuldades enfrentadas pelos nossos antepassados desta região periférica da cidade.

Encontrei nas páginas antigas do extinto jornal recifense “A Provincia”, de 20 de junho de 1923, a publicação de uma carta feita por pais de alunos da então povoação de Caixa D’Água, para chamar a atenção do diretor da Instrução Pública do Recife, sobre a falta de escolas e professoras próximo a povoação. Nesta época, Caixa D’Água era um pequeno povoado pertencente ao distrito de Beberibe, do município do Recife. A carta dizia o seguinte:

As escolas de Beberibe- (dizia o título) – Senhor diretor de “A Provincia”. Pedimos a V. Sª o obséquio da publicação desta.

É lamentável que o ilustrado diretor da Instrução Pública, atenda ao bem-estar das cinco professoras que foram nomeadas para Beberibe, com manifesto prejuízo dos alunos que moram distantes do povoado (referindo-se a Beberibe) e de Porto da Madeira, ponto onde as ditas professoras residem por terem bondes à porta.

Não há muito tempo tínhamos uma escola no Caenga, que muito servia às alunas que residiam em Caixa D’Água. Essa escola desapareceu para se localizar no povoado, junto à parada dos bondes, muito embora se reunisse duas em uma só casa, um pardieiro, sem ar, sem luz, estreito e sem acomodações, tanto que, uma das professoras dá aula pela manhã e a outra à tarde, e deste modo converteram o insalubre casebre em núcleo escolar, com o consentimento reprovável dos senhores da Instrução Pública Estadual!

O nosso fim escrevendo-vos esta é para chamar a atenção do digno diretor da Instrução Pública para o caso, lembrando-lhe a conveniência de ser localizada uma dessas escolas em Caenga ou em Caixa D’Água e outra perto da estrada do Cumbe e Acampamento.

Assim distribuídas, os nossos filhos residentes distante do povoado e de Porto da Madeira poderão frequentar as aulas; ao contrário disto, as ditas professoras apenas farão jus ao ordenado, sem prestarem auxílio a quem precisa de instrução.

Esperamos que o ilustrado dr. da Instrução Pública do Estado atenderá nosso pedido, que é justíssimo. – Pais de família – Recife, 19 de junho de 1923. (Finalizou).

*Pardieiro – prédio velho ou arruinado.

*Instrução Pública Estadual – É o mesmo que Secretaria de Educação do Estado.

* Caixa D’Água – Atualmente é um bairro pertencente ao município de Olinda.

*Cumbe – Era um pequeno povoado que existia próximo a estrada de mesmo nome, atual Avenida Hildebrando de Vasconcelos, no bairro recifense de Dois Unidos.

*Acampamento – Povoação às margens da antiga estrada do Acampamento, estrada esta, que começava no Córrego do Tiro, atual professor José Amarino dos Reis e terminava um pouco antes da Estrada do Cumbe, atual Avenida Hildebrando de Vasconcelos. O Acampamento deu lugar a extensa rua Uriel de Holanda, no bairro recifense de Linha do Tiro. Os nomes Linha do Tiro e Acampamento, surgiram porque no final do século XIX e início do século XX, o exército vinha fazer instrução de tiro nesta região e armavam seus acampamentos no local.

Por: Jânio Odon/VOZES DA ZONA NORTE

Fonte: Jornal A Provincia e arquivo pessoal.


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